segunda-feira, maio 14, 2012
Sob as barbas de Dom Saburido,OSB.
sexta-feira, maio 04, 2012
O Sr. Robério é um personagem de Dickens
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
CUBA - BRASIL: YOANI, COMPASIÓN Y PILATOS
Desde el punto de vista de los derechos humanos, el viaje a Cuba de la presidenta del Brasil, Sra. Dilma Rousseff, constituyó un desastre inimaginable para el pueblo cubano y para sus esperanzas de libertad. En ese sentido, el referido viaje presidencial podrá ser inscrito en el libro negro de las vergüenzas de nuestro tiempo y de nuestro continente. Con su silencio total sobre la violación sistemática de los derechos de Dios y de los hombres en la isla-cárcel desde hace más de cincuenta años, la presidenta de la mayor potencia de América Latina y una de las mayores potencias del mundo dio implícitamente luz verde para que el régimen continúe persiguiendo impunemente a los opositores, matándolos de sed en las prisiones, reprimiendo a las Damas de Blanco y manteniendo prisioneros, sin poder salir y entrar libremente, a 11 millones de cubanos. También en ese sentido, la Sra. Rousseff, una ex guerrillera que nunca se arrepintió públicamente de su pasado, se transformó, a partir de su reciente viaje a La Habana, en corresponsable por los atropellos y crímenes que cometa en adelante el régimen comunista, alentado en sus salvajerías por tan gigantesco aval recibido.
segunda-feira, novembro 28, 2011
50 anos de Vaticano II: Dom Mayer nos ajuda a entender a confusão.
sexta-feira, agosto 12, 2011
Crônicas de Gustavo Corção em pleno século XXI! Quem diria!?
sexta-feira, julho 15, 2011
Chesterton e o Concílio Vaticano II
sábado, julho 02, 2011
Chesterton e a Nova Teologia
quinta-feira, junho 30, 2011
50 anos de Vaticano II: os livros que temos e os que ainda nos faltam.
Refiro-me primeiramente ao magistral Iota Unum, de Romano Amério. Esta obra de Amerio é fundamental para o entendimento dos frutos do Concílio. Está tudo lá, muito bem explicado, com os fundamentos filosóficos, teológicos e doutrinários de todas as mudanças ocorridas na Igreja depois do Concílio. Não há livro mais necessário para o entendimento da crise que este.
Depois temos a trilogia de Michael Davies: Cranmer’s Godly Order, Pope John’s Council e Pope Paul’s New Mass.
Michael Davies, segundo depoimento de seu próprio filho, Adrian Davies, considerava esta trilogia como seu principal trabalho, dentre uma infinidade de outros. Certa vez, ano passado, entrei em contato com Adrian, por meio da Angelus Press, e ele me disse que os direitos autorais para o português estão disponíveis. Disse-me ainda que Michael Davies, se estivesse vivo, ficaria muito feliz por suas obras aparecerem em português, pelo carinho que ele tinha com Portugal. Na época, não consegui editora interessada na compra dos direitos e na tradução da trilogia. Há ainda o grande livro de Marcel de Corte, A Inteligência em Perigo de Morte. Alguns trechos deste livro apareceram no jornal SIM SIM NÃO NÃO. Alguns textos de de Corte podem ser encontrados no sítio da Permanência. Mas é fundamental a tradução do livro!
Rezemos para que alguma editora católica brasileira se anime agora a empreender a tradução e edição destas obras indispensáveis sobre a crise da Igreja.
sexta-feira, junho 24, 2011
50 anos de Vaticano II: Roma sabe que há muitos bispos hereges.
quinta-feira, junho 23, 2011
50 anos de Vaticano II: Bispo nega o dogma Extra Ecclesiam nulla sallus.
domingo, junho 05, 2011
50 anos de Vaticano II: uma visão bem humorada da teologia conciliar
sexta-feira, maio 13, 2011
50 anos de Vaticano II: contribuições de um católico perplexo
[1] Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Atayde. (Nota do blog.)
sábado, novembro 13, 2010
Mais um fruto do Concílio Vaticano II
Outro dia, publiquei um post, Frutos do Concílio Vaticano II, sobre um padre herege vociferando contra a Tradição da Igreja. As eleições no Brasil mostraram muito bem o quanto a heresia já penetrou no conjunto de padres e bispos brasileiros, de forma que talvez possamos concordar com Chesterton quando ele diz: “No passado, o herege se orgulhava de não ser herege. (...) O homem orgulhava-se de ser ortodoxo, orgulhava-se de estar certo. (...) Mas umas poucas frases modernas o fizeram vangloriar-se disso. Ele diz, com um sorriso consciente, “Acho que sou muito herético”, e olha para os lados à procura de aplauso. A palavra “heresia” não somente significa não estar errado; praticamente significa ser inteligente e corajoso.” É claro que a eleição só deixou a situação mais clara para quem não acompanha mais de perto a crise da Igreja depois do CVII.
Agora, um leitor, de nome Ricardo, me envia um comentário, com várias perguntas, no post A Igreja primitiva, uma vez mais. Ele começa o comentário com essas afirmações: “Angueth, sou católico-romano, mas faço uma pergunta aos leitores do blog: em que podemos basear essa exclusividade da Igreja Católica Romana? Muitos talvez pensem que, por eu estar fazendo este questionamento, não sou mais católico-romano. Pode ser, mas a pergunta continua: qual o fundamento desse exclusivismo?”
Muitas coisas ocorrem a quem lê tais afirmativas. Primeiramente, ele admite que talvez não seja católico – “pode ser, mas a pergunta continua”. De outro lado, vemos que está disposto a deixar de ser católico por não saber responder a si mesmo a razão de a Igreja ser verdadeira e seus inimigos, falsos. Um católico assim é de fato um ser muito estranho.
Mas como condenar nosso pobre leitor, que é um fruto maduro do CVII? Como condenar seu protestantismo que já aparece bem nítido, quando tudo isso era previsível já logo depois do Concílio? De fato, os cardeais Ottaviani e Bacci escreveram ao Papa Paulo VI, dizendo sobre a nova liturgia (Novus Ordo): “Quiseram passar uma esponja em toda a teologia da Missa. Terminou como algo muito próximo da teologia protestante que destruiu o sacrifício da Missa”. Vários eminentes teólogos e observadores protestantes comemoravam o Concílio como uma capitulação da Igreja ao protestantismo, como o fim da era tridentina, como a negação do Concílio de Trento. Michael Davies cita vários destes depoimentos em seu livro “Pope John’s Council”. Por exemplo, Oscar Cullman, importante teólogo suíço, declarou: “As esperanças dos protestantes com relação ao Vaticano II não só foram cumpridas, mas as realizações do Concílio foram muito além do que se acreditava possível”.
Quem frequenta as missas modernas e principalmente lê o folheto O DOMINGO, tem uma grande chance de se tornar protestante, ou algo parecido ao leitor Ricardo. Sugiro a todos que lêem meus comentários a este famigerado folheto nos links aqui do lado direto. Daí vem a segunda forte impressão das frases inicias do comentário do Ricardo: o que ele pensará da Sagrada Comunhão? Como ele a recebe, todas as vezes que ele comunga? Será que ele relativiza a Eucaristia da mesma forma que ele relativiza a verdade? É muito possível que sim. Mas, de novo, como condená-lo? Como condená-lo, quando os próprios padres não respeitam a Presença Real na Hóstia Consagrada? Como condená-lo, se todos recebem a Comunhão na mão?
A situação terrível em que se encontra o leitor Ricardo é a da maioria dos católicos de hoje. É a situação terrível da crise monumental da Igreja. Neste ambiente, de que adianta dizer ao Ricardo que a Igreja é o único verdadeiro depósito da Fé, em contraposição com as mais de 30.000 denominações protestantes espalhadas pelo mundo? De que adianta dizer-lhe que a Presença Real, assim como todos os outros Sacramentos, está SOMENTE, na Santa Igreja Católica? Os católicos já não têm capacidade de acreditar, não na Igreja, não no Poder das Chaves, mas que existe verdade. Pois a mais poderosa arma contra o catolicismo não é a destruição da Fé em si, mas a destruição da Razão. Com a destruição da Razão, que foi promovida pelo Racionalismo, filho da Reforma, destruiu-se, na mente de todos, o conceito de Verdade. Sem este conceito, não há como ascender do imanente ao transcendente, da matéria ao espírito, do natural ao sobrenatural. O homem é assim desligado de sua essência transcendente e então, só então, todas as religiões podem ser comparáveis.
Quem tem a razão destruída pelo racionalismo não percebe as mínimas contradições lógicas das várias doutrinas e é incapaz de contemplar com admiração a extraordinária coesão lógica do edifício da Igreja Católica Apostólica Romana. Por exemplo, o leitor cita, de passagem, a doutrina da “sola scriptura”. Esta doutrina é logicamente auto-contraditória. Alguém que afirme que só acredita doutrinariamente no que está literalmente dito na Bíblia e em nada mais, desconhecendo como ilegítimo tudo o que a Tradição da Igreja declara, não percebe que para fazer isto sem contradição, seria preciso que a doutrina da “sola scriptura” estivesse expressa literalmente na Bíblia, o que não é verdade. Ou seja, ele acredita, em termos doutrinários, em algo externo à Bíblia, o que contraria sua afirmação inicial. Não é surpresa que o racionalismo trouxe uma era de misticismo irracional sem precedentes. Todas as mais loucas crenças orientais e também ocidentais invadiram nossa civilização, depois do ataque do racionalismo.
A confusão mental que se instalou transparece claramente no comentário do leitor, que depois de fazer uma quase declaração protestante, critica, ao final de seu comentário, os modernistas e liberais católicos, não percebendo que o modernismo (se é que ele está falando de modernismo na concepção de São Pio X) entrou na Igreja justamente por meio daqueles que subscreviam a heresia protestante, via doutrina do liberalismo. Ele não percebe que é MODERNISTA, até a medula.
Que dizer ao leitor, exceto sugerir-lhe que reze a Nossa Senhora para que ela lhe ilumine com a Graça da Santíssima Trindade, que cuide para que sua Razão não seja tragada pelo liberalismo protestante, que cuide para que sua Fé não seja destruída pelos padres modernistas e pela Missa Nova, para que ele perceba que antes de doutrina, antes de teoria, o catolicismo é uma PRESENÇA, que se atualiza em cada HÓSTIA SAGRADA e que garante que a Igreja Católica é a ÚNICA verdadeira, por onde, através dos Sacramentos, flui a graça de Deus?
segunda-feira, outubro 18, 2010
Frutos do Concílio Vaticano II
Nota do blog – vai abaixo um texto que embrulha o estômago. Foi postado, como comentário no FratresInUnum, por Cândido. Quem poderia imaginar, há quatro décadas, que teríamos um porta-voz do demônio como pároco da Santa Igreja Católica, usando de tanta loquacidade abjeta. Finalmente vemos à luz do dia o resultado da ambigüidade do texto conciliar, do espírito do concílio e, finalmente, da apropriação da Igreja por hordas de padres e bispos hereges. Termos de ler um padre usar a expressão efeminada “Que tiririquice!” é demais. Proponho a todos os católicos que conseguirem chegar ao final do texto, que façamos uma penitência para desagravar o Coração Imaculado de Maria e o Sagrado Coração de Jesus de tantas ofensas.
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ABORTANDO A ELEIÇÃO
* Por Padre Otto Dana, via Blog do Luís Nassif
Brasileiros e brasileiras! O capeta está solto! Empunhemos nossos terços e Bíblias e até Alcorões, se os houver! Herodes brande a espada afiada contra as criancinhas do Brasil! Ergamos a fogueira! Queimemos os hereges! O aborto e os gays estão espreitando pela janela!
Gente do céu! Que tiririquice! Que babaquice mais que medieval. Que onda inquisitorial graçando em pleno século XXI. A caça às bruxas. O extermínio dos veados. Cruz, credo! Xô Satanás! Estamos apenas tentando eleger um Presidente para o Brasil. Estamos discutindo propostas e projetos para uma boa administração do Brasil. Aborto, gueisismo, pílula, camisinha não é prioridade do momento.
O processo eleitoral corria tranquilo, dentro dos princípios democráticos: discute-aqui- denucia-ali, promete-isso, condena-aquilo, tudo numa boa. De repente a serenidade é detonada por uma horda de aiatolás, talibãs, mulás, numa gritaria ensurdecedora contra os que ameaçam o poder do Altíssimo.
Alguns vestidos de batina (ainda!), outros de mitra e báculo, outros de terno e gravata ostentando Bíblias, todos ecumenicamente de dedo em riste acusador: “ela é a favor do aborto, ele apóia o casamento homem-com-homem, mulher-com-mulher, os dois defendem a distribuição de camisinhas até para as crianças da escola.
Deus do céu! Que atraso! Que tiririquice! Pra começar, arbitrar sobre aborto e formas de casamento é da competência do Congresso Nacional e não do Presidente da República, que apenas sanciona ou veta a disposição do Congresso. Além do mais, aborto e casamento gay nem estão em pauta de discussão, hoje.
Mais importante e pertinente agora é ouvir dos candidatos suas propostas e projetos concretos quanto à saúde, educação de qualidade, distribuição de renda, segurança da população, criação de empregos, formas de apropriação ou não do Estado, relações diplomáticas e econômicas com outros países, transporte, saneamento básico, liberdade de imprensa, desenvolvimento do país, programas sociais, etc., etc.
E mais: estamos num país democrático, regido por uma Constituição Civil e não pelas tábuas da lei de Moisés. É um país democrático e laico e não teocrático, apesar de supostamente religioso. Sua capital é Brasília e não o Vaticano, nem a Canção Nova, nem a sede da Assembléia de Deus, nem a CNBB.
Tentar manipular a consciência do eleitor, ameaçando-o com a ira de Deus é injuriar o próprio Deus que nos criou livres. O dia em que o povo tiver que consultar um aiatolá de plantão tipo Pastor Silas Malafaia, ou um Padre José Augusto (Canção Nova) para votar, é melhor rasgar o título de eleitor e o estatuto da maioridade civil. O que vem se praticando em meios religiosos no momento, é o aborto da eleição, da democracia, da Constituição e do bom senso. Xô Satanás!
* Padre Otto Dana é Pároco da Igreja Sant´Ana em Rio Claro – São Paulo (Diocese de Piracicaba – SP). Seu e-mail é otto.dana@gmail.com
sexta-feira, julho 16, 2010
Os Frutos do Concílio Vaticano II, segundo Monsenhor Gherardini
Nota: Monsenhor Gherardini escreveu no ano passado um livro sobre o CVII. Abaixo vemos um resumo dele, o melhor que eu conheço, sobre os frutos do CVII, através dos quais Nosso Senhor nos ensinou a avaliar a “árvore”. Gherardini contrapõe o que é a Tradição e o que está sendo praticado hoje na Igreja. É bom que se diga que Gherardini não faz parte da FSSPX.
1. Uma formação sacerdotal que encontrou seus princípios na Tradição eclesiástica e nos valores sobrenaturais da Revelação divina, frente a uma formação sacerdotal aberta ao horizonte flutuante de uma cultura em perpétuo estado de devir.
2. Uma liturgia que certamente tem um ponto forte na Missa dita tradicional, frente a uma liturgia antropocêntrica e sociológica [a do Novus Ordo da missa], na qual o coletivo prevalece sobre o valor do individual, a oração ignora o aspecto latrêutico, a assembléia torna-se o ator principal e Deus dá lugar ao homem.
3. Uma liberdade que faz sua “libertação” depender do Decálogo, dos mandamentos da Igreja, das obrigações do dever de estado e do dever de conhecer, amar e servir a Deus, frente a uma liberdade que coloca todas as formas de culto em pé de igualdade, silencia a respeito da lei de Deus, desobriga os indivíduos e a sociedade sobre domínios éticos e religiosos e deixa a solução de todos os problemas exclusivamente à consciência.
4. Uma teologia que reúne seu conteúodo de fontes específicas (Revelação, Magistério, Patrística, Liturgia), frente a uma teologia que abre bem os seus braços, dia após dia, às emergências culturais do momento, mesmo àquelas que claramente contradizem as fontes recém mencionadas.
5. Uma soteriologia (nota do editor: estudo da obra da salvação) estreitamente unida à pessoa e à obra redentora do Verbo Encarnado, à ação do Espírito Santo, intimamente ligada à aplicação dos méritos do Redentor, à intervenção sacramental da Igreja e à cooperação dos fiéis batizados, frente a uma soteriologia que considera a unidade do gênero humano como conseqüência da Encarnação do Verbo, em quem (cf. GS 22) cada homem encontra sua própria identificação.
6. Uma eclesiologia que identifica a Igreja com o Corpo Místico de Cristo e reconhece em Sua presença sacramental o segredo vital do ser e do agir eclesial, frente a uma eclesiologia que considera a Igreja Católica como um componente, entre outros, da Igreja de Cristo, e que, nessa fantasmagórica Igreja de Cristo, adormece o espírito missionário, dialoga mas não evangeliza, e acima de tudo, renuncia o proselitismo como se fosse um pecado mortal.
7. Um Sacrifício expiatório da Missa, que celebra os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Cristo, representando sacramentalmente a redenção satisfatória, frente a uma Missa na qual o padre é apenas um presidente e todos tomam uma parte “ativa” no sacramento, graças ao fato de que a fé não é encontrada em Deus que Se revela, mas numa resposta existencial feita a Deus que nos interpela.
8. Um Magistério consciente de ter o múnus de guardar o sagrado depósito da Revelação divina com o dever de interpretá-lo e transmiti-lo às gerações futuras, frente a um Magistério Papal que, longe de se sentir a voz da Igreja docente, sujeita a própria Igreja ao colégio dos bispos, dotado dos mesmos direitos e deveres do Romano Pontífice.
9. Uma religiosidade que compreende a vocação comum ao serviço de Deus e, por amor a Ele, o serviço aos irmãos na humanidade, frente a uma religiosidade que inverte essa ordem natural, faz do homem seu centro e, se não em teoria, ao menos na prática, coloca-o em lugar de Deus.
“Do que acaba de ser dito, pode-se facilmente deduzir como a Fraternidade São Pio X compreende a Tradição. Realmente, a Tradição é exatamente o que a Fraternidade não nega ou se opõe. Diretamente ou nas entrelinhas, a Fraternidade rejeita as inovações dos documentos do Concílio e suas aplicações pós-conciliares, e permanece em oposição ao uso selvagem que tão casualmente foi feito deles.”
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Lições das missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XXVIII
Comento aqui o artigo do Sr. Domingos Zamagna intitulado “Catequese e Ecumenismo”, n’O DOMINGO de 27/09/2009.
Este artigo é muito explícito em pontos que foram apenas anunciados nos artigos anteriores. O que o Sr. Zamagna prega é má doutrina. Não é má doutrina segundo minha opinião, que, neste caso, merece tanta atenção quanto à do próprio articulista. É má doutrina segundo a verdadeira e tradicional Doutrina Católica.
Já no início do artigo, o Sr. Zamagna, citando um grande pensador do século XX, que ele não declina o nome, diz que esse século foi o século do ateísmo e do ecumenismo. Cita na maior inocência sem se dar conta de que este é causa daquele. O ecumenismo leva à apostasia e depois ao ateísmo. Se algum indivíduo minimamente inteligente acredita que em todas as religiões há meios de salvação, logo ele se desvincula da Igreja e procura algum culto que lhe seja menos exigente. De religião em religião, passando pelas religiões orientais, que não são outra coisa senão um materialismo disfarçado, ele chega facilmente ao cientificismo rasteiro, alardeado incessantemente pela mídia, e daí ao ateísmo. Isto é a conclusão lógica do ecumenismo. Ele começa negando que a Verdade esteja somente na Igreja Católica e acaba negando que exista Verdade. Este é o caminho da grande apostasia que existe hoje na Igreja.
Na sua inocência ou inconsciência, o Sr. Zamagna declara sua esperança de que o século XXI seja o século de um “reavivamento da fé e um incremento do movimento ecumênico”. Uma coisa não leva à outra, pois se estamos falando da Fé, aquela cujo depósito se encontra única e exclusivamente com a Igreja Católica, é claro que seu reavivamento significará um decremento do “movimento ecumênico”. Feliz expressão “movimento ecumênico”! Ela desnuda exatamente o que é o ecumenismo: um movimento. Como o foi, e ainda o é, o movimento comunista, o movimento fascista, o movimento ambientalista, etc. Colocamos assim o ecumenismo com seus irmãos siameses. São movimentos políticos, ao estilo de Judas Iscariotes. São heresias, no sentido em que elas são entendidas pela tradição católica.
Chama a atenção do leitor a seguinte frase do Sr. Zamagna: “a busca da unidade entre os cristãos, certamente um movimento moderno inspirado pelo Espírito Santo ...” Meu Deus! Esses pregadores pós CVII consideram que o primeiro papa foi João XXIII. Quando é que a Igreja desistiu de converter os hereges? Quando é que a Igreja deixou de rezar pela conversão dos hereges? Quando é que pregadores do talante de São Francisco de Sales deixaram de pregar aos protestantes com o intuito de sua conversão? O que é novo, e o que não é em absoluto inspirado pelo Espírito Santo, é a idéia herética de que a união dos cristãos seja feita, não a partir da conversão à Igreja Católica, mas a partir da conversão dos católicos a uma religião comum, que contenha elementos comuns aos dois (ou três, quatro, etc.) lados. Chesterton chamava esta religião de “Religião da Irmandade Universal”, cujo fundamento seria o que ele chama de “Fé Progressista”. E com quem irmanaríamos? Quem seriam nossos irmãos nesta ampla e progressista religião? Chesterton nos diz: “O deão da Catedral de São Paulo [da Igreja Anglicana] que se permite alegremente chamar a Igreja Católica de uma corporação traidora e sangrenta; o Sr. H.G. Wells que se permite comparar a Santíssima Trindade a uma dança indigna; o Bispo de Birmingham [bispo da Igreja Anglicana] que se permite comparar o Santíssimo Sacramento a uma bárbara festa de sangue.”
Diz ainda, perigosamente, o Sr. Zamagna: “A Igreja sempre nos ensinou que permanece nela a plenitude das verdades reveladas e dos meios de salvação instituídos por Jesus Cristo; mas essa convicção deve ser acolhida com humildade e no respeito às demais religiões ...” É-me impossível não lembrar novamente de Chesterton. Diz este escritor em sua obra-prima Ortodoxia: “O mundo moderno está repleto de antigas virtudes cristãs que enlouqueceram. Essas virtudes enlouqueceram porque ficaram isoladas umas das outras e vagueiam por aí sozinhas. (...) Acontece, porém, que a humildade está no lugar errado. A modéstia afastou-se do órgão da ambição e estabeleceu-se no órgão da convicção, onde nunca deveria estar. O homem podia duvidar de si, mas não duvidava da verdade. Agora se dá exatamente o contrário.” A convicção do Sr. Zamagna é humilde, pois ele relativiza a verdade, e sua ambição monstruosa: nada mais do que fundar a “Religião da Irmandade Universal”.
No final do artigo, o Sr. Zamagna declara sua concepção de catequese: “Daí a importância de, ao lado da exposição correta da fé cristã e católica, fazermos também verdadeira exposição sobre as outras religiões, sem caricaturas.” Note a expressão “fé cristã e católica”! Que significa isto? Há uma fé cristã e outra católica? Ora! se existe de início tal dúvida, como catequizar alguém? Além disso, o Sr. Zamagna está confundindo catecismo com estudo comparado de religiões.
Mas o articulista continua: “Essa mesma lealdade devemos esperar de quem não professa nenhuma crença ou segue uma religião diferente da nossa, o que não nos impede de valorizar os pontos de convergência doutrinária e ultrapassar as barreiras do preconceito para realizarmos a prática comum da justiça e do amor.” Este é um exemplo prático da humildade enlouquecida, da humildade localizada no “órgão da convicção”. A religião do Sr. Zamagna é aquela que é tão ampla que inclui, não só os inimigos declarados da Fé Católica, mas até os ateus. Inclui não só o deão da Catedral de São Paulo ou o Bispo de Birmingham, mas também H.G. Wells. Catequese para ele é a pregação do vale tudo doutrinário, do quem quiser pode entrar, do amor à criatura e não ao Criador.
1. Para fazer DOWNLOAD DO LIVRO com os primeiros 28 posts sobre a Missa de Paulo VI (e algumas coisas mais) clique aqui.
2. Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte XX, Parte XXI, Parte XXII, Parte XXIII, Parte XXIV, A dissolução da catequese: Romano Amério conta como foi, Parte XXV, Parte XXVI, Parte XXVII
quinta-feira, novembro 12, 2009
Lições das missas dominicais pós-Vaticano II - Parte XXVII
Comento aqui o artigo do Sr. Domingos Zamagna intitulado “A Renovação da Catequese”, n’O DOMINGO de 20/09/2009.
O Sr. Zamagna começa seu artigo atacando a “mera repetição” no ensino catequético: “Repetição nunca foi sinal ou prova de ortodoxia. Noutras palavras, quem quiser ser fiel à Igreja não precisa ficar o tempo todo repetindo frases da Bíblia, fórmulas dos concílios, expressões dos santos Padres, das autoridades, dos teólogos. O que representa conquista da teologia, da catequese, da liturgia, da história, da espiritualidade etc. merece ser conhecido, estudado, respeitado. Mas o que adianta mera repetição?”
A fala do Sr. Zamagna, não sei se ele próprio sabe disto, vem diretamente do Sínodo dos Bispos de 1977. Este sínodo não só apoiou fortemente uma variedade de catecismos, em contraposição a um único e universal catecismo da Igreja, como também atacou fortemente o método tradicional de memorização das fórmulas da Fé.
Romano Amério diz o seguinte em Iota Unum.
“A forma de pergunta e resposta foi adotada pela Conferência Episcopal Alemã em seu catecismo, mas foi rejeitada pela maioria dos bispos no sínodo de 1977. Este método é bem adaptado à forma didática, ao invés de heurística, da catequese católica, que responde diretamente com a verdade, e não formula perguntas com a pressuposição metodológica que suas respostas possam ser duvidosas. Mesmo no método socrático, tão a gosto dos oponentes da tradição, é Sócrates quem conhece a verdade, e o discípulo o sujeito a quem ela é descrita.
“A memorização é desprezada e desdenhada pelos teóricos modernos da educação como mera repetição sem sentido, quando ela é, na verdade, a fundação de toda cultura, como os antigos mostraram através de Minemósine (memória), a mãe das Musas [deusas do canto e da memória]. A memorização é muito adequada à catequese, desde que seja considerada como uma comunicação de conhecimento e não uma atividade social. Para um bispo do Equador, ‘catequese consiste não tanto no que é ouvido, mas no que é visto na pessoa que catequisa’. Isto faz a verdade percebida pelo intelecto menos importante que a experiência pessoal do discípulo, e vincula o entendimento do Evangelho à excelência de seu pregador em vez de aos seus próprios méritos”.
Assim, desprezar a memorização das verdades de fé e considerá-la “mera repetição” no ensino catequético foi um dos pilares do que Amério chama de “dissolução da catequese”.
Se na catequese as verdades em si ficam em segundo plano, aí o Sr. Zamagna tem razão em dizer: “A catequese, por isso, deve se renovar, alargar seu próprio conteúdo, descobrir novas metodologias, utilizar tecnologias contemporâneas, beneficiar-se dos avanços das ciências da comunicação, servir-se dos conceitos e imagens compreensíveis pelas crianças, pelos jovens e pelas famílias de hoje.”
O que vale são as metodologias, as tecnologias contemporâneas, em síntese, o show. Quando ao conteúdo, notem bem, quanto ao conteúdo catequético que é o fundamento da Fé, bem, este pode ser até “alargado”. Ou seja, para o Sr. Zamagna, não basta a Revelação. Ele quer alargá-la. Não basta o Antigo e o Novo testamentos e a Tradição da Igreja, deve haver um alargamento de conteúdo.
Fico imaginando se o Sr. Zamagna estará incluindo neste alargamento os “ensinamentos” do Pe. Fábio de Melo sobre a não-presença de Cristo na Eucaristia e sobre a impossibilidade da prova da existência de Deus. Quem sabe o Sr. Zamagna não está tentando alargar a Suma Teológica de Santo Tomás, ou o Catecismo Romano, do Concílio de Trento?
O Sr. Zamagna ainda nos fala do “aggiornare” do Papa João XXIII. Diz ele que, entre outras coisas, este verbo significa “tornar a mensagem cristã compreendida pelo homem moderno”. Lembro, a propósito, de uma crônica de Nelson Rodrigues em que ele comenta uma entrevista do então jovem ator Paulo José, sobre as inovações da Igreja, introduzidas pelo CVII. Ele falou tanta besteira que Nelson pergunta estupefato (cito de memória): “Será que este menino não tem algum amigo ou parente para ensiná-lo que a Igreja tem quase 2000 anos de idade, que ela não nasceu agora?” Esta é a pergunta que faço em relação ao Sr. Zamagna. Será que ele acha que a Igreja converteu o Império Romano falando uma linguagem que ninguém entendia? Será que ele acha que a Igreja converteu os bárbaros que invadiram o Império falando grego, literalmente? Será que ele pensa que nestes dois casos a Igreja deixou de ensinar as verdades de fé para adaptar-se ao mundo moderno de então? Para adaptar-se ao paganismo romano ou ao barbarismo dos povos invasores?
Uma coisa é falar de forma compreensível a cada época e lugar sobre as Verdades Eternas e outra, bem diferente, é falar sobre as mentiras e meias-verdades que cada época ou lugar deseja considerar como verdades.
Catequese não é show-business. Ensinar catequese não é conformar as Verdades Eternas às modas passageiras.
Termino aqui com um trecho da ACERBO NIMIS, do Papa São Pio X: “Esta afinal, e não outra, é a tarefa do catequista: tratar de uma verdade de fé ou de moral cristão e explicá-la em cada uma de suas partes; e porque o objetivo do ensinamento é sempre a reforma da vida, é necessário que ele faça um confronto entre o que de nós exige o Senhor e o que de fato se opera; então, por meio de exemplos oportunos, extraídos sapientemente das Sagradas Escrituras, da História eclesiástica ou das vidas dos santos, persuadir e com que aditar como se devam conformar os costumes; e concluir com exortação eficaz, a fim de que os ouvintes sejam levados a detestar e fugir do vício e a exercitar a virtude.”
1. Para fazer DOWNLOAD DO LIVRO com os primeiros 19 posts sobre a Missa de Paulo VI (e algumas coisas mais) clique aqui.
2. Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte XX, ParteXXI, ParteXXII, ParteXXIII, Parte XXIV, A dissolução da catequese: Romano Amério conta como foi, Parte XXV, Parte XXVI.