terça-feira, junho 17, 2014

Teoria da conspiração ou as três concupiscências: blog responde a um leitor.


Não aguento mais teorias da conspiração. Não aguento mais ouvir falar em Nova Ordem Mundial, Escola de Frankfurt, Estratégia Gramsciana, etc. Qual o poder real de milionários de fraque e cartola, reunidos em hotéis 5 estrelas para decidirem o destino do planeta? Ou de membros de seitas secretas, vestindo túnicas e capuz cônico perfurado nos olhos e nariz? Por que os serviços de inteligência dos EUA não identificam NUNCA os milhares de agentes do serviço secreto russo (antiga KGB) infiltrados aqui no ocidente? Estarão só preocupados com revolucionários wasp’s, barbudinhos, loiros, de olhos azuis? Onde estão os serviços de inteligência europeus? Decadência cultural, perda da moral e da religiosidade? Culpa de intelectuais gramscianos infiltrados nas escolas, nas igrejas, mídia, e outras instituições? Mas e a NOSSA RESPONSABILIDADE? Por que deixamos que tudo isso acontecesse? Não seria mais culpa de nosso conformismo e espírito consumista/hedonista, que se difundiu POR TODO O PLANETA? A Igreja está sendo pervertida desde dentro? Por que deixamos? Vá em uma reunião da Torcida Organizada do Flamengo ou do Coríntias, e fale mal do time. Você será, literalmente picado e jogado na privada. Por que não fizemos o mesmo? “Ora, para que brigar? Vamos conversar! E além disso, hoje tem churrasco lá em casa.” Ou “Preciso cuidar dos detalhes de minha próxima viagem para a Disney...” - Robson di Cola

Caro Robson,
 
Não estou certo de ter entendido seu comentário. Entendo sua indignação, sua estupefação, mas se entendi seu raciocínio, penso que você erra muito o alvo. A pergunta “Culpa de intelectuais gramscianos infiltrados nas escolas, nas igrejas, mídia, e outras instituições? Mas e a NOSSA RESPONSABILIDADE?” mostra a confusão que você está fazendo. A doutrinação cultural determina o que pensamos e fazemos, inclusive o que consideramos ser ou não nossa responsabilidade.
 
Outra coisa: “o espírito consumista/hedonista” se difunde pelo planeta justamente por causa da “Glamourização da confusão, idealização da perversão e romantização da rebelião metafísica”, postos em termos mais gerais.
 
Só há uma arma contra tudo isso e ela é exatamente a Igreja Católica Apostólica Romana.
 
São João nos adverte: Omne quod est in mundo concupiscentia carnis esta et concupiscentia oculorum e supervia vitae [Tudo o que há no mundo é concupiscência da cara, concupiscência dos olhos e soberba da vida.] (1 Jo 2, 16). É por estes meios que o espírito consumista/hedonista entra em nossos corações. Utilizando-se outras palavras, artigo de Jeffrey Nyquist nos adverte contra isso.
 
A Sagrada Doutrina Católica (Ver Compêndio de Teologia Ascética e Mística, Pe. Adolph Tanquerey, Cap. II, §193-209) nos ensina que
  • a concupiscência da carne é o amor desordenado dos prazeres dos sentidos,
  • a concupiscência dos olhos se compõe da curiosidade doentia e do amor desordenado dos bens da terra,
  • e a soberba da vida (também chamada de concupiscência do espírito) é uma depravação profunda, pois por meio dela, o homem, entregue a si mesmo, considera-se como o seu próprio Deus, pelo excesso de seu amor próprio.
Aqui, a terceira concupiscência é exatamente o que Nyquist chama de rebelião metafísica, uma revolta contra Deus; é o non serviam de Lúcifer.
 
Então, caro Robson, a conspiração está sendo urdida desde há muito tempo. Os poderes do mundo, detidos por quem quer que seja, no fundo são detidos por quem primeiro disse o non serviam a Deus. O Pecado Original, causa das três concupiscências, nos expõe perigosamente a este poderoso inimigo e só Nosso Senhor e Sua Mãe Santíssima pode dele nos proteger.

domingo, junho 15, 2014

Glamourização da confusão, idealização da perversão e romantização da rebelião metafísica, estas são as armas do demônio.

Todo católico tem de ler com muita atenção este texto, de Jeffrey Nyquist, pois vai aprender muito sobre as operações do Príncipe deste mundo, inimigo de Nosso Senhor e Sua Mãe. Não deixem de ler e reler.

quarta-feira, junho 04, 2014

O demônio no comando geral, com financeamento público do CNPq e ares de grande erudição.

 
1. o que se faz na Universidade Pública Brasileira e entenda a tragédia que vivemos;
2. como a mulher é, de fato, explorada, desrespeitada, vilipendiada, na cultura que se estabeleceu no país;
3. o que significa a decantada liberdade feminina (leia o post Dia 8 de março: o que comemorar?);
4. como o demônio é claramente referenciado no nome do evento;
5. o nível de abastardamento, de barbarismo apocalítico que o Brasil atingiu.
 
 
São Francisco Caracciolo, rogai por nós!

segunda-feira, junho 02, 2014

Urgente! O paganismo assassino avança!

Reproduzo comentário de Em defesa da Vida, da Igreja, e da Verdade no post "Indiferença":

Semana passada observamos à que ponto chegaram os interesses de alguns políticos. Muitas pessoas não acreditaram que a 12845/2013, mais conhecida como lei “Cavalo de Tróia”, tivesse de fato conteúdo de prática abortista, entretanto, na semana passada todos tiveram a confirmação do fato com a portaria 415 do Ministério da Saúde. Esta portaria, , regulamentou a Lei Cavalo de Troia, incluindo na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde a “interrupção da gestação/antecipação terapêutica do parto”, fixando o preço do abortamento em R$ 443,40. O mesmo preço de um parto. (Aparentemente, para essas pessoas, a morte e a vida são a mesma coisa.).
 
Diante da notoriedade que ganhou a portaria, o Ministério da Saúde acabou por revogá-la esta semana (pela Portaria n. 437), sem apresentar nenhuma justificativa. No entanto, a verdade já havia sido revelada: realmente, a Lei Cavalo de Troia foi concebida para disseminar a prática do aborto no Brasil.
 
Frente a este fato, muitos cantaram a vitória alegando que pela revogação de tal portaria, não haverá mais aborto, entretanto, todos estão muito enganados. Estando às vésperas das eleições, nenhum candidato quer correr o risco de manchar sua campanha com o sangue de crianças inocentes. Tal medida, foi na verdade motivada única e exclusivamente por motivos eleitorais, mas a lei continua lá. Nossa tarefa como cristãos é tentar com todos os esforços possíveis derrubar definitivamente esta lei. Então o faremos?

a) Se você possuí blog ou alguma rede de contato, não deixe de publicar este fato, pois muitos estão comemorando a revogação da portaria, enquanto os abortos continuarão sendo feitos com dinheiro público independente do valor, mas por força da lei 12845/2013;

b) Existe um projeto de lei de autoria do Deputado Eduardo Cunha (RJ) (PL 6033/2013), que revoga a lei Cavalo de Tróia. Para que o PL 6033/2013 seja votado, é necessário pedir aos parlamentares (através de telefonemas e e-mails) para que estes aprovem com urgência o citado projeto de lei;

c) No site Citizengo, existe uma petição pública solicitando a votação do PL 6033/2013;

d) Rezar intensamente para que Deus ilumine este luta para defender as crianças do Brasil.

Deus abençoe a todos que colaboram com esta luta. Neste link, você poderá encontrar os nomes, e-mails e telefone dos deputados para entrar em contato:
 
 

sexta-feira, maio 23, 2014

Indiferença

Ernest Hello
 
Muitas pessoas que a desconhecem, acusam a Verdade por ser intolerante. Isso merece uma explicação. 
 
Ao ouvi-los, pode-se dizer que a Verdade e o Erro são duas coisas com os mesmos direitos; duas rainhas, ambas legítimas, que devem viver em paz em seu próprio reino; duas divindades, que dividem entre elas a fidelidade do mundo, sem que uma tenha o direito de tomar os domínios da outra. E desse modo de pensar brota a indiferença, que é o triunfo de satã. O ódio lhe agrada, mas o ódio não é suficiente; ele deseja a indiferença. 
 
A indiferença é uma forma particular de ódio, um ódio frio e duradouro que se esconde dos outros – por trás do ar da tolerância. Pois a indiferença nunca é real. Ela é ódio combinado com falsidade.
 
Para continuar a produzir, dia após dia, uma torrente de ferozes invectivas contra a Verdade, os homens precisam de uma decisão de caráter que eles não possuem.
 
Consequentemente, a posição que eles tomam é não tomar posição. Todavia, um ódio ruidoso é muito mais facilmente explicável, desde que se considere o Pecado Original, que o ódio silencioso. O que me impressiona não é ouvir alguma blasfêmia dos lábios de um homem. O Pecado Original lá está; o livre-arbítrio lá está; a blasfêmia tem sua explicação. O que me precipita na mais absoluta estupefação é a neutralidade.
 
É uma questão acerca do futuro da raça humana, e do futuro eterno de tudo que no universo possua inteligência e liberdade. É certamente e necessariamente uma questão acerca de tu contigo mesmo, com todos e com todas as coisas. Então, a menos que não te interesses por ti mesmo, nem por ninguém ou nada, essa é certamente e necessariamente uma questão do mais sagrado interesse para você. Toma tua alma, e corra para o calor da batalha. Toma seus desejos, seus pensamentos, suas orações, seu amor. Pegue qualquer arma que possas possivelmente utilizar, e te lance de corpo e alma na batalha em que tudo está em jogo.
 
Coloque-se no campo de batalha entre os disparos daqueles que amam e os daqueles que odeiam, pois deves auxiliar a um ou a outro. Não te engane sobre isso. O clamor não é aos homens em geral; é a ti em particular; pois todos os dons morais, mentais, físicos e materiais à tua disposição são as tantas armas que Deus colocou em tuas mãos, e te deu a liberdade de usá-las por ou contra Ele. Tu deves lutar; tu és obrigado a lutar. Só podes escolher em que lado estás.
 
Jesus Cristo, quando veio a este mundo, pediu aos homens tudo que Ele precisava, pois Ele escolheu ser o mais pobre entre os pobres. Ele pediu um lugar onde nascer: isso Lhe foi negado. Todas as estalagens estavam cheias; a porta de um estábulo era a única que estava aberta. Ele pediu um lugar onde morar; isso Lhe foi negado. O Filho do homem não teve um lugar para recostar Sua cabeça. E quanto a sua morte, Ele não teve sete palmos de terra abaixo dos quais Se deitar. A Terra o rejeitou, e Ele foi pendurado entre a Terra e o Céu, numa Cruz.
 
Ora, Aquele Que então pedia, ainda o faz. Ele pede por um lugar para nascer. Os indivíduos que lotam as estalagens, e que não desocupam seus lugares, mas mandam embora Jesus, para nascer entre uma vaca e um burro, são um admirável símbolo daqueles que estão constantemente sacrificando seus futuros e a si mesmos em nome de ninharias inexpressivamente tediosas e vazias.
 
De todas as ideias malucas inspiradas pelo demônio, esta é a que é a mais digna dele: A VERDADE É TEDIOSA. A Verdade tediosa! mas é a posse da Verdade que constitui a beatitude. A verdade maçante! mas a Verdade é o fundamento da felicidade extática. Todo o esplendor que percebemos não é senão débeis símbolos da Verdade. Mesmos seus raios distantes causam um êxtase indescritível.
 
A alma humana é feita para pastagens divinas, não só na Eternidade mais no Tempo. Não há duas fontes da felicidade. Há apenas Uma; mas Ela nunca secará, e todos podem dela beber. Você está apaixonado pelo tédio? É na direção do não-existente que você deve olhar. Mas você ama a Vida, a Felicidade, o Amor? Então vire-se para AQUELE QUE É.
 
Satã é o Príncipe do Tédio, do desespero, da infelicidade.
 
Deus é o Mestre do Contentamento. Que os indiferentes se examinem e se repreendam.

 
 Traduzido da versão em inglês, por E.M. Walker, 1912 (Life, Science and art: Leaves form Ernest Hello).
 
 

domingo, maio 11, 2014

Lições da Missa de hoje: como nós católicos devemos ser e sofrer no mundo.

É o que Nosso Senhor e São Pedro, o primeiro Papa, nos ensinam na Missa Tridentina de hoje. São Pedro diz (negritos meus):

Tende um bom procedimento entre os pagãos, para que, em vez de detraírem de vós como de malfeitores, vendo as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia de sua visita. Sede, pois, submissos a toda instituição humana, por amor de Deus; seja ao rei, como soberano, seja aos governadores, como enviados seus, para castigo dos malfeitores e para louvor dos bons. Porque esta é a vontade de Deus, que praticando o bem, façais emudecer a ignorância dos homens insensatos. Vivei como homens livres, mas não como fazendo da liberdade um véu da malícia, e sim como servos de Deus. Honrai a todos; amai a vossos irmãos; temei a Deus; respeitai o rei. Servos, sede obedientes com todo o temor a vossos senhores, não somente aos bons e moderados, como também aos geniosos. Porque isto é uma graça no Cristo Jesus, Senhor nosso.
 
São Pedro nos dá a chave contra o liberalismo: Vivei como homens livres, mas não como fazendo da liberdade um véu da malícia. Aqui, é impossível não complementar tais conselhos com os de São Paulo, aos cristãos de Coríntios, e a todos nós. É uma lição de desprendimento do mundo: Isto, portanto, vos digo, irmãos: o tempo é reduzido; os que choram, sejam como se não chorassem, os que andam alegres, como se não andassem, os que compram, como se não possuíssem, os que se servem do mundo, como se dele não usufruíssem; porque passa o cenário deste mundo. 
 
Nosso Senhor ensina que os católicos nunca teremos o mesmo humor que o mundo, mas que isso é uma graça, pois no fim, quando estivermos com Ele, tudo será alegria:
 
Em verdade, em verdade eu vos digo: haveis de chorar e vos lamentar, enquanto o mundo há de se alegrar; vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em gozo. U'a mulher, quando dá à luz, tem tristeza, porque veio a sua hora, mas logo que a criança nasce, já não se lembra da aflição, pela alegria por haver nascido ao mundo um homem. Assim vós outros, agora estais tristes, mas outra vez vos verei; então alegrar-se-á o vosso coração; e ninguém vos há de tirar a vossa alegria.
 
Para terminar, hoje é dia de São Filipe e São Tiago. Cito aqui o texto do Missal de d. Beda Keckeisen, OSB: Filipe de Betsaida foi um dos primeiros Apóstolos de Nosso Senhor. Pregou o Evangelho na Frígia, onde foi crucificado e apedrejado. S. Tiago menor, primo de Nosso Senhor, foi o primeiro Bispo de Jerusalém. Homem de oração e de austera penitência, foi precipitado do pináculo do Templo. Ele é o autor de uma Epístola canônica.
 
São Filipe rogai por nós. São Tiago rogai por nós.

domingo, maio 04, 2014

Como vou convencer a minha esposa a se converter?

 Um leitor escreve ao blog perguntando (ver comentário ao post Lição de um Cura Medieval):
Como vou convencer a minha esposa a se converter se os padres aqui do Gutierrez pouco estão a serviço dos fiéis? Ela aprendeu desde pequena a não gostar da Igreja e cada vez que um fato desse ocorre ela me olha com cara de "não disse?"
 
Faço algumas sugestões, em ordem de importância.
 
1. Reze, reze e reze a Nossa Senhora para a conversão de sua esposa. Hoje é dia de Santa Mônica, que converteu o marido e o filho, o grande Santo Agostinho, com suas orações. Assim, repito, reze, reze e reze, pois a graça da conversão nos é trazida pela Mãe de Deus.
 
2. Você tem de conhecer a Igreja, sua história principalmente, para ensinar à sua esposa. Só se ama aquilo que se conhece e você tem de apresentar à sua esposa, pelo menos estar preparado para apresentar, a verdadeira Igreja de Cristo, cujo Magistério atual, numa frase de Roberto de Mattei [1] "cessou de reafirmar com clareza a verdade católica", muitas vezes confundindo todo o seu ensinamento. Ninguém que deixe de perceber a profundidade da crise atual da Igreja terá algo a dizer sobre a Igreja Verdadeira. Portanto, estude, estude e estude.
 
3. Você deve apresentar a Igreja à sua esposa através de você mesmo; seja um católico verdadeiro. Demonstre que você tem as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Demonstre a ela o quão doce é viver ao lado de um católico verdadeiro, cheio de pecados, mas pronto "para uma resposta vitoriosa a todo aquele que vos perguntar acerca da esperança que vos anima", como nos ensina São Pedro, nosso primeiro Papa. Torne conhecidos dela seus períodos de orações diárias. Quando você for confessar, avise a ela. Em seus períodos de penitências e jejuns, comente com ela o que você está fazendo. Nos dias dos santos de sua devoção, comente com ela sobre a vida deles. Quando discutindo problemas cotidianos, apresente-lhe o ponto de vista católico.
 
4. Você tem de dizer à sua esposa que, exceto em momentos muito breves da história da Igreja, se colocarmos a condição de um clero santo para nos convertermos, nunca o faremos. O que você deve dizer à sua esposa é que apesar do clero pecador (pecador público, pois particular qualquer um de nós o é), a Igreja é Santa, pois sua cabeça é Nosso Senhor, e por isso ela tem mais de dois milênios de vida. Tem uma história que conto de memória, para você reconta-la à sua esposa. Um cardeal da Igreja quando ficou sabendo que Napoleão tinha planos de destruir a Igreja, mandou-lhe um recado: se toda a sucessão de bispos e papas não conseguiu destruir a Igreja, não seria ele que conseguiria.
 
Que Santa Mônica rogue por todos nós!
 
 
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[1] Apologia da Tradição, trad. Celso Vidigal e Paulo Henrique Chaves, ed. Ambientes & Costumes, São Paulo, 2013.

quinta-feira, abril 24, 2014

Roberto de Mattei concorda com o blog.

Afirmei num post recente que "Se ele (João Paulo II) for, de fato, canonizado, tal ato não poderá ser infalível, porque vai contra a razão humana, no mínimo!".
 
Agora leio no Fratres que de Mattei afirma o seguinte, sobre outro candidato a "santo":
 
"Se eu devesse admitir que o Papa João XXIII praticou de modo heroico a virtude desempenhando seu papel de Pontífice, minaria pela base os pressupostos racionais de minha fé. Na dúvida, atenho-me ao dogma de fé estabelecido pelo Concílio Vaticano I, segundo o qual não pode haver contradição entre fé e razão. A fé transcende a razão e a eleva, mas não a contradiz, porque Deus, a Verdade por essência, não é contraditório. Em consciência, creio que posso manter todas as minhas reservas sobre este ato de canonização."
 
Repito então: Temerário será prestar culto de dulia ao futuro “santo”.

sábado, abril 05, 2014

Lição de um cura medieval!

Se o próprio ouro perder o luzimento,
O pobre ferro quem terá de exemplo?
Se um vigário tiver conduta suja,
O leigo velozmente se enferruja.
Ou acaso um rebanho imaculado
Seguirá um pastor emporcalhado?
O padre, ao dar exemplo de pureza,
Ao povo purifica com justeza.
 
Contos da Cantuária, Geoffrey Chaucer, Trad. J. F. Botelho, Ed. Peguin, 2013

domingo, março 30, 2014

Leitor pergunta se sou herege ou favorecedor de hereges: blog responde.

O sr. virou herege ou pelo menos favorecedor dos hereges?
“Aquele que ousasse afirmar que o Pontífice teria errado nesta ou naquela canonização, e que este ou aquele santo por ele canonizado não deveria ser honrado com culto de dulia, qualificaríamos, senão como herético, entretanto como temerário; como causador de escândalo a toda a Igreja; como injuriador dos santos como favorecedor dos hereges que negam a autoridade da Igreja na canonização dos santos; como tendo sabor de heresia, uma vez que ele abriria caminho para que os infiéis ridicularizassem os fiéis; como defensor de uma preposição errônea e como sujeito a penas gravíssimas.” (Papa Bento XIV - De Servorum Dei Beatificatione)
 
Um “bondoso” católico anônimo, certamente preocupado com a salvação da alma deste pobre blogueiro, deixou o comentário acima no post O dilema que a canonização de João Paulo II.
 
Logo que li o comentário lembrei-me de súbito de um texto de Chesterton: O Ressurgimento da Filosofia – Por quê?. Vale a pena ler o texto todo, mas aqui reproduzo o primeiro parágrafo: “O melhor motivo para o ressurgimento da filosofia é que a menos que um homem tenha uma filosofia, certas coisas horríveis acontecerão a ele. Ele será prático; ele será progressista; ele cultivará a eficiência; ele acreditará na evolução; ele realizará o trabalho dele mais próximo e imediato; ele se devotará a feitos, não a palavras. Assim, atingido por rajadas e mais rajadas de estupidez cega e destino aleatório, ele caminhará trôpego para uma morte miserável, sem nenhum conforto, exceto uma série de slogans; tais como esses que cataloguei acima.” [Os negritos são meus.]
 
O corajoso anônimo cita o documento de um papa do século XVIII e, presumivelmente, quer aplica-lo ao nosso século XXI. Bem, perguntemos, para começar: será que o anônimo desconhece que a Igreja do século XXI é completamente diferente da do século XVIII? Será que desconhece o furação que a atingiu no início da década de 1960 e que se chamou Concílio Vaticano II? Será que rajadas de estupidez já o cegaram?
 
Pois imaginemos uma pequena conversa entre nós e o Santo Padre Bento XIV, sobre o estado atual da Igreja. Imaginemos que o informássemos, de início, que a Missa que ele sempre celebrou, que todos antes dele celebraram, tinha sido mudada, mas mudada COMPLETAMENTE, e que hoje mais parece um culto protestante. Imaginemos sua surpresa e profunda tristeza.
 
Mas imaginemos mais; imaginemos que o informássemos que os rituais de TODOS os Sacramentos da Igreja mudaram, que hoje os fiéis tomam as Hóstias Consagradas em suas mãos e não se ajoelham para comungar. Que não há mais o Index Librorum Prohibitorum, que os Papas agora celebram rituais com protestantes, budistas, índios, etc. Que toda a legislação acerca das indulgências foi alterada e que, finalmente, para não cansar demais o Santo Padre, que todo o Processo de Canonização foi também alterado profundamente, chegando a se dispensar o Advogado do Diabo e também milagres dos futuros “santos”. Não mencionaríamos a mudança da Vulgata (elevada pelo Concílio Tridentino a texto oficial das Escrituras Sagradas), dos encontros de Assis, do Santo Ofício ser dirigido por um Cardeal que põe em dúvida, por escrito, vários Dogmas da Igreja, etc. Claro que não mostraríamos ao Santo Padre o livro de Luigi Villa sobre João Paulo II.
 
Então, quando Bento XIV fala sobre canonização, fala sobre uma decisão papal fundamentada num processo absolutamente diferente do que existe atualmente. Só um louco varrido afirmaria que as palavras de Bento XIV se aplicam ao processo de canonização atual. Assim, nenhuma canonização poderá mudar os fatos e atos que conhecemos de JPII. Se ele for, de fato, canonizado, tal ato não poderá ser infalível, porque vai contra a razão humana, no mínimo! Temerário será prestar culto de dulia ao futuro “santo”.

sexta-feira, março 14, 2014

O dilema que a canonização de João Paulo II apresenta.

Na edição de janeiro de 2014 (n. 372) do Courrier de Rome, Pe. Jean-Michel Gleize, professor de eclesiologia do Seminário da FSSPX em Econe, publicou um estudo intitulado: “João Paulo II: um novo santo para a Igreja?” Depois de lembrar que a canonização é infalível, ele pergunta: “As novas canonizações exigem obediência dos fiéis católicos?” e então “João Paulo II pode ser canonizado?”, citando as afirmações do papa polonês aos luteranos, anglicanos, ortodoxos, judeus, muçulmanos, além de suas observações sobre a liberdade religiosa. 
 
A seguir, o epílogo do Pe. Gleize 
 
Se João Paulo II é um santo, sua teologia deve ser impecável, até o mais mínimo detalhe. De fato, a virtude da fé em níveis heroicos implica uma perfeita docilidade a todo o espírito do Magisterium, e não somente à letra dos ensinamentos do Magisterium infalível e ao mais baixo denominador comum dos dogmas obrigatórios.
 
Se João Paulo II é verdadeiramente um santo, os fiéis católicos devem reconhecer que a Igreja católica e as comunidades ortodoxas são igrejas irmãs, corresponsáveis por resguardar a única Igreja de Deus.[1] Devemos, portanto, reprovar o exemplo de Josaphat Kuncewicz, arcebispo de Polotsk (1580-1623). Convertido da Igreja Ortodoxa, ele publicou uma Defesa da unidade da Igreja em 1617, na qual reprova a sua antiga Igreja por romper a unidade da Igreja de Deus, excitando o ódio desses cismáticos que o martirizaram.
 
Se João Paulo II é verdadeiramente um santo, os fiéis católicos devem reconhecer os anglicanos como irmãos e irmãs em Cristo e expressar esse reconhecimento rezando em conjunto.[2] Devemos também condenar o exemplo de Edmund Campion (1540-1581) que recusou-se a rezar com um ministro anglicano, na ocasião de seu martírio.
 
Se João Paulo II é verdadeiramente um santo, os fiéis católicos devem defender que o que divide católicos e protestantes – isto é, a realidade do sagrado e propiciatório Sacrifício da Missa, a realidade da mediação universal da Santíssima Virgem Maria, a realidade do primado da jurisdição do Bispo de Roma – é mínimo em comparação com o que os une.[3] Devemos, portanto, condenar o exemplo do capuchinho Fidelis de Sigmaringa (1578 – 1622) que foi martirizado por reformadores protestantes, a quem ele foi enviado como um missionário e para quem ele escreveu um Disputatio contra ministros protestantes, sobre a questão do Santo Sacrifício da Missa.
 
Se João Paulo II é realmente um santo, os fiéis católicos devem reconhecer o valor do testemunho religioso do povo judeu.[4] Devemos então condenar o exemplo de Pedro de Arbues (1440 – 1485), Grande Inquisidor de Aragão, que foi martirizado por judeus por ódio à fé católica.
 
Se João Paulo II é realmente um santo, os fiéis católicos devem reconhecer que depois da ressurreição final, Deus estará satisfeito com os muçulmanos e eles estarão satisfeitos com Ele.[5] Devemos então condenar o exemplo do capuchinho José de Leonessa (1556 – 1612) que trabalhou incansavelmente em Constantinopla entre cristãos reduzidos à escravidão pelos seguidores do Islã. Seu zelo lhe fez ser arrastado perante o sultão por insultar a religião muçulmana, e lhe custou ser dependurado num cavalete por uma corrente presa a ganchos em uma das mãos e a um dos pés. Os fiéis católicos devem deplorar também o exemplo de São Pedro Mavimenus, que morreu em 715 depois de ser torturado por três dias, por ter insultado Maomé e o Islã.
 
Se João Paulo II é santo, os fiéis católicos devem reconhecer que chefes de estado não deve se arrogarem o direito de impedir a profissão pública de uma falsa religião.[6] Devemos portanto condenar o exemplo do rei francês, Luiz IX, que limitava a prática das religiões não cristãs ao máximo possível.
 
Contudo, Josaphat Kuncewicz foi canonizado em 1867 por Pio IX, e Pio XI dedicou-lhe uma encíclica; a Igreja celebra sua festa em 14 de novembro. Edmund Campion foi canonizado por Paulo VI em 1970, e a Igreja o honra no dia 1 de dezembro. Fidelis de Sigmaringa foi canonizado em 1746 e Clemente XIV o proclamou “protomártir da Propaganda” (da Fé); sua festa, no calendário da Igreja, é no dia 24 de abril. Pedro de Arbues foi canonizado por Pio IX, em 1867. José de Leonessa foi canonizado em 1737 por Bento XIV e sua festa é celebrada em 14 de fevereiro; Pio IX o proclamou patrono das missões da Turquia. Finalmente, São Pedro Mavimenus, é celebrado pela Igreja no dia 21 de fevereiro. Quanto ao Rei São Luis, seu exemplo muito conhecido é uma demonstração ideal dos ensinamentos de São Pio X, também canonizado. Se João Paulo II é realmente um santo, todos esses santos se enganaram grandemente e deram à Igreja não um exemplo de autêntica santidade, mas um escândalo de intolerância e fanatismo. É impossível evitar este dilema.
 
A única forma de evita-lo é tirar uma dupla conclusão: Karol Wojtyla não pode ser canonizado e o ato que proclamaria sua santidade perante e Igreja só poderia ser uma falsa canonização.
 
FONTE: Distrito americano da FSSPX
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[1] A Igreja Católica e as comunidades ortodoxas “reconhecem uma à outra como Igrejas Irmãs, corresponsáveis por resguardar a única Igreja de Deus, em fidelidade ao plano divino, e num modo completamente especial em relação à unidade.” João Paulo II, Declaração Conjunta assinada no Vaticano pelo Papa João Paulo II e o Patriarca Bartolomeu I, 29 de junho de 1995 (DC no. 2121, p. 734-735).
 
[2] O Papa e o líder dos anglicanos agradecem a Deus “que em muitas partes do mundo anglicanos e católicos, juntos num só batismo, reconheçam uns aos outros como irmãos e irmãs em Cristo e expressem isso por meio de orações conjuntas, ação e testemunho comuns.” Declaração Conjunta de João Paulo II e o Arcebispo de Cantuária, representando a Comunhão Anglicana, assinada em 5 de dezembro de 1996. (DC no. 2152, pp. 88–89).
 
[3] “O espaço espiritual compartilhado supera muitas barreiras confessionais que ainda nos separam, no limiar do terceiro milênio. Apesar das divisões, somos capazes de nos apresentar num caminho de crescente união em oração perante Cristo, percebemos cada vez mais quão pequeno é o que nos divide em comparação com o que nos une.” João Paulo II ao discursar perante o Dr. Christian Krause, presidente da Federação Luterana Mundial, 9 de dezembro de 1999 (DC no. 2219, p. 109).
 
[4] “Sim, com minha voz, a Igreja Católica (...) reconhece o valor do testemunho do vosso povo.” João Paulo II, em discurso à comunidade judaica de Alsácia, 9 de outubro de 1998 (DC no. 1971, p. 1027).
 
[5] “Acredito que nós, cristãos e muçulmanos, devemos reconhecer com alegria os valores religiosos que temos em comum e agradecer a Deus. (...) Cremos que Deus será um juiz misericordioso no final dos tempos e esperamos que, depois da ressurreição, Ele esteja satisfeito conosco, e nós com Ele.” João Paulo II, em discurso por ocasião do encontro com jovens no estádio de Casablanca, 18 de agosto de 1985 (DC no. 1903, p. 945).
 
[6] O Estado não pode reivindicar autoridade, direta ou indireta, sobre as convicções religiosas de uma pessoa. Não pode se arrogar o direito de impor ou de impedir a profissão ou a prática pública de religião por uma pessoa ou comunidade.” João Paulo II, mensagem na celebração do Dia Mundial da Paz, 8 de dezembro de 1987 (DC no. 1953, p. 2)

sábado, fevereiro 22, 2014

Leitor pede conselhos.

Leitor escreve o seguinte comentário ao post Leitor insiste, blog explica.:
Sou um católico pouco praticante, mas que de um ano para cá estou me sentindo compelido a ser mais participativo para com a igreja, sobretudo depois da posse deste novo "papa". Mas estou em um estágio de semi-analfabetismo funcional do ponto de vista dos dogmas da nossa igreja, e estou tentando entender alguns pontos que me perturbam. O primeiro deles é a relação entre o capital e a igreja: O que os santos textos nos ensinam em relação ao capital? Por que o comunismo vai contra nossas ideologias? Até que ponto devo buscar um crescimento financeiro? Quando uma vontade de realizar um feito pessoal (uma viagem de lazer, adquirir um bem "melhor" do que o necessário) se torna perigosa? 
 
Vemos aqui justamente um católico sendo impelido na direção da Igreja justamente por causa da crise, por causa, na expressão do leitor, do novo papa, entre aspas. É o que eu falava no post em questão.
 
A você caro leitor tenho a dizer que o que te compele é graça de Deus. Responda a ela com obediência e presteza, pois desprezar a graça de Deus é um grave pecado.
 
Sobre as dúvidas quanto ao capital e ao comunismo, você talvez possa ler o marcador Economia e Catolicismo do blog. Ainda no blog, você pode ler um belo texto de São Francisco de Sales sobre o espírito de pobreza. Leia, se puder, todo o livro Filotéia. Você certamente aprenderá que o problema com o dinheiro não é tê-lo, mas deixar que ele nos domine. São Paulo recomenda a Timóteo o que ensinar a este respeito (1Tm 7-10; 17-19): (7) Nada trouxemos para o mundo e nada dele podemos levar. (8) Quando, porém, temos o que comer e o que vestir, com isso nos contentaremos. (9) Mas aqueles que querem enriquecer caem em tentações, em laços e em muitas cobiças insensatas e nocivas, que mergulham os homens na perdição e na ruína. (10) Com efeito a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro, na qual, espasmando, alguns desviaram-se da fé, atormentando-se com muitas aflições. (17) Aos ricos deste século recomenda que não sejam altivos, nem ponham a esperança em riquezas incertas, mas em Deus, que nos dá todas as coisas com abundância, para delas usarmos; (18) recomenda que pratiquem o bem, que se enriqueçam de boas obras, que sejam generosos, liberais, (19) acumulando assim um excelente capital para o futuro, para alcançarem a verdadeira vida.
 
Há ainda uma perspectiva diferente a esta questão. Esta perspectiva é a da devoção à Sagrada Humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aqui, caro leitor, adentramos no ambiente do devocionário católico, naquele manancial inesgotável de delícias e consolações divinas. Pe. Faber, em texto sobre esta devoção, diz: O amor efetivo faz-nos ver a imagem viva de Jesus, representando em nossa própria vida os estados, mistério e virtudes da Sua. Trazemos exteriormente essa imagem pela contínua mortificação, diminuindo e apertando o conforto corporal, regulando os sentidos, derrubando as exigências extravagantes do mundo e da sociedade, pela ciosa moderação dos afetos e dos prazeres inocentes, e pela perpétua repressão de toda vaidade e arrogância. Nossa vida interior é conforme à de Jesus pela liberdade de espírito que significa o desapego das criaturas e a conformidade à sua vontade. Nossas ações exteriores trazem a estampa divina quando procedemos como se fôssemos membros seus, quando fazemos todas as ações em seu nome e segundo as suas inspirações.
 
Neste pequeno trecho, você encontrará temas para meditações infindáveis sobre como “apertar o conforto corporal”, “regular os sentidos”, “derrubar as exigências extravagantes do mundo e da sociedade”.
 
Algumas sugestões finais que dou a todo católico “não praticante” ou "pouco praticante":
1. Vá a Missa todos os domingos e dias de guarda; se possível, prefira a Missa Tridentina;
2. Confesse pelo menos uma vez por mês, ou quando cometer pecado mortal;
3. Comungue sempre que esteja em estado de graça;
4. Reze o Rosário (os três terços, não quatro!) de preferência, se não puder, reze o Terço todos os dias. Lembre-se, a devoção a Nossa Senhora não é opcional!
5. Leia a vida dos santos, diariamente, e reze pedindo sua intercessão.
 
Escreva-me quando quiser e que Nossa Senhora te ilumine!
 

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Leitor insiste, blog explica.

O anônimo anterior, ou será outro?, comenta, no post em que lhe respondo, o seguinte:
 
Eu estava imaginando, professor, é alguém que, desejando ser católico, lesse todas essas informações. Essa pessoa não teria motivos ou segurança para aderir ao catolicismo, principalmente se lesse todas as tendências que existem dentro da Igreja Católica. O seu trabalho parece-me muito necessário se fosse do tipo "lavar roupa suja em casa". Mas ele lava a roupa publicamente e, com isso, leva inquietação aos que estão em fase de observação para escolher entre o catolicismo e outras alternativas.
 
Já escrevi muito sobre a religião verdadeira e como escolhê-la. Uma coisa que eu aprendi é que, apesar da crise da Igreja, uma das formas mais eficazes de converter uma pessoa é exatamente falando-lhe da crise, da Igreja verdadeira e da falsa, da Igreja e da outra, como dizia o grande Gustavo Corção. Foi assim com meus filhos, foi assim com pessoas que dão testemunho de conversão, mesmo com tantos problemas na Igreja. Atualmente, o trabalho missionário não pode deixar de lado a monumental crise da Santa Igreja. Temos de mostrar quem, embora com a missão específica de falar pela Igreja de Sempre, está traindo Nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje em dia, qualquer lugar é lugar de missão, pois a Igreja está em processo acelerado de destruição em todos os lugares. 
 
Se temos um Papa que dá explicações à ONU publicamente, temos de publicamente dizer que ele está errado! Que aquela turma de comunistas profissionais, de globalistas de plantão, de totalitários empedernidos, de bárbaros por convicção, de abortistas e anticristãos, não podem e não devem ser considerados sequer nossos interlocutores; no máximo pecadores que o Papa deve tentar converter. É preciso que os que “estão em fase de observação” observem que na Igreja alguém está defendendo o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor, que na Igreja há ainda guerreiros verdadeiros, que pegarão inclusive em armas convencionais, se preciso for, para defender a Igreja, guerreiros que não a defendem apenas com palavras açucaradas de falsa humildade.
 
A conversão terá de ser em direção à Igreja Verdadeira, ou não será conversão verdadeira. Qualquer conversão que se efetivar na igreja do Vaticano II, não será ainda conversão verdadeira. Um convertido que considerar a Missa como uma simples ceia, não se converteu ainda, não está ainda desfrutando da Preciosa Redenção que o Filho de Deus veio nos trazer. Um convertido que tomar a Hóstia consagrada em suas mãos está cometendo uma falha grave. Os que “estão em fase de observação” precisam saber que há algumas pessoas na Igreja que sabem disso e falam sobre isso. Um convertido modernista que pensar que o Inferno é apenas uma metáfora, não está ainda convertido e está, na verdade, correndo um sério risco de ir para lá. E por que ele pensaria assim do Inferno? Ora, porque a igreja do Vaticano II não fala mais do Inferno, não acredita mais no Inferno, segundo o depoimento de um inúmeros padres; e quando fala é como metáfora.
 
Só uma última observação: não existe alternativa ao catolicismo; aqui não existe liberdade, pois só a Igreja salva. Isto é coisa que os que “estão em fase de observação” nunca ouvem da Igreja modernista. É preciso que alguns falem. É minha mais firme convicção de que falar sobre os problemas da Igreja exerce forte atração naqueles que estão prestes a se converter. É por isso que continuarei meu trabalho!

sábado, fevereiro 15, 2014

Gregório Duvivier se mostra por inteiro.

Depois de atacar a Igreja, Gregório Duvivier, o palhaço, ataca agora todos os valores civilizacionais que, não por acaso, foram construídos justamente pela Igreja. Veja o texto de Rodrigo Constantino em seu blog.  
 
Os católicos sabemos que fora da Igreja não há Salvação, mas os resultados do afastamento da Igreja já são sentidos ainda aqui na terra: a razão, que foi criada por Deus, que é a luz de nosso intelecto, começa também a esmaecer-se. Os afastados de Deus se tornam cruéis, imorais, delinquentes; chafurdam na lama mais imunda, até que chegará o dia em que encontrarão seus diletos companheiros (leiam aqui para saber quem são), no Inferno. 
 
Enquanto estão vivos, há tempo ainda para o arrependimento!

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Leitor opina, blog responde.

Um leitor anônimo escreve um comentário ao post Blog se solidariza com D. Walmor no caso de van Balen., que diz o seguinte: 
 
Seu eu levar a sério o seu Blog, jamais poderia ser um católico. Ele "prova" o tempo todo que a Igreja Católico não tem liderança, e que as ovelhas que pastoreia, se quiserem salvar-se, precisa, cada uma delas, ser melhor do que o Papa em quase todos os aspectos, inclusive o intelectual. Creio que o senhor peca por excesso de zelo.
 
Há duas soluções para o problema: não levar a sério o blog; ou, estudar, ler livros sobre a crise da Igreja (eles existem: aqui, aqui e aqui.), observar os acontecimentos, pensar, refletir, e depois tirar as próprias conclusões.
 
Admito que não levar a sério o blog é muito mais fácil. Além do mais, criticar o Papa, cardeais e bispos não é fácil. Tomar o caso do D. Gerhard Mueller, que nega vários dogmas da Igreja, saber que ele foi nomeado por Bento XVI para o cargo que cuida justamente do respeito aos Dogmas, e deste caso concluir que algo de muito errado está se passando com a Igreja e com sua liderança é uma imposição racional apenas para os que estudam e pensam. Mais fácil seria “não levar a sério” quem denuncia, quem comenta, quem critica.
 
O anônimo fala em excesso de zelo. Seria excesso de zelo exigir que um cardeal, um bispo ou um padre da Igreja, aceitasse todos (TODOS) os Dogmas da Igreja. Talvez para o espírito moderno, isto seja mesmo excesso de zelo. Imaginemos em qualquer época passada, imaginemos que estivéssemos diante de São Francisco de Sales, e lhe disséssemos que o Papa havia nomeado para o Santo Ofício um bispo que nega, por escrito, Dogmas (não só um) da Igreja. Imaginemos que isso ocorresse com Santa Catarina de Sena, ou com São Francisco de Assis. Todos estes santos se encheriam de santa indignação; Santa Cataria seria capaz de ir ao Vaticano com dedo em riste para puxar a orelha do Papa. Para nosso anônimo, isso é excesso de zelo.
 
A Igreja está numa violenta crise e quem a denuncia é acusado de pecar por excesso de zelo. Mas não está exatamente aí um exemplo da crise, um católico absolutamente inconsciente, que nada vê sobre a crise e que se move na Igreja como se ela navegasse em mares calmíssimos? Não é isso que o demônio mais deseja? Não é isso que os modernistas que tomaram de assalto a Igreja depois do Vaticano II mais querem?
 
Quanto menos os católicos estudarem, se informarem, refletirem, mais serão enganados pela turma que assaltou a Igreja: a turma dos Congars, de Lubacs, e Rahners. O termo “assalto” poderá ferir a sensibilidade do anônimo tão otimista, mas ele é até um termo suave para descrever exatamente o que ocorreu com o CVII e a Igreja. É só estudar, o que eu recomendo a todos, até aos mais sensíveis.

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Blog se solidariza com D. Walmor no caso de van Balen.

Caríssimo D. Walmor, 
 
Venho por meio deste modesto post me solidarizar com vossa omissão no caso do herege da Igreja de N. Sra. do Carmo, em Belo Horizonte. Seus críticos ainda não entenderam nada da situação. Ficam cobrando que o senhor afaste o indigitado padre por negar Dogmas da Santa Igreja, fazer afirmações heréticas, e coisas assim. É certo que van Balen não acredita na Presença Real e no Deus Uno e Trino. Mas, o senhor certamente sabe que também D. Mueller, prefeito do antigo Santo Ofício, nega, por escrito, importantes Dogmas da Igreja e nada com ele acontece. E alguns fiéis reclamam que o senhor nada faz. São uns tontos! 
 
Como punir van Balen, se o Cardeal Braz de Aviz, com alto cargo no Vaticano, afirma que entre o falso e verdadeiro, devemos ser flexíveis? E não é exatamente isso que o senhor está sendo, flexível! O que querem os que o criticam? 
 
Além do mais, seus críticos se esquecem do que está contido nos documentos do Concílio Vaticano II. Ouso dizer que o senhor deve ter se baseado na Dignitates Humanae em sua decisão de nada fazer: “Este Concílio Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Esta liberdade consiste no seguinte: todos os homens devem estar livres de coação, quer por parte dos indivíduos, quer dos grupos sociais ou qualquer autoridade humana; e de tal modo que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência, nem impedido de proceder segundo a mesma, em privado e em público, só ou associado com outros, dentro dos devidos limites. Declara, além disso, que o direito à liberdade religiosa se funda realmente na própria dignidade da pessoa humana, como a palavra revelada de Deus e a própria razão a dão a conhecer. Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa na ordem jurídica da sociedade deve ser de tal modo reconhecido que se torne um direito civil.” 
 
Ora, D. Walmor, van Balen, portanto, merece todo o nosso respeito, por estar no pleno direito de praticar a religião que sua consciência aceita e não deve ser coagido, de modo algum. O pessoal ainda não entendeu o espírito do concílio! Ora todos que aceitam integral e completamente o CVII, um concílio que nada condenou, nem o comunismo, que à época, já tinha matado uns 100 milhões de indivíduos, cujos documentos afirmam a liberdade de consciência e outras coisas mais, não pode agora, de súbito, vir criticar o senhor, D. Walmor. O que o senhor está fazendo está não só plenamente em consonância com passagens dos textos conciliares, mas sobretudo é integralmente coerente com o espírito do concílio. 
 
Portanto, D. Walmor, receba minha total solidariedade e creia que o senhor está sendo completamente coerente com a Igreja do Concílio Vaticano II, mesmo que esta Igreja esteja cada vez mais longe da Igreja de Cristo, mas isso é um detalhe insignificante frente às pressões do mundo moderno. Afinal, Cristo viveu no longínquo Império Romano, e não na modernidade. Temos que atualizar a doutrina d’Ele, não é mesmo? E não dá para negar que van Balen faz exatamente isso.  
 
Portanto, parabéns por sua postura tão coerente e moderna! Criei até um lema para seu arcebispado: omissão é também ação. Como negá-lo?

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Bob Fields, Robertchev ou Robert Ping?

Recebi ontem e já devorei o ótimo “O homem mais lúcido do Brasil: as melhores frases de Roberto Campos”, organização de Aristóteles Drummond, Ed. Resistência Cultural.
 
Roberto Campos foi um homem de múltiplas facetas, representante daqueles que, mesmo brasileiros, conseguiram se elevar acima e além da burrice e cretinice nacional e ver um pouco da realidade como ela é. Participou ativamente de boa parte da história da república (falo república e já lembro aqui de uma frase do livro: “No Brasil, res publica é cosa nostra.”). Foi, claro, um homem de direita. Digo claro porque, como dizia J.O. Meira Pena (frase incluída no livro): “Os marxistas inteligentes são patifes. Os marxistas honestos são burros. E os inteligentes e honestos nunca são marxistas”.
 
Uma das facetas de Campos é a de grande frasista, como o foi também Nelson Rodrigues, que admirava Campos (como o foi meu querido Chesterton). O título do post tem a ver com uma frase do livro: “Adquiri o apelido de Bob Fields, mas, depois que Gorbachev abriu a União Soviética para capitais estrangeiros, eu podia me chamar Robertchev. E depois que Deng Xiaoping abriu a China para capitais estrangeiros, eu podia me chamar Robert Ping.”
 
Algumas das minhas frases preferidas, só para aguçar a curiosidade dos leitores, seguem abaixo.
 
“Os artistas brasileiros são socialistas nos dedos e na voz, mas invariavelmente capitalistas nos bolsos.”
 
“Os ‘progressistas’ farão o Brasil crescer como rabo de cavalo: para trás e para baixo.”
 
“Há três maneiras de o homem conhecer a ruína: a mais rápida é pelo jogo; a mais agradável é com as mulheres; a mais segura é seguindo os conselhos de um economista.”
 
“O PT é o partido dos trabalhadores que não trabalham, dos estudantes que não estudam e dos intelectuais que não pensam.”
 
Hoje à noite, às 20h, haverá uma palestra virtual de lançamento do livro com Aristóteles Drummond, pela Radio Vox. Para adquirir o livro envie um e-mail para o editor José Lorêdo Filho.
 
Ficam aqui o registro e a sugestão.

sábado, fevereiro 01, 2014

Frei Cláudio, um herege contumaz.

Agora que a coisa ficou publicamente mais feia com o herege Frei Cláudio, lembro-me que há no blog alguns posts sobre esse discípulo do demônio. Por exemplo: 50 Anos de Concilio Vaticano II. Frei Cláudio: Um herege em plena atividade. e Discípulo do herege frei Cláudio desanca o blog. Blog responde.. Neste último post, vocês podem ver como pensam os discípulos do frei, estes mesmos que impediram a celebração recente na Igreja do Carmo. Publiquei ainda dois outros posts escritos por quem conhece profundamente frei Cláudio e suas missas: Leitora do blog responde com serenidade e firmeza ao discípulo de Frei Cláudio. e 50 Anos de Concilio Vaticano II: o mal que faz um herege sedutor. 
 
Para quem não sabe, a Igreja do Carmo fica numa região nobre da capital mineira e é frequentada por gente abastada e portanto não é ignorância stricto sensu que move esses hereges. Quem defende frei Cláudio é gente que sabe o que está fazendo, é gente que escolheu o lado, é gente que escolheu frei Cláudio ao invés do Precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Lembremos, de passagem, que as classes abastadas sempre tiveram uma singular tendência a aderirem às mais diversas heresias. Muitas das milhares de heresias que atacaram a Igreja ao longo dos séculos sempre tiveram uma aura de delicadeza e sofisticação. Notem que muitas das bandeira do frei herege são consideradas sofisticadas e modernas, coisa de gente inteligente e atual: o aborto, o homossexualismo (que agora já é assunto de novela), o desprezo ao matrimônio, etc. Enquanto isso a Cruz e o Sangue de Nosso Senhor sempre contou com a repulsa de muitos, é coisa de gente atrasada e ignorante: “Efetivamente, a palavra da cruz é uma loucura para os que se perdem, mas, para os que se salvam, isto é, para nós, é a virtude de Deus” (1Cor 1, 18).
 
Este tal frei já fez um mal incomensurável às almas de muitos ex-católicos; digo ex-católicos pois já estão excomungados automaticamente há muito tempo. Afastar uma alma de Deus, de Nosso Senhor, é a obra principal do demônio, assim como aproximar uma alma de Deus é obra de santos: “...saiba que aquele que reconduzir um pecador do erro do seu caminho, salvará uma alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados” (Tg 5,20).
 
O que devemos fazer, o quanto antes, é rezar para que as almas desencaminhadas pelo herege da Igreja do Carmo possam ser reconduzidas a Deus e à Igreja para que não morram em pecado mortal e sejam condenadas ao Inferno.
 
Santo Inácio de Antioquia, rogai por todos nós!

domingo, janeiro 19, 2014

Guia Politicamente Incorreto?

Estou lendo o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch. Bem escrito, com muita coisa interessante que desmistifica muito livro escolar que anda circulando por aí, financiado com nosso rico dinheirinho.
 
Mas qual não foi minha surpresa, que lendo a parte sobre os comunistas, deparo-me com a seguinte afirmação, na página 330 da edição ampliada, politicamente correta em altíssimo grau: 
 
Movimentos revolucionários costumam colocar seu ideal político acima dos valores individuais e das regras tradicionais da vida. Cria-se assim uma superioridade moral que lembra a dos cristãos nas cruzadas - um pensamento do tipo "eu luto por um mundo justo, uma sociedade sem contradições, portanto posso matar e roubar em nome desse ideal sagrado". Assim como cristãos fanáticos queimavam hereges na Idade Média, os guerrilheiros justificavam, com sua moral superior, expurgos, assaltos e assassinatos sem julgamento de seus próprios colegas. Nas pequenas organizações de conspiradores e guerrilheiros dos anos 1960 e 1970, é fácil perceber o controle extremo da conduta individual, a violência baseada na superioridade moral e a obsessão com a traição - a mesma que fez Stálin executar companheiros próximos. Seus integrantes praticaram crimes bem parecidos com o assassinato de Elza, morta a mando de Prestes. Em 1973, por exemplo, o professor Francisco Jacques Moreira de Alvarenga, integrante da Ação Libertadora Nacional do Rio de Janeiro, foi assassinado numa sala de aula do Colégio Veiga de Almeida. [Negritos meus.]
 
Viram que coisa mais charmosa? Os cristãos da Idade Média foram comparados a Stalin e aos grupelhos terroristas assassinos que existiram no Brasil nos anos 1960 e 1970. Neste trecho, nós aprendemos que as Cruzadas foram feitas por um mundo mais justo, uma sociedade sem contradições. Além disso, como isso era o objetivo das Cruzadas, elas podiam matar e roubar por estes ideais. Ora isso é um caso extremo de ignorância ou uma leviandade sem limites. Depois ficamos ainda sabendo que cristãos fanáticos queimavam hereges na Idade Média; assim mesmo, sem mais qualificações, sem mais explicações. 
 
Eu conhecia muita mentira deste nível sobre as Cruzadas, mas nunca vi ninguém afirmar que as Cruzadas foram feitas para se criar um mundo mais justo, uma sociedade sem contradições. Isto é pura projeção, puro cronocentrismo. Esta ideia idiota de que um outro mundo seja possível, uma sociedade melhor, etc., não passava pela cabeça de nenhum homem medieval. Nisto o Sr. Leandro Narloch foi muito criativo, embora ele esteja muito longe da verdade. O resto é pura difamação, através do uso de clichês mentirosos e politicamente corretos; sim, porque não há nada mais politicamente correto que denegrir a Igreja Católica!
 
Embora o Sr. Leandro Narloch não seja historiador – segundo o seu perfil, que consta no próprio livro, ele é jornalista – ele escreveu sobre a história do Brasil (escreveu também sobre a história da América Latina) e não se pode admitir que alguém interessando em história seja tão ignorante a respeito da história geral do mundo. Assim, sobre o tópico das Cruzadas e da Inquisição, que são vastíssimos temas históricos, inabarcáveis sem muito estudo e reflexão, longe portanto dos clichês politicamente corretos, vou sugerir uma bibliografia básica que talvez o jornalista queira estudar. Quem sabe no futuro ele não escreva um livro com o título: Guia Politicamente Incorreto das Cruzadas e da Inquisição? Eis alguns livros fundamentais:
 
1. The Politically Incorrect Guide to Islam, todo o livro se contrapõe aos clichês sobre as Cruzadas.
3. História das Cruzadas, Steven Runciman, 3 vols., Ed. Imago, 2003.
4. Sete Mentiras sobre a Igreja Católica, Diane Moczar, Ed. Castela, 2011.
5. A Inquisição em Seu Mundo, João Bernardino Gonzaga, Ed. Saraiva, 1993.
 
Termino com uma nota de pé de página do livro Jardim das Aflições de Olavo de Carvalho que dá bem a ideia do quanto de idiotice se fala sobre a Inquisição. Note a última observação de Olavo, pois ela se refere exatamente à mentira propagada pelo Sr. Leandro Narloch. Há aqui mais sugestões de leituras.
_________________________________________
Olavo de Carvalho, no Jardim das Aflições, página 35, ed. É Realizações, 2000.
 
O número de balelas que circulam a respeito da Inquisição é assombroso. Elas constituem um capítulo importante do fabulário popular - do "senso comum", diria Gramsci - que sustenta a crença na superioridade do mundo moderno e de seus intelectuais. Eis algumas:
A Inquisição atrasou o desenvolvimento científico, proibindo a circulação dos livros que traziam novas descobertas. - Basta examinar o Index Ubrorum Prohibitorum para verificar que nele não consta nenhuma das obras de Copérnico, Kepler, Newton, Descartes, Galileu, Bacon, Harvey e tutti quanti. A Inquisição examinava apenas livros de interesse teológico direto, que nada poderiam acrescentar ao desenvolvimento da ciência moderna. (Em caso de dúvida, leia-se A Inquisição, por G. Testas e J. Testas)
Giordano Bruno foi um mártir da ciência, condenado pela Inquisição por defender teorias científicas. - Giordano Bruno não fez nenhuma descoberta, nenhuma observação, nenhum experimento científico. Nem sequer estudou as ciências modernas, física, astronomia, biologia ou matemática. As disciplinas que lecionava eram tipicamente medievais: lógica, gramática e retórica - o trivium. Ele desprezava a nova mentalidade matemática, e todos os cientistas matematizantes, de Galileu a Descartes, mostraram a maior indiferença pela sua obra, cujo maior mérito é justamente o de ter antecipado muito do que hoje podemos dizer contra a ciência moderna (v. Paul-Henri Michel, La Cosmologie de Giordano Bruno, Paris, Hermann, 1975.). Ele não foi condenado por defender teorias científicas, mas por prática de feitiçaria, que na época era crime. Não sei se a acusação era procedente, talvez não fosse, mas aos que julguem um absurdo preconceito de eras pretéritas imputar à feitiçaria, de modo geral, qualquer caráter criminoso, recomendo a leitura do ensaio de Claude Lévi-Strauss, "O Feiticeiro e sua Magia" (em Antropologia Estrutural, trad. Chaim Samuel Katz e Eginardo Pires, Rio, Tempo Brasileiro, 1975), sobre a realidade das mortes por enfeitiçamento. - Para completar, a pesquisa histórica mais recente revelou que Bruno esteve muito provavelmente envolvido em atividades de espionagem contra a Igreja Católica (v. John Bossy, Giordano Bruno e o Mistério da Embaixada, trad. Eduardo Francisco Alves, Rio, Ediouro, 1993).
A Inquisição instituiu a perseguição aos judeus. - As matanças de judeus, promovidas por devedores espertos ou por monges fanáticos, eram um hábito consagrado na Península Ibérica. Não conseguindo reprimir a ralé enfurecida, o Rei de Portugal pediu que o Santo Ofício se incumbisse dos processos por usura, de modo a tirar qualquer pretexto que legitimasse as atrocidades dos "justiceiros populares". Instituindo os processos regulares, a Inquisição controlou e enfim extinguiu as matanças. E verdade que a Inquisição se mostrou preconceituosa contra os judeus, mas se em vez de julgá-la por um padrão moral abstrato e utópico a comparamos com as alternativas reais existentes na época, entendemos que ela foi um mal menor: a única alternativa era o massacre (v. Alexandre Herculano, op. cit.).
A Inquisição instituiu a tortura generalizada. - A tortura era considerada um procedimento legítimo e praticada em toda parte desde a Grécia antiga. Durante quase toda a Idade Média, caiu em desuso, sendo reintroduzida na justiça civil graças à redescoberta - tipicamente renascentista - dos textos das antigas leis romanas. O que a Inquisição fez foi seguir o uso então vigente na justiça civil, mas limitando-o severamente, não permitindo que o acusado fosse torturado mais de uma vez e proibindo ferimentos sangrentos (v. Testas, op. cit.). Deve-se portanto à Inquisição o primeiro passo efetivo que se deu contra o uso da tortura, o que deveria ser considerado um marco na história dos direitos humanos. A tortura ilimitada foi depois reintroduzida pelos comunistas, na Rússia, sendo seu exemplo imitado em seguida pelos nazistas e fascistas.
O processo de Galileu foi um caso de perseguição inquisitorial. - Bem ao contrário, o processo foi uma pizza, uma farsa concebida pelo Papa - padrinho de Galileu - para que seu protegido se livrasse de um grupo de inquisidores fanáticos mediante uma simples declaração oral sem efeitos práticos, após a qual ele pôde continuar divulgando suas idéias sem que ninguém voltasse a incomodá-lo (v. Pietro Redondi, Galileu Herético, trad. Júlia Mainardi, São Paulo, Companhia das Letras, 1991).
[Acréscimo da 2- ed.] A Inquisição espanhola foi um momento culminante da violência institucionalizada, comparável ao comunismo e ao nazismo. - Conversa mole. A Inquisição espanhola mandou executar, no total, não mais de 20 mil pessoas em quatro séculos, isto é, em média, quatro por ano (v. Henry Kamen, The Spanish Inquisition. A Historical Revision, New Haven and London, Yale University Press, 1997).
        Os philosophes de modo geral não ignoram essas coisas, mas falar delas não é bom para a sua saúde e suscitaria desconforto na platéia.