Mostrando postagens com marcador A Vida dos Santos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A Vida dos Santos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, novembro 02, 2011

Festas dos Santos de novembro

Dia           Santo

1       Festa de Todos os Santos
2       Dia de Finados
3       Santo Umberto, Bispo
4       São Carlos Borromeu, Bispo
5       Santa Bertila, Abadessa
6       São Leonardo, Eremita
7       Santo Engelberto, Arcebispo
8      São Godofredo, Bispo
9      São Teodoro, Mártir
10    Santo André Avelino
11    São Martinho, Bispo de Tours
12    Santo Homobonus
        São Martinho I, Papa e Mártir
13    Santo Estanislau Kostka
        S. Diogo, Confessor
14    S. Josafá, Bispo e Mártir
15    Santo Alberto Magno, Doutor da Igreja
        São Leopoldo da Áustria
16    Santa Gertrudes
        Santo Edmundo
17    São Gregório, o Taumaturgo
18    São Dionísio, Bispo
19    Santa Isabel da Turingia
20    São Félix de Valois
21    Apresentação de Nossa Senhora
22    Santa Cecília, Mártir
23    São Clemente, Papa e Mártir
24    São João da Cruz, Carmelita e Doutor da Igreja
25    Santa Catarina de Alexandria, Virgem e Mártir
26    São Pedro de Alexandria
27    São Tiago, o Mutilado, Mártir
28    São Leonardo de Porto Maurício, O. F. M.
29    São Saturnino, Mártir
30    Santo André, Apóstolo

terça-feira, novembro 01, 2011

Festa de Todos os Santos

Pe. João Batista Lehmann
Na Luz Perpétua


A Festa de Todos os Santos é uma das mais importantes do ano eclesiástico. É por assim dizer a festa da família da Igreja. Ela, a mãe dos fiéis, veste gala e entoa cânticos de alegria: “regozijemo-nos no Senhor, hoje, por causa da festa de Todos os Santos”, é o convite que faz no Introito da Missa. O ofício desta festa principia com as palavras: “Adoremos ao Rei, ao Senhor dos senhores, que é a coroa de Todos os Santos”. O dia de Todos os Santos convida-nos para lançarmos um olhar às magníficas habitações celestes e contemplarmos as multidões dos Santos, aqueles benditos do Pai, que se acham no reino que lhes foi preparado desde o princípio dos tempos. (Mt. 25,334). “Tédio tenho da terra, quando olho para o céu”, dizia Santo Inácio de Loiola. Não há espetáculo aqui na terra, por mais belo, por mais atraente que seja, que se possa comparar com a magnificência do céu, que hoje se abre à nossa vista. Um dia nos tabernáculos do Senhor, vale mais que mil dias nas tendas dos pecadores. Os nossos olhos encantados vêm os anciãos levantar-se dos tronos e depositar as coroas aos pés do Cordeiro. Exércitos intérminos de Anjos e Arcanjos rodeiam o trono do Altíssimo e entoam cânticos de louvor e de adoração, de uma beleza tal, como os nossos ouvidos jamais perceberam iguais aqui na terra. Milhares e milhares de Santos de todos os povos, de todas as nações, aparecem em vestes imaculadas, com palmas nas mãos e, dobrando os joelhos diante do trono do Altíssimo, em profunda adoração, exclamam: “Assim seja! Louvor e glória, sabedoria e ação de graças, honra e poder... ao nosso Deus em todos os séculos.”

É o grande banquete que o Filho do Rei preparou para os eleitos. Hoje o vemos rodeado dos filhos. Pois todos são filhos, regatados pelo preço do seu sangue. Todos são herdeiros, chamados para com ele reinarem eternamente.

Hoje os vemos na glória, fulgurantes como as estrelas do céu.

A pátria orgulha-se dos seus filhos, dos grandes políticos, dos gloriosos generais, dos imortais cientistas, poetas e artistas. Com justo entusiasmo lhe declina os nomes, e ergue monumentos de granito e bronze à sua memória. À mocidade são apresentados como modelos, dignos de imitação. A Igreja, com muito mais razão que a pátria, se orgulha dos seus filhos, não porque foram grandes só na vida, mas porque receberam o prêmio da vitória, não de mãos humanas, mas das próprias mãos de Deus, e gozam de uma felicidade, que poder nenhum lhes pode arrebatar.

São João Evangelista, a quem foi dado ver a glória do céu, disse: “Eu vi uma grande multidão de todos os povos.” Não compartilharmos da felicidade invejável de S. João, mas com os olhos da fé podemos ver muita coisa que nos encanta, que nos consola e anima. As multidões, que se nos apresentam, quem são? São as almas glorificadas de homens, que, como nós, aqui lutaram e sofreram. A fé apresenta-nos os Santos todos como nossos irmãos, como membros da mesma família, à qual todos nós pertencemos. Como membros desta família, devemo-nos encher de alegria e congratular-nos como os nossos irmãos, que já venceram o mundo, a carne e o demônio, e se acham no lugar onde não há mais lágrimas, tristezas e dor.

Não é só a alegria de que se enche nossa alma: a lembrança do doce mistério da comunhão dos Santos dá-nos coragem e ânimo, para continuar sem desfalecimento na luta, que nos acompanha até a morte. Se a nossa consciência nos dá o consolo de uma vida pura, felizes de nós, porque o lugar nos fica reservado, entre as gloriosas virgens, para cantar a glória do Cordeiro. Se, porém, penosamente nos arrastamos pelo caminho da dor, do arrependimento e da penitência, Santos há, nossos irmãos, que nos acenam animadamente e vem-nos à memória a bela palavra de Santo Agostinho: o que ele conseguiram, será para mim coisa impossível? Os Santos e justos regojizam-se ao verem seus modelos e protótipos como seja: S. João Evangelista, as Santas Inês, Cecília, Catarina, S. Luiz Gonzaga, S. João Berchmans e outros, ao passo que os pobres pecadores se animam e se consolam, vendo as figuras dos grandes penitentes: S. Davi, Santa Maria Madalena, O Bom Ladrão, Santo Agostinho e milhares de outros.

Os Santos orientam-nos na penosa viagem ao céu. Não desdizendo a palavra de Jesus Cristo: “o reino dos céus padece força”, indicam-nos os meios que devemos aplicar para chegar ao porto da salvação. São os mesmos que eles usaram, a saber: a observação dos mandamentos da lei de Deus, a observação da lei da caridade para com o próximo, os mandamentos da lei da Igreja, trabalho, oração, sofrimentos e mortificação. “Tende coragem!” – assim os ouvimos dizer – “o céu é vosso, o céu está perto, vos está garantido.”

Desta maneira, a festa de Todos os Santos é para nós um dia de alegria, de consolo e de animação. Os Santos foram o que somos: lutadores e muitos entre eles, pecadores. Seremos o que eles são: “Benditos do Pai.” Guardemos a esperança dos céus. “Quem tem esta esperança, santifica-se.” (Jo. 3,3) “Creio na vida eterna.” Na luta, na dor, no desanimo e na tribulação, lembremo-nos da glória que nos espera. Daqui há pouco tudo está acabado e poderemos praticamente, em nós mesmos, experimentar a verdade da palavra de São Paulo, quando disse: “olho algum viu, ouvido algum ouviu, nem jamais veio à mente do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam.” (1Cor. 2,9)

quarta-feira, outubro 19, 2011

Hoje é dia de São Pedro de Alcântara, o Padroeiro do Brasil.

São Pedro de Alcântara foi confirmado Padroeiro do Brasil, por solicitação de D. Pedro I, pelo Papa Leão XII, em 31 de maio de 1826.

A oração ao nosso padroeiro, que constava dos Missais até a década de 1940, é a seguinte:

Ó grande amante da Cruz e servo fiel do divino Crucificado, São Pedro de Alcântara; à vossa poderosa proteção foi confiada a nossa querida Pátria brasileira com todos os seus habitantes.

Como varão de admirável penitência e altíssima contemplação, alcançai aos vossos devotos estes dons tão necessários à salvação.

Livrai o Brasil dos flagelos da peste, fome e guerra e de todo mal. Restituí à Terra de Santa Cruz a união da fé e o verdadeiro fervor nas práticas da religião.

De modo particular, vos recomendamos, excelso Padroeiro do Brasil, aqueles que nos foram dados por guias e mestres: os padres e religiosos.

Implorai numerosas e boas vocações para o nosso país.

 Inspirai aos pais de família uma santa reverência a fim de educarem os filhos no temor de Deus não se negando a dar ao altar o filho que Nosso Senhor escolher para seu sagrado ministério.

Assisti, ó grande reformador da vida religiosa, aos sacerdotes e missionários nos múltiplos perigos de que esta vida está repleta.

Conseguí-lhes a graça da perseverança na sublime vocação e na árdua tarefa que por vontade divina assumiram.

Lá dos céus onde triunfais, abençoai aos milhares de vossos protegidos e fazei-nos um dia cantar convosco a glória de Deus na bem-aventurança eterna. Assim seja.

É forçoso querido Padroeiro, que adicionemos mais uma súplica a esta bela oração: Livrai o Brasil dos flagelos do comunismo e do abortismo.

O que vai abaixo é a tradução do blog da vida de São Pedro de Alcântara escrita por Pe. Alban Butler, um dos grandes hagiólogos de todos os tempos, de quem o blog já traduziu a vida de São José. Butler escreveu a vida dos santos em doze volumes que foram publicados entre 1779-1780, obra que é considerada uma reprodução resumida, mas fiel, da famosa Acta Sanctorum.

A Oratio da Missa Tridentina de 19 de outubro, dedicada a este santo reza:

Ó Deus, que fizestes brilhar S. Pedro, vosso Confessor, com os Dons de uma admirável penitência e de uma contemplação sublime, permiti, Vos pedimos, que, auxiliados com os seus méritos, e mortificando a nossa carne, obtenhamos mais facilmente os bens celestiais.

Com a palavra, Pe. Butler.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós!

Hoje é dia de Santa Margarida. Fiz um vídeo sobre sua vida e mensagens recebidas de Nosso Senhor que espero seja útil a todos. Repito aqui as palavras da Coleta da Missa Tridentina de hoje, 17 de outubro:

Senhor Jesus Cristo, que Vos dignastes revelar à bem-aventurada Margarida Maria as insondáveis riquezas do vosso Coração, fazei por seus merecimentos que, amando-Vos, a seu exemplo, em tudo e sobre todas as coisas, mereçamos ter morada para sempre no vosso divino Coração. Vós que viveis e reinais.




quinta-feira, setembro 29, 2011

A VIDA LENDÁRIA DE SÃO DIMAS


Contam antigas lendas que a Sagrada Família, ao fugir para o Egito, quis refugiar-se, para passar a noite numa cova que, por desgraça, era uma guarida de ladrões.

O Capitão dos bandidos sentiu-se comovido ao ver a venerável bondade de S. José, a pureza e formosura da SS. Virgem e o olhar todo celeste do Menino Jesus. Acolheu-os, deu-lhes de comer e, na manhã seguinte, ofereceu-lhes pão para a viagem e, a Maria, uma bacia d'água para banhar o Menino. O capitão tinha um filhinho, da idade de Jesus aproximadamente, que se achava coberto de lepra. Nossa Senhora, correspondendo as finezas daquele homem rude e duro, mas que algo de bom tinha no coração, aconselhou-o a lavar o filhinho na água em que banhara a Menino Jesus.

Assim o fez o bandoleiro e, no mesmo instante, seu filhinho ficou curado da lepra. O capitão lembrou muitas vezes ao filho a quem devia a saúde e a vida, dizendo: "Foi o milagre dum Menino de tua idade, que seria, quem sabe, o Messias anunciado pelos profetas".

Crescendo, seguiu aquele menino o exemplo do pai, tornando-se ladrão. Preso e condenado à morte, ao subir ao Calvário, ia pensando em Jesus, seu companheiro de suplício, que era tão santo e paciente, que, sem dúvida, havia de ser o Messias, aquele mesmo Menino que o livrara da lepra. As lendas dizem que o bom ladrão se chamava Dimas e o mau, Gestas. Ambos foram condenados a morrer junto com Jesus e no mesmo suplício.

Atrás de Jesus subiram ao Calvário, levando suas cruzes. Junto com Ele foram levantados nas respectivas cruzes. Viram como os soldados repartiram  entre si as vestes do Salvador;  mas, como a túnica era de uma só peça, tiraram a sorte a ver quem a levaria. Ouviram as palavras de Cristo: "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem".

Jesus era objeto de todos os insultos. A multidão, curiosa e soez, passava por diante d’Ele, e, movendo a cabeça em sinal de desprezo, dizia: "Vamos! tu que destróis o templo de Deus e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és o Filho de Deus, desce da cruz..."

Todos blasfemavam e insultavam a Jesus. Mas a graça operou um milagre: Um dos ladrões, Dimas, considerando as virtudes sobre-humanas de Jesus, creu ser ele o Messias prometido e amou de todo o coração a Bondade infinita. Dirigindo-se a Gestas, o outro crucificado, repreendeu-o, dizendo: “Como não temes a Deus, estando como estás no mesmo suplicio? E' justo, na verdade, que soframos por nossos crimes, mas Jesus, que mal fez Ele?”

E cheio de esperança e com grande arrependimento disse a Jesus: "Senhor, quando chegares ao Teu reino, lembra-Te de mim". Jesus, olhando Dimas com infinita misericórdia, respondeu: "Em verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no paraíso".

Naquela mesma noite, a alma de Jesus visitou o limbo dos justos e concedeu ao bom Ladrão a vista de Deus, a felicidade eterna.


domingo, setembro 18, 2011

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Estamos tendo a graça de fazermos, desde a primeira sexta-feira de setembro, a devoção das nove primeiras sextas-feiras do mês, com celebração da Missa Tridentina, aqui em Belo Horizonte. As celebrações acontecem na Capela do Colégio Monte Calvário, às 19h30, sendo que o padre atende confissões a partir das 19h. O endereço do colégio é Av. do Contorno, 9384 - Barro Preto (próximo ao Hospital Felício Rocho). Gostaria de convidar  a todos a seguir tal devoção, pois as promessas de Cristo são extraordinárias.

A mensageira do Nosso Senhor para as revelações relativas a esta devoção foi a extraordinária Santa Margarete (ou Margarida) Maria Alacoque, que na segunda metade do século XVII, no Mosteiro de Paray-le-Monial na França, mosteira da Congregação da Visitação, (fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal) tem visões de Nosso Senhor, durante as quais Ele lhe transmite a Sua mensagem ao mundo. Quem não conhece a história desta santa, pode conhecer um pouco dela assistindo o vídeo abaixo. Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós!

sábado, março 19, 2011

A vida de São José

Rev. Alban Butler (1711-73) – Vol. III – Março – A Vida dos Santos, 1866.

O GLORIOSO São José era descendente direto dos grandes reis da tribo de Judá, e dos mais ilustres patriarcas; mas sua verdadeira glória consistiu em sua humildade e virtude. A história de sua vida não foi escrita por homens, mas suas ações principais foram registradas pelo próprio Espírito Santo. Deus delegou-lhe a educação de seu divino Filho, manifestado na carne. Para este fim, ele esposou a Virgem Maria. É um erro evidente de alguns autores considerar que, de uma ex-mulher, ele fosse pai de São Tiago Menor, e de outros que nos evangelhos são referidos como irmãos do Senhor: pois havia apenas primos-primeiros de Cristo, os filhos de Maria, irmã da Virgem Santíssima, esposa de Alfeu, que ainda vivia no tempo da crucificação do Redentor. São Jerônimo assegura-nos[1] que São José sempre preservou sua castidade virginal; e é de fé que nada contrário a isto jamais ocorreu em relação à sua casta esposa, a Virgem Maria Santíssima. Ele lhe foi dado pelo céu para ser o protetor de sua castidade, para defendê-la de calúnias na ocasião do nascimento do Filho de Deus, e para assisti-la na educação d’Ele, em sua caminhada, fatigas e perseguições. Quão imensa foi a pureza e santidade daquele que foi escolhido como guardião da mais imaculada Virgem! Este homem santo parece ter desconhecido, por tempo considerável, o grande mistério da Encarnação, que fora nela forjado pelo Espírito Santo. Consciente, contudo, de seu próprio comportamento casto em relação a ela, era natural que uma grande preocupação surgisse em seu interior, ao descobrir que, não obstante a santidade do comportamento dela, com toda a certeza ela estava grávida. Mas sendo um homem justo, como as Escrituras o chamam, e conseqüentemente possuidor de todas as virtudes, especialmente a caridade e a mansidão em relação ao próximo, ele estava determinado a deixá-la em segredo, sem condená-la ou acusá-la, entregando tudo a Deus. Estas suas perfeitas disposições foram tão aceitáveis a Deus, o amante da justiça, caridade e paz, que antes que ele executasse o planejado, Ele enviou um anjo do céu, não para repreender qualquer coisa de sua santa conduta, mas para dissipar todas as suas dúvidas e temores, revelando-lhe o adorável mistério. Quão felizes seríamos se fossemos tão delicados em tudo que se relacionasse à reputação do próximo; tão livres de maus pensamentos ou suspeições, qualquer que fosse a certeza que fundamentasse nossas conjecturas ou nossos sentidos; tão controlados em usar nossa língua! Cometemos estas faltas somente porque, em nossos corações, somos desprovidos daquela verdadeira caridade e simplicidade da qual São José nos deu tão eminente exemplo naquela ocasião.

Podemos admirar em secreta contemplação, com que devoção, respeito e delicadeza ele contemplava e adorava o primeiro de todos os homens, o recém-nascido Salvador do mundo, e com que fidelidade ele se desincumbia de suas duas responsabilidades, a educação de Jesus e a guarda de sua santa mãe. “Ele foi verdadeiramente o servo fiel e prudente,” diz São Bernardo,[2] “a quem nosso Senhor nomeou para o chefe do lar, o conforto e apoio de Sua mãe, Seu padrasto, e o mais fiel colaborador na execução de seus mais profundos conselhos na terra.” “Que felicidade,” diz o mesmo padre, “não somente ver Jesus Cristo, mas também ouvi-Lo, carregá-Lo em seus braços, levá-Lo a lugares, abraçá-Lo e acariciá-Lo, alimentá-Lo, compartilhar todos os grandes segredos que eram ocultados dos príncipes deste mundo.”

“Oh, assombrosa elevação! Oh, incomparável dignidade!” clama o piedoso Gerson,[3] numa devota alocução a São José, “que a mãe de Deus, rainha dos céus, o chame de senhor; que o próprio Deus feito homem o chame de pai e obedeça suas ordens. Oh, gloriosa Tríade na terra, Jesus, Maria e José, que família mais querida à gloriosa Trindade nos céus, Pai, Filho e Espírito Santo! Nada é tão grande na terra, tão bom, tão excelente.” Em meio a estas graças extraordinárias, que coisa há mais maravilhosa que sua humildade! Ele oculta seus privilégios, vive como um homem obscuro, não escreve nada acerca dos grandes mistérios de Deus, não indaga mais nada sobre os mistérios de Deus, deixando a Deus a decisão de manifestá-los em Seu próprio tempo, procura cumprir a ordem da providência a seu respeito, sem interferir com qualquer coisa, exceto a que lhe diz respeito. Embora descendente da família real que tivera uma longa possessão do trono da Judéia, ele se contenta com sua condição de mecânico e artesão,[4] de cujo trabalho tira o sustento para manter a si próprio, a sua esposa e a seu divino filho.

Seríamos ingratos a este grande santo se não lembrássemos que é a ele, como instrumento de Deus, que devemos a preservação do menino Jesus do ciúme e da malícia de Herodes, manifestada na matança dos Inocentes. Um anjo, que lhe apareceu em sonho, ordenou-lhe que levantasse, tomasse o menino Jesus, fugisse com ele para o Egito e ficasse lá até que lhe fosse ordenado que voltasse. Esta repentina e inesperada fuga deve ter causado muitos inconvenientes e sofrimentos a José, numa viagem tão longa, com uma criança pequena e uma virgem delicada, grande parte do caminho sendo através de desertos e em meio a estranhos; mesmo assim, ele não alegou nenhuma desculpa, nada perguntando acerca do momento do retorno. S. Crisóstomo observa que Deus trata assim todos os seus servos, enviando-lhes freqüentes provas, para livrar seus corações da ferrugem do amor-próprio, mas entremeando períodos de consolação.[5] “José”, diz ele, “está ansioso ao ver a Virgem com o filho; um anjo remove o temor; ele regozija-se com o nascimento da criança, mas um grande temor sucede; o rei furioso procura destruir a criança e toda a cidade está em alvoroço para tirar sua vida. Isto é seguido por uma nova alegria, a adoração dos Magos: uma nova tristeza então surge; ele recebe a ordem de fugir para um país estrangeiro e desconhecido, sem auxílio ou alguém conhecido.” É a opinião dos Padres da Igreja, que com a presença do menino Jesus, todos os oráculos daquele país supersticioso ficaram mudos, e as estátuas de seus deuses estremeceram e, em muitos lugares, caíram por terra, de acordo com Isaías 19: E as estátuas egípcias estremecerão diante d’Ele.[6] Os Padres também atribuem a esta divina visita as graças derramadas naquele país, que fez dele, por muitos anos, um campo fértil de santos.[7]

Depois da morte do rei Herodes, que foi informada a São José por meio de uma visão, Deus ordenou-lhe o retorno, com a criança e a mãe, para a terra de Israel, ordem que nosso santo prontamente obedeceu. Mas quando ele chegou à Judéia, sabendo que Arquelau sucedera Herodes naquela parte do país, temendo que ele tivesse sido infectado pelos vícios de seu pai – crueldade e ambição – ele temeu, por isso, lá se estabelecer, como ele teria, de resto, feito, pelas facilidades de educação da criança. E assim, sendo orientado por Deus em nova visão, ele se fixou nos domínios do irmão de Arquelau, Herodes Antipas, na Galiléia, em sua residência anterior, em Nazaré, onde as maravilhosas ocorrências do nascimento de Nosso Senhor eram menos conhecidas. São José, sendo um austero observante da Lei Mosaica, em conformidade com ela, anualmente visitava Jerusalém para celebrar a páscoa. Arquelau, tendo sido banido por Augusto, e a Judéia tendo se tornado uma província romana, José não tinha, agora, nada a temer em Jerusalém. Nosso Salvador, tendo completado doze anos de idade, acompanhou seus pais até lá; os quais, tendo realizado as cerimônias usuais da celebração, estavam agora retornando, com muitos de seus vizinhos e conhecidos, para a Galiléia. Sem nunca duvidarem que Jesus se unira ao grupo com algum amigo, viajaram durante todo dia sem procurar por Ele, antes que descobrissem que Ele não viajara com eles. Mas quando caiu a noite e eles não conseguiram obter nenhuma notícia d’Ele entre parentes e conhecidos, eles, na mais profunda aflição, retornaram com a máxima urgência a Jerusalém; onde, depois de uma busca ansiosa de três dias, eles O encontraram no templo, entre doutores da lei, ouvindo seus discursos e argüindo-os de forma a causar grande admiração a todos que O ouviam, deixando-os impressionados com a maturidade de Sua compreensão: tampouco seus pais ficaram menos surpresos na ocasião. E quando sua mãe contou-lhe a aflição e o afinco com que Lhe procuraram, e para expressar sua tristeza por aquela privação, embora de curta duração, de sua presença, disse a Ele: “Filho, por que procedestes assim conosco? Eis que seu pai e eu andávamos angustiados à tua procura;” ela recebeu como resposta que, sendo o Messias e Filho de Deus, enviado por seu Pai ao mundo para redimi-lo, Ele deve cuidar das coisas do Pai, as mesmas pelas quais Ele fora enviado ao mundo; e portanto, era muito provável que eles O encontrassem na casa de Seu Pai: dando a entender que sua aparição em público naquela ocasião era para manifestar a honra de Seu Pai, e para preparar os príncipes dos judeus para recebê-lo como seu Messias; advertindo-os, a partir dos profetas, acerca do tempo de Sua vinda. Mas, embora permanecendo assim no templo sem o conhecimento de seus pais, Ele tenha feito algo sem a permissão deles, em obediência ao Seu Pai celeste, em todas as outras coisas, Ele lhes foi obediente, retornando com eles para Nazaré, e lá vivendo numa obediente sujeição a eles.

Aelred, nosso compatriota, abade de Rieval, em seu sermão sobre a perda do menino Jesus no templo, observa que essa Sua conduta em relação a Seus pais é uma verdadeira representação do que ele nos mostra, quando ele, não raro, se afasta de nós por um curto período para nos fazer procurá-Lo com mais afinco. Ele assim descreve os sentimentos de Seus santos pais naquela ocasião:[8] “Consideremos o que era a felicidade daquele abençoado grupo, no caminho de Jerusalém, a quem foi dado contemplar Sua face, ouvir Suas doces palavras, ver n’Ele os sinais da sabedoria e virtude divinas; e em suas conversações receber a influência de Suas verdades que salvam e de Seus exemplos. Os velhos e os jovens O admiravam. Creio que os meninos de Sua idade ficavam atônitos com a gravidade de suas maneiras e palavras. Creio que tais raios de graça lançados de Seu abençoado semblante atraiam os olhos, ouvidos e corações de todos. E quantas lágrimas eles não derramavam quando estavam longe d’Ele?” Ele continua, considerando qual deve ter sido o desconsolo dos pais quando eles O perderam; quais foram seus sentimentos e quão veemente fora sua procura: mas que alegria quando eles O encontraram novamente! “Revela-me”, diz ele, “Oh, minha Senhora. Oh, Mãe de meu Deus, quais foram seus sentimentos, seu assombro e sua alegria quando a senhora O viu novamente, sentado, não entre meninos, mas no meio de doutores da lei: quando a senhora viu os olhos de todos fixados n’Ele, os ouvidos de todos O escutando, grandes e pequenos, instruídos ou não, atentos somente em suas palavras e movimentos. A senhora diz então: encontrei Quem eu amo. Eu O abraçarei e não O deixarei mais se afastar de mim. Abrace-O, doce Senhora, segure-O firme; lance-se ao Seu pescoço, demore em seu peito, e compense os três dias de ausência multiplicando os gozos de vosso atual desfrute d’Ele. Diga-Lhe que a senhora e Seu pai o procuraram em aflição. Por que se afligiram?, não por temor que Ele ficasse com fome ou necessitasse de algo, pois vocês sabiam que Ele era Deus: mas creio que vocês se afligiram por se verem privados dos gozos de Sua presença, mesmo por um curto período; pois o Senhor Jesus é tão doce para aqueles que O experimentam, que a mais mínima ausência é um motivo da maior aflição para eles.” Esse mistério é um emblema da alma devota, que Jesus por vezes se afastando e deixando-a na secura, a faça procurá-Lo com mais fervor. Mas, acima de tudo, quão fervorosamente não deve a alma que perdeu a Deus pelo pecado procurá-Lo novamente, e quão amargamente ela não deve deplorar sua extrema infelicidade!

Como nenhuma outra menção é feita a São José, ele deve ter morrido antes das bodas de Caná e do começo do ministério de nosso divino Salvador. Não podemos duvidar que ele tenha tido a felicidade da presença de Jesus e Maria em sua morte, rezando ao seu lado, assistindo-o e confortando-o nos seus últimos momentos. Por isso, ele é particularmente invocado pela grande graça de uma morte feliz e pela presença de Jesus nesta hora tremenda. A Igreja lê a história do patriarca José no seu dia, este que era chamado o salvador do Egito, que ele livrou de uma fome fatal; e foi nomeado o mestre fiel da casa de Putephar, do faraó e seu reino. Mas nosso grande santo foi escolhido por Deus como o salvador da vida do verdadeiro Salvador das almas dos homens, resgatando-O da tirania de Herodes. Ele está agora glorificado nos céus, como o guardião e mantenedor de seu Senhor na terra. Como o faraó dizia aos egípcios em suas tribulações: “Ide a José;” que nós confiantemente nos dirijamos à mediação dele, a quem Deus, feito homem, esteve sujeito e obediente na terra.

O devoto Gerson expressou a mais calorosa devoção a São José, que ele empenhou-se em promover por cartas e sermões. Ele compôs um ofício em sua honra, e escreveu sua vida em doze poemas, chamados Josefina. Ele engrandeceu todas as circunstâncias de sua vida através de piedosas afeições e meditações. Santa Teresa o escolheu o principal patrono de sua ordem. No sexto capítulo de sua vida, ela escreveu assim: “Escolhi o glorioso São José para meu patrono, e me recomendo singularmente a sua intercessão em todas as coisas. Não me lembro de ter suplicado a Deus alguma coisa por seu intermédio que eu não tivesse conseguido. Nunca conheci alguém que, por sua invocação, não tenha muito avançado na virtude: pois ele assiste de uma forma maravilhosa todos que se dirigem a ele.” São Francisco de Sales, ao longo de seus “dezenove entretenimentos”, recomendava grandemente a devoção a São José, e exaltava seus méritos, principalmente sua virgindade, humildade, constância e coragem. Os sírios e outras igrejas orientais celebram sua festa em 20 de julho; a Igreja ocidental, em 19 de março. O papa Gregório XV, em 1621, e Urbano VIII, em 1642, ordenou manter esta data como feriado de guarda.

A Sagrada Família de Jesus, Maria e José, nos apresenta o mais perfeito modelo de convivência na terra. Como aqueles dois serafins, Maria e José, viviam em sua pobre casa! Eles sempre desfrutavam da presença de Jesus, sempre se abrasando no mais ardente amor por Ele, inviolavelmente ligados à Sua sagrada Pessoa, sempre ocupados e vivendo apenas por Ele. Quantos foram seus êxtases em contemplá-Lo, qual foi sua devoção em ouvi-Lo, e seu gozo em possuí-Lo! Oh, vida celestial! Oh, antecipação da beatitude celestial! Oh, convívio divino! Podemos imitá-los, e compartilhar algum grau dessas vantagens, ao conversar freqüentemente com Jesus, e ao contemplar sua mais amigável bondade, acendendo o fogo de Seu divino amor em nosso peito. Os efeitos desse amor, se ele for sincero, aparecerá necessariamente na adoção de Seu espírito, na imitação de Seu exemplo e virtudes; e em nosso esforço em caminhar continuamente na presença divina, encontrando Deus em todos os lugares, e na consideração de todo o tempo perdido que não dedicamos a Deus, ou à Sua honra.

[1] L. adv. Helvid. c. 9.
[2] Hom. 2. super missus est, n. 16. p. 742.
[3] Serm de Nativ.
[4] Isto aparece em: Mat 23:55; S. Justino (Dial. n. 89. ed. Ben. p. 186.); S. Ambrósio (in Luc. p. 3.). Theodoreto (b. 3. Hist. c. 18.) diz que ele trabalhou em madeira, como carpinteiro. S. Hilário (in Matt. c. 14. p. 17.) e S. Pedro Chrisólogo (Serm. 48.) dizem que ele trabalhava em ferro como ferreiro; provavelmente ele trabalhou tanto em ferro quanto em madeira; opinião esposada por S. Justino, que diz: “Ele e Jesus fabricavam arados e parelhas de bois”.
[5] Hom. 8. in Matt. t. 7. p. 123. ed. Ben.
[6] Isto é afirmado por: S. Atanásio (1. de Incarn.); Eusébio (Demonstrat. Evang. l. 6. c. 20.); S. Cirilo (Cat. 10.); S. Ambrósio (in Ps. 118. Octon. 5.); S. Jerônimo (in Isai. 19.); S. Crisóstomo e St. Cyril of Alexandria, (in Isai.); Sozomeno, (l. 5. c. 20.); etc.
[7] Ver, Vidas dos Santos Padres do Deserto.
[8] Bibl. Patr. t. 13.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Comemora-se hoje o nascimento de nossa Corredentora: a Virgem Santíssima Senhora Nossa

 

Em Nazaré, uma cidade da Galiléia, vivia um homem bom e humilde da descendência de David, chamado Joaquim. Sua esposa era Ana. Eles andavam pelos caminhos da virtude, mas os céus não os abençoavam com nenhum filho.

A bondade de Joaquim e Ana, todavia, não foi deixada sem recompensa. Vinte anos se passaram e, em 8 de setembro, uma maravilhosa criança foi enviada para alegrar sua velhice. A Virgem prometida, que se destinava a reparar a Falta primitiva, acabava de nascer; e ela veio ao mundo vestida com inexprimível pureza e beleza. No nono dia após o nascimento, segundo o costume, a Criança Imaculada, recebeu o nome de MARIA [que em siríaco significa senhora, soberana; em hebreu significa estrela do mar].

“E seguramente,” diz São Bernardo, “a Mãe de Deus não poderia ter um nome mais apropriado, ou mais expressivo de sua alta dignidade. Maria é, de fato, aquela bela e luminosa estrela que brilha sobre o vasto e tormentoso mar deste mundo.”

A compreensão da criança, como o dia em algumas regiões favorecidas, quase não conheceu a aurora; brilhava claramente desde seus primeiros anos. Sua virtude precoce e sua sabedoria com as palavras, num período da vida quando as outras crianças ainda desfrutam apenas uma existência puramente física, convenceram seus pais que o tempo da separação se aproximava; e quando Joaquim ofereceu ao Senhor, pela terceira vez desde o nascimento de sua filha, os primeiros frutos de sua pequena herança, o marido e a esposa, gratos e resignados, partiram para Jerusalém, a fim de depositar nos recintos sagrados do Templo o tesouro que eles receberam do Deus Único de Israel.

A antiga capital da Judéia foi logo alcançada e, pela primeira vez, Maria ultrapassou seus pesados portões e contemplou suas sisudas muralhas. Os piedosos pais apresentaram sua criança no grande Templo do Senhor dos Exércitos. Ela foi recebida pelo sacerdote com as cerimônias usuais, e então colocada entre as virgens consagradas, que ocupavam uma ala do sagrado edifício reservada especialmente para elas.

Maria passou os melhores anos de sua juventude no Templo. Foi um tempo precioso de preparação. A futura Virgem-Mãe foi bem educada, mas naqueles dias as tarefas domésticas eram sabiamente consideradas importante ramo da educação. Ela se levantava todos os dias graciosamente, pensava na sagrada presença de Deus e se vestia com a maior modéstia.

“Ela se vestia de forma extremamente simples”, escreve o Abade Orsini, “e isso lhe consumia muito pouco tempo. Ela não usava nem braceletes de pérola, nem cordões de ouro incrustado de prata, nem tampouco túnicas púrpuras, como as filhas das princesas de sua descendência. Um robe azul celestial, uma túnica branca presa na cintura por um cinto de pontas soltas, um longo véu, simples e graciosamente disposto para cobrir a face quando necessário – isto, além de um tipo de sapato combinando com o robe, compunham o traje oriental de Maria.”

Cada dia tinha suas horas de exercícios religiosos. As palavras da oração e o hino de louvor se elevavam dos puros lábios da jovem Virgem.

Conta-se que a estatura de Maria estava acima da média. Sua adorável face era o espelho de sua mais pura e bela alma, e sua pessoa era a própria perfeição física. Ela era o mais refinado trabalho da natureza. São Denis Areopagita, que viu a Virgem Santíssima, nos assegura que ela era de uma beleza deslumbrante.

Ela tinha uma perfeita compreensão das Sagradas Escrituras. Seus dons físicos, mentais e morais não tinham comparação. Falava pouco, e sempre com propósito. Virtude e bom senso regulavam seus pensamentos, palavras e ações.

Assim passou Maria, silenciosamente, pelos caminhos da vida, tal como uma bela estrela deslizando por sobre as nuvens prateadas. Graças à sua Imaculada Conceição, ela possuía uma doce e natural inclinação para a virtude; e suas brilhantes ações eram como uma grinalda de neve que silenciosamente caia sobre o topo da montanha, acrescentando pureza à pureza e brancura à brancura, até que se elevava, formando um cone brilhante que atraia os raios do sol e deslumbrava os olhos dos homens.

A Virgem Santíssima passou nove anos em seu retiro no Templo, quando a primeira nuvem negra obscureceu sua jovem vida. Joaquim, seu amado pai, caiu doente; e ela voltou para casa apenas a tempo de rezar ao lado de seu leito e dele receber sua última benção. Mas ainda outra aflição se aproximava. Depois de um curto período de tempo, Santa Ana abençoou sua querida filha e morreu em paz. Maria era agora órfã, mas suportou sua tristeza em silêncio e com paciência.

É a opinião de diversos escritores eminentes que foi neste período, quando seu caminho foi obscurecido pelas nuvens da tristeza e desolação, que a santa e jovem Virgem fez seu voto de virgindade perpétua e ofereceu a Deus, para sempre, o mais puro de todos os corações.[1]


[1] Trecho traduzido da biografia da Santíssima Virgem que aparece em Little Lives of the Great Saints, John O’Kane Murray, 1985, Editora TAN Books. A edição original deste livro clássico é de 1880.

segunda-feira, julho 19, 2010

Santa Maria do Egito e São Carlos Borromeu

Recentemente proferi palestra sobre os dois santos do título do post. Meu filho gravou e editou a palestra, de modo que todos podem assisti-la. Espero que gostem.

segunda-feira, abril 05, 2010

O Tesouro de duas santas: Paula e Margarida de Cortona

O que nos ensinam os santos, com palavras e obras, é que não basta traçar na areia uma tênue linha que separe o bem do mal; e que é preciso, resolutamente, entre os céus e os infernos, erguer muralhas de ódio, e cavar abismos de amor. É grande o mistério da santidade. Gustavo Corção
SANTA PAULA
Natural de Roma, nasceu em meados do século IV. Era da mais alta nobreza, pois em suas veias corria sangue dos Cipiões e dos mais antigos reis.
Após as perseguições que foram terríveis, os cristãos relaxaram-se um pouco. Paula, embora cristã e honesta, vivia com excessivo luxo e moleza.
A Providência divina enviou-lhe amargos sofrimentos para desenganá-la do mundo. Faleceu-lhe o esposo, a quem amava entranhadamente e ela mesma contraiu uma grave e prolongada enfermidade.
Quando recobrou a saúde, despojou-se de suas galas e consagrou-se por completo à oração, às obras de caridade e à educação dos filhos.
Por motivo da celebração de um concílio, convocado pelo Papa S. Dâmaso, veio a Roma S. Jerônimo, grande amigo do Pontífice e incomparável conhecedor da Sagrada Escritura. Paula tomou-o por diretor espiritual e, seguindo seus conselhos, estudou os Livros Sagrados, especialmente os Evangelhos, e concebeu o desejo de visitar e venerar a gruta de Belém.
Apos a morte de S. Dâmaso, seu amigo S. Jerônimo abandonou Roma, para dedicar-se de novo a seus estudos bíblicos. Queria ultimar sua gigantesca tarefa de traduzir toda a Bíblia para o latim.
S. Paula não tardou a segui-lo. Confiou a uma filha casada a educação da menorzinha, e ela com Eustóquio, outra de suas filhas, embarcou rumo à Terra Santa.
Com S. Jeiônimo e Eustóquio, percorreu a Palestina. Ao chegar a Belém exclamou chorando: “Eu te saúdo, ó Belém, cujo nome quer dizer Casa do Pão celeste; eu te saúdo, antiga Efratá, cujo nome significa a Fértil, que tiveste por fruto e colheita ao próprio Criador! E' possível que eu, pecadora, beije o berço onde repousou o Menino Deus, ore na gruta, onde deu Jesus seus primeiros vagidos, onde a Virgem deu à luz o Salvador?”
Junto à gruta de Belém levantou um mosteiro para a comunidade de religiosas por ela fundada e dirigida; e nos arredores, outro para S. Jerônimo e seus monges. Construiu, além disso, um ótimo albergue para os peregrinos, e costumava dizer: “Se Maria e José tivessem de retornar a Belém, para o recenseamento, já não lhes faltaria lugar na estalagem”.
Passou S. Paula o resto da sua vida meditando a sagrada Escritura, orando e mortificando-se com severas penitências, animada pelo suave pensamento de que ali mesmo dera o Redentor admirável lição de todas as virtudes.
Morreu aos 56 anos e foi sepultada numa gruta ao lado daquela do Nascimento.
Sobre a porta dessa gruta mandou S. Jerônimo gravar em versos estas palavras: “Vês este humilde sepulcro nesta rocha cavado? Dentro está de Paula o corpo, e dos bens celestes gozando está a alma. Deixou pais e pátria e irmão e filhos e aqui repousa, junto à gruta de Belém, onde reis e Magos a Cristo adoraram como a Deus e homem”.
SANTA MARGARIDA DE CORTONA
Nasceu esta Santa no povoado de Laviano, na ltâlia, em 1247. Seus pais eram lavradores e viviam pobremente.
Aos sete anos teve Margarida a desgraça de perder a mãe. O pai casou-se de novo, e a madrasta odiava a pobre orfãzinha. Um rico e poderoso senhor dos arredores seduziu-a e levou-a para o seu castelo, rodeado de bosques, com muito luxo e criadagem. Nove anos durou a triste vida de Margarida naquele castelo. A miúdo sentia remorsos e como que um desejo de fazer penitência, mas não sabia como livrar-se daquela mísera situação.
Certo dia, o lebrel favorito de seu senhor aproximou-se dela, ladrando choroso, e com os dentes puxava-lhe o vestido como se quisesse convidá-la a segui-lo.
Penetraram pelo bosque adentro. Debaixo dum carvalho, junto a um monte de ramos, parou o cão e redobrou seus latidos. Afastou Margarida os ramos e encontrou, banhado em sangue, o cadáver de seu senhor. Haviam-no apunhalado. Surpreendera-o a justiça de Deus.
Aquele horrível espetáculo iluminou a alma de Margarida. Converteu-se. Resolveu começar vida nova e dirigir-se, em primeiro lugar, ao casebre de seu pai, para desagravá-lo e implorar-lhe perdão.
Não o alcançou, porque sua madrasta se opôs. Deus, porém, foi mais generoso. A pecadora, compreendendo que precisava confessar-se, para recuperar a graça divina, dirigiu-se ao convento franciscano da vizinha cidade de Cortona e, ali, aos pés do ministro de Cristo, reconciliou-se com Deus, a quem tanto ofendera.
Todas as penitências lhe pareciam leves. Cortou sua longa e negra cabeleira. Disciplinava-se sem misericórdia. Jejuava a pão e água.
Num domingo, entrou na igreja de sua vila natal, vestida de farrapos e levando, como os condenados, uma grossa corda ao pescoço, e pediu püblicamente que lhe perdoassem os escândalos que dera.
Temia não estar bem perdoada. Cria que sim, mas parecia-lhe impossível, tendo pecado tão gravemente. Até que um dia, em que estava chorando diante do Crucifixo, a imagem do Cristo abriu os lábios para dizer-lhe: “Teus pecados te foram perdoados”.
Margarida foi devotíssima da Paixão do Salvador. Numa Sexta-feira Santa, quis Jesus Cristo que ela presenciasse tudo o que acontecera durante a Paixão. Passaram diante de seus olhos: o beijo de Judas, a negação de Pedro, a cobardia de Pilatos, o ódio dos judeus, os insultos na rua da Amargura e ouviu as palavras de Cristo na Cruz; e às três da tarde, hora em que expirou nosso Salvador, inclinou também ela a cabeça e pareceu que expirava. As pessoas presentes não cessavam de soluçar.
O demônio tentou-a de mil modos; mas, rezando, como costumava, diante do Crucifixo, Jesus a consolou com as seguintes palavras: “Minha filha, tem coragem e obedece ao teu confessor; desconfia de ti mesma, mas confia na minha graça”.
Faleceu a 22 de fevereiro de 1297, contando cinqüenta anos de idade. Durante os vinte últimos dias de sua vida, não provou nenhum alimento ou, melhor, o seu alimento era a sagrada comunhão.
DO LIVRO TESOURO DE EXEMPLOS

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Mais duas historinhas do livro Tesouro de Exemplos

VISITANDO O SANTÍSSIMO

Um sacerdote, que estava a rezar o ofício divino a um canto da igreja sem que o pudessem ver, foi testemunha de uma graciosa visita ao Santíssimo.

Aproximaram-se da grade do altar dois meninos: Lino, de seis anos, e seu irmãozinho, de três. O maiorzinho tomou pela cintura o pequeno, ergueu-o e conservou-o de pezinho sobre a grade. Com a mão livre tomou a mãozinha de seu irmão para persigná-lo e, em seguida, rezou com ele esta breve e bela oração:

"Meu Jesus, eu te amo de todo o meu coração" . E repetiu estas últimas palavras, pondo a mão sobre o peito para indicar o coração.

Terminada a oração, Lino explicou ao irmãozinho:

- Olha, o bom Jesus, está dentro daquela casinha. As imagens que vês em cima são retratos de Jesus e de sua santa Mãe.

O pequenito olhava atentamente com seus olhos grandes e negros para a estátua de Nossa Senhora do Sagrado Coração, e de repente perguntou:

- Lino, Jesusinho quer bem a mim também?

Sim, responde Lino; olha como nos mostra seu coração com a mão esquerda e com a direita nos indica sua Mãe.

- Por que, hein?

O maiorzinho, um pouco perplexo, não soube o que responder.

- Por quê? insiste o pequeno.

Então Lino, lentamente, indeciso, atreve-se a balbuciar: Talvez Jesusinho queira que peçamos a sua mamãe licença para ficarmos com Ele.

_________________________________________________________________________________________

QUE É QUE PEDES A JESUS?

Joei era uma menina que as Irmãs de Caridade encontraram abandonada pelos pais às margens do Rio Amarelo da Grande China.

Estava a criancinha a morrer de fome e frio, quando as Irmãs a levaram para o hospital. Logo que a vestiram e alimentaram, dando-lhe leite quente, começou a pequena a recobrar a vida e a saúde. Foi batizada e logo brilhou a inteligência em seus olhinhos vivos e começou a conhecer a Deus e a aprender as coisas do céu. Andava já pelos oito anos e gostava de assistir à doutrina com as crianças que se preparavam para a primeira comunhão. Mas a sua memória não acompanhava o seu coração e quando o missionário foi examiná-la, teve que dar-lhe a triste notícia de que não seria admitida à primeira comunhão enquanto não soubesse melhor a doutrina.

Julgava o Padre que essa determinação a deixaria indiferente. Mas não foi assim. Daquele dia em diante notou-se uma mudança extraordinária no comportamento da menina.

Em lugar de brincar, como antes, com as crianças de sua idade, Joei começou a passar seus recreios na capela aos pés de Jesus.

Um dia, estando Joei diante do santíssimo, o Padre acercou-se dela devagarinho e ouviu que repetia com freqüência o nome de Jesus.

- Que é que fazes aí?

- Estou visitando o Santíssimo Sacramento.

- Visitando o Santíssimo? Tu nem sabes quem é o Santíssimo ...

- É meu Jesus, respondeu Joei.

- Bem; e que pedes a Jesus?

Então, com as mãos postas e sem levantar a cabeça, com lágrimas nos olhos, respondeu com indizível doçura:

- Peço a Jesus que me dê Jesus.

E a pequena Joei teve licença de fazer sua primeira comunhão.

 

Do livro Tesouro de Exemplos.

sábado, outubro 03, 2009

SANTA CASSILDA

Do livro Tesouro de Exemplos.

Era princesa moura, filha do rei de Toledo, e nasceu em fins do século décimo.

Seu boníssimo coração estremecia diante das misérias e sofrimentos que suportavam os escravos cristãos, aprisionados pelo rei em suas campanhas guerreiras.

A princesa visitava as masmorras e socorria os prisioneiros com dádivas e palavras consoladoras.

Eles, em troca, instruíam-na pouco a pouco na doutrina cristã. Atraída pela beleza de nossa religião, tão heróica e ao mesmo tempo tão misericordiosa, Cassilda pedia a Nossa Senhora, da qual lhe haviam falado os cativos, que se compadecesse dela e lhe mostrasse o caminho para receber o batismo e viver segundo a fé cristã.

A Virgem atendeu às suas súplicas. Cassilda começou a sentir-se doente de um mal estranho que lhe consumia os ossos, e contra o qual se mostravam impotentes os melhores médicos.

Um cativo cristão contou-lhe que, perto de Burgos, havia uma fonte, chamada de S. Vicente, cujas águas curariam a sua doença.

A princesa referiu ao pai o que ouvira do cativo e pediu-lhe licença para experimentar aquele remédio. Seu pai opôs-se, a princípio, por achar-se a fonte em terra de cristãos; mas, diante dos progressos da enfermidade, terminou por aceder.

Acompanhada de um séquito deslumbrante, chegou Cassilda a Burgos, onde foi cortesmente recebida pelo rei Fernando I de Castela e hospedada com todas as honras. Dirigiu-se logo à prodigiosa fonte e, quando se banhou em suas águas, recobrou a saúde corporal. Atribuindo-a à intercessão de Nossa Senhora, acabou de instruir-se na doutrina cristã e, pouco depois, as águas do batismo deram-lhe a saúde da alma.

O rei, seu pai, alarmado com a demora e com as notícias que recebia, enviou-lhe mensageiros com a ordem de regressar imediatamente.

S. Cassilda mandou dizer-lhe que já era princesa do céu e que, por seu reino temporal, não queria perder o Reino eterno.

Mandou construir uma humilde cela perto da fonte milagrosa e da igreja, onde recebera o batismo e ali passou a vida, dando exemplo de todas as virtudes, especialmente de caridade e penitência.

Sua festa cai no dia 9 de abril; e suas preciosas relíquias são veneradas, atualmente, parte na catedral de Burgos e parte na de Toledo.


Ler também: Santa Catarina de Sena, Santa Catarina de Gênova, Mais uma historinha do Tesouro de Exemplos, Tesouros de Exemplos – mais três historinhas, Mais duas historinhas católicas: Ah! se a Vozes ainda fosse uma editora católica!,Quando a Vozes ainda era uma editora católica

segunda-feira, setembro 21, 2009

SANTA CATARINA DE SENA

Do livro Tesouro de Exemplos.

Nasceu em Sena, cidade da Itália, em 1347, no dia em que a Igreja celebra o mistério da Encarnação.

Seu pai dedicava-se à indústria tintureira.

Catarina fora precedida, no lar paterno, por vinte e um irmãos. Contava apenas seis anos, quando Nosso Senhor a favoreceu com uma visão extraordinária e profética.

Sobre a torre do convento de S. Domingos viu num trono resplandecente, no qual estava sentado Jesus Cristo, revestido como um Papa, com a tiara na cabeça, e tendo a seu lado S. Pedro, S. Paulo e S. João. Jesus Cristo infundiu-lhe um conhecimento sobrenatural do que é a Igreja e um amor ardentíssimo à mesma, e anunciou-lhe que seria uma grande capitã de seus exércitos e que se valeria dela para purificar a sua Igreja.

Aos catorze anos, manifestou a seus pais o desejo de ingressar na Ordem Terceira de S. Domingos. Para provar sua vocação, empregaram-na nos trabalhos mais humildes. Foi a criada de todos. Portou-se com tamanha humildade que seus pais consentiram que seguisse a vocação religiosa.

Para que compreendesse ainda mais a Igreja, Jesus Cristo fê-la morrer, e sua alma, separada do corpo, percorreu o céu e o purgatório e mostrou-lhe mesmo o inferno, onde os separados para sempre da Igreja sofrem eternamente e logo a ressuscitou. Assim preparada, começou o seu apostolado. Não pregava dos púlpitos, porque isso compete aos sacerdotes; falava, porém, a enormes auditórios tanto nas praças como em pleno campo. Seguiam-na milhares de discípulos, entoando salmos de penitência; seguiam-na muitos sacerdotes, que confessavam os pecadores arrependidos. Aqueles eram para a Igreja dias difíceis. O Papa mudara-se para a cidade de Avinhão, na França, e esta troca de residência do bispo de Roma escandalizava e dividia os católicos.

Obedecendo a Jesus Cristo, S. Catarina apresentou-se ao Papa, que era Gregório XI, e intimou-o a voltar para Roma. O Pontífice pediu-lhe uma prova de que o Espírito Santo a inspirava e ela respondeu: "Tu mesmo o prometeste, com voto, no dia de tua elevação ao Pontificado". O Papa, ao ver descoberto esse segredo, que a ninguém da terra havia confiado, não vacilou mais e transferiu-se para Roma.

S. Catarina pediu a Deus que aceitasse a sua vida pela salvação do sucessor de Gregório XI, Urbano VI, a quem os demônios queriam assassinar, induzindo os romanos à sublevação. Aceitou Jesus a sua oferta, sendo a sua última enfermidade um verdadeiro martírio. Seu corpo parecia um esqueleto.

A 29 de abril de 1380, aos trinta e três anos de idade (isto é, na mesma idade em que morreu Jesus Cristo, segundo se crê) seu rosto iluminou-se e sua alma voou para o céu.

Festa: 30 de abril.

Ler também: Santa Catarina de Gênova, Mais uma historinha do Tesouro de Exemplos, Tesouros de Exemplos – mais três historinhas, Mais duas historinhas católicas: Ah! se a Vozes ainda fosse uma editora católica!,Quando a Vozes ainda era uma editora católica

sexta-feira, setembro 18, 2009

SANTA CATARINA DE GÊNOVA

Do livro Tesouro de Exemplos.

Esta Santa, falecida em 1510, não foi santa desde seus primeiros anos de vida.

Nasceu rica, viveu entre as diversões e nos dias de sua mocidade não foi lá muito piedosa, não. Era como tantas moças de hoje, que pensam ser muito santas, só porque vão à missa de preceito e não dão graves escândalos.

Casou-se, afinal, com um moço muito rico, o qual de cristão tinha apenas o nome. Isso bem o sabia ela antes de casar-se; mas, como acontece, deixou-se fascinar pelas riquezas, pela elegância e até pelas audácias daquele aventureiro do amor.

E sucedeu o que era de esperar: aquele homem, por causa de sua vida licenciosa, não pôde fazê-la feliz. Enquanto ela, em casa, chorava a sua desgraça, ele, como louco, corria de orgia em orgia. Esquecida de Deus, a pobre mulher maldizia a hora em que se casara com um vilão como aquele.

Menos mal. Morreu o canalha (e dizem que morreu convertido), e a jovem viúva pôde respirar. Buscou ainda a felicidade nas diversões, reuniões barulhentas e nos espetáculos. Tinha uma fome canina de felicidade, e cada dia se sentia mais desgraçada.

Certo dia ouviu uma voz interior que lhe dizia:
- Catarina, só em Deus acharás o verdadeiro amor e a felicidade.

A jovem viúva ficou muito comovida. Parecia-lhe, porém, impossível que a felicidade estivesse escondida atrás das grades de um convento e debaixo de um grosseiro hábito religioso. Não entrava em sua cabeça que o amor pudesse viver no silêncio do claustro e entre cilícios e disciplinas.

Catarina tinha uma irmã, que, mais piedosa do que ela, se fizera religiosa e vivia contentíssima no convento. Quantas vezes esta santa religiosa, prostrada aos pés do sacrário, havia pedido a Jesus por aquela irmãzinha sua, que andava pelo mundo, tão fútil, tão infeliz!

Deus atendeu a sua oração. Um dia Catarina foi visitá-la. Estava triste como nunca a pobre viúva. E ali, no regaço de sua santa irmã, deixou correr lágrimas muito amargas. Disse-lhe: Sou uma desgraçada; o mundo é um impostor; o amor não é mais que egoísmo brutal; não, não agüento mais! quero morrer.

A santa irmã deixou que ela se desabafasse e, enxugando as lágrimas, disse-lhe:
- Catarina, parece mentira que andes tão louca e enganada. Já não te disse mil vezes que só Deus é a verdadeira felicidade e que só nele encontrarás o amor puro que não deixa na alma remorsos e desengano?. Deus te chama ao seu amor e tu te empenhas em fazer-te surda às suas vozes amorosas. Resolve-te de uma vez a consagrar-te a Deus e encontrarás a paz e o amor. Faze uma boa confissão e confia na divina misericórdia. Estou certa de que Nosso Senhor te fará feliz.

A dor e os desenganos, e mais que tudo a mesma graça de Deus haviam preparado já o coração de Catarina. Caiu de joelhos diante da imagem de Jesus crucificado e chorou amargamente, dizendo: Meu Jesus, não mais pecar, não mais pecar. Jesus, Amor infinito das almas, toma o meu coração. É teu.

E assim, banhada em lágrimas, ajoelhou-se aos pés de um santo confessor. Ali esteve longo tempo. Quando se levantou, já era outra.

Ajoelhara-se pecadora, levantara-se santa, porque esse foi o dia de sua definitiva conversão. Dai em diante, viveu e morreu como santa.

Festa: 22 de março.

Ler também: Mais uma historinha do Tesouro de Exemplos, Tesouros de Exemplos – mais três historinhas, Mais duas historinhas católicas: Ah! se a Vozes ainda fosse uma editora católica!,
Quando a Vozes ainda era uma editora católica

sábado, setembro 12, 2009

Mais uma historinha do Tesouro de Exemplos

Este é o exemplo de sacerdócio que o Papa Bento XVI quer dar aos padres do mundo inteiro. Este é, segundo Bento XVI, o ideal que todo padre deve almejar em sua vida. Penitência, oração, instrução, sacramento e ... santidade.


São João Maria Vianney


Nasceu de família humilde numa pequena aldeia da França, em 1785. Aos oito anos guardava um pequeno rebanho e, levando consigo uma imagenzinha de Nossa-Senhora reunia os companheiros da sua idade e diante da imagem rezavam o rosário. Outras vezes, confiava à sua irmãzinha a guarda das ovelhas e procurava um lugar solitário para rezar.

Aos treze anos deixou o rebanho e começou a trabalhar na roça.

"Quando estava na roça - conta ele mesmo - rezava em voz alta, se não havia ninguém perto; e em voz baixa, quando havia ali algum companheiro. Ao manejar a enxada, costumava dizer: É preciso arrancar da alma as más ervas. Quando, depois de comer, os outros dormiam a sesta, eu aparentava dormir, mas continuava conversando com Deus em meu coração. Quando ouvia o relógio, dizia: Coragem, minha alma; o tempo passa; a eternidade chega; vivamos como condenados a morrer. E rezava uma Ave-Maria".

Estudou para padre. Muito lhe custou passar nos exames; mas, à força de trabalho, penitência e oração, conseguiu chegar a bom termo. Seus superiores mostraram-se benévolos com ele, porque reconheciam sua virtude e seu zelo.

Foi destinado a reger a pequenina paróquia de Ars. Os moradores de Ars eram indiferentes; não iam à igreja. João Maria recorreu a suas armas favoritas: passava horas inteiras, em oração, diante do sacrário; mortificava-se, disciplinava-se e tudo oferecia a Deus para que tocasse os corações de seus paroquianos. Ao mesmo tempo, esmerava-se em tratá-los com amor e prodigalizar-lhes conselhos e esmolas.

Pouco a pouco fez-se o milagre, e Ars começou a ser uma paróquia exemplar. A fama da santidade do cura de Ars transpôs fronteiras não só daquela aldeia, mas até da França. Milhares e milhares de pessoas chegavam de toda a parte para confessar-se com o Santo, ouvir os seus sermões, solicitar seus milagres. Em 1840, contaram-se mais de 20.000 peregrinos, e esse número continuou aumentando.

Levantava-se, invariavelmente, à meia-noite para dirigir-se à igreja e sentar-se no confessionário. Os penitentes sucediam-se sem interrupção até as sete, hora em que o vigário celebrava. Terminada a missa, outra vez confissão até as onze. Subia, então, ao púlpito e fazia a sua instrução catequética. Saía da igreja ao meio-dia. Dois guardas precisavam defendê-lo dos empurrões do povo, pois todos queriam vê-lo, falar-lhe, tocá-lo, receber sua bênção, guardar alguma palavra sua. Às 13 horas, novamente confessar até à reza da noite.

Perguntaram-lhe uma vez:
- Se Deus vos permitisse escolher entre estas duas coisas: ir para o céu, agora mesmo, ou ficar na terra, até o fim do mundo, trabalhando na conversão dos pecadores, que faríeis?
- Ficaria na terra.
- Até o fim do mundo?
- Sim, até o fim do mundo.
- Mas, com tanto tempo ainda, não vos levantaríeis tão de madrugada... não é?
- Ah! meu amigo; levantar-me-ia como agora, à meia noite, e seria o mais feliz dos servidores de Deus.

Gozava do dom da profecia e de penetrar no mais secreto das vidas e das consciências. Gente não disposta a confessar-se, resolvida a fazê-lo mal, ficava surpreendida quando o Santo recordava pecados ocultos, e saía chorando do confessionário. Dissipava as dúvidas com muita facilidade.

Fez grandes e inúmeros milagres tanto em vida como depois de sua morte, cuja data ele mesmo anunciou com exatidão. A 9 de agosto de 1859, aos setenta e três anos de idade, sua alma voou para o céu, onde goza e gozará do prêmio eterno de seus trabalhos e penitências.

Festa: 9 de agosto.

Ver Quando a Vozes ainda era uma editora católica

segunda-feira, junho 15, 2009

Tesouros de Exemplos – mais três historinhas

O gentil padre Reginaldo me avisa, por e-mail, que há sim o segundo volume do Tesouro de Exemplos, do padre Pe. Francisco Alves.

Vamos a mais três historinhas do volume I.


O CONSÔLO DE LÚCIFER

Um dia, voltando da terra, chegou um demônio ao inferno. Estava triste e abatido. Dirigindo-se a Lúcifer, o rei das trevas, disse:
- Chefe, Falhou completamente o meu esforço. Mostrei ao Filho do homem todas as riquezas e grandezas do universo e prometi-lhe dar-lhe tudo aquilo com a única condição de que me adorasse... E eis que ele me repeliu com desprezo.
- Consola-te, meu filho, responde Lúcifer, mesmo que esse esteja perdido, todos os outros nos pertencem...

Depois de algum tempo regressa o demônio de sua nova excursão pela terra e diz:
- Chefe, está tudo perdido. o Filho do homem acaba de fazer ao povo, no monte Tabor, um sermão sem igual. Ele afasta a todos das vaidades terrenas e impele-os para o reino de Deus.
- Consola-te, meu filho, diz Lúcifer, .eles gostam de ouvir palavras novas e belas, mas não as põem em prática. Esquecerão delas como se esqueceram dos ensinamentos dos profetas.

Faz o demônio outra excursão pela terra. Quando volta ao inferno, chega-se ao poderoso rei Lúcifer e, desanimado, diz:
- Meu chefe, o nosso poder está liquidado para sempre. O Filho do homem selou sua doutrina com a própria vida, provando assim que é realmente o Filho de Deus.
- Não te aflijas demais, meu filho, replicou Lúcifer, eles serão nossos, apesar de tudo. O Filho do homem provou, é verdade, por sua morte na cruz, que é o Filho de Deus, mas consola-te, meu fiel emissário, os homens não crerão Nele.

Meu irmão, tira deste imaginário diálogo uma preciosa lição para tua alma, isto é, que não deves viver como os pagãos e os libertinos, sem fé, sem religião, sem Deus.


SEMPRE MAIS

Perguntai a S. Paulo o que deveis fazer para vos tornardes semelhantes a JesusCristo. S. Paulo não vos enganará. Ele é o doutor que mais admiravelmente expõe as leis divinas de nossa perfeição na vida espiritual.

- Santo Apóstolo, temos a fé de Pedro, o discípulo escolhido por Jesus Cristo para seu vigário na terra... Basta-nos?
- Não basta.

- Temos a caridade para com Deus e o amor para próximo, que aprendemos com o discípulo predileto de Jesus. Basta?
- Não.

- Temos a fortaleza heróica demonstrada pelo Batista ante os inimigos. Basta?
- Não.

- Temos a confiança em Deus que distinguiu o patriarca S. José, o qual mereceu ser tido por pai de Jesus. Basta?
- Não basta, não... Escutai o que vos digo: Jesus Cristo é o modelo que deveis ter sempre diante dos olhos ... é o retrato que haveis de reproduzir em vosso corpo e em vossa alma. E quem era Jesus Cristo? Era a caridade, era a justiça, a mansidão, a prudência e a paciência... Era a beleza de Deus manifestando-se aos olhos humanos, para que Nele nos transformemos. Tendes, pois, de trabalhar, trabalhar muito, até que sejais retratos perfeitos desse divino Modelo...

- Mas, santo Apóstolo, nossa carne é fraca, nosso coração é louco, nossa concupiscência é animal, nossas inclinações perversas, as tentações são muitas, os demônios rodeiam-nos dia e noite, o mundo nos fascina...
- Trabalhai! E' preciso imitar a Jesus Cristo. Essa é a única segura garantia de nossa eterna salvação. Se temos a graça, temos tudo...

- Mas isso será trabalho de muitos anos.
- Tendes razão: é trabalho de toda a vida. Mas para isso é que Deus nos pôs no mundo, para isso é a vida. Se não a entendeis assim, estais tristemente equivocados...

Trabalhai! ... Tendes diante de vós uma eternidade para descansar e gozar de vossas virtudes.


PAI TODO-PODEROSO

Falava um pastor protestante com um menino que se preparava para a primeira comunhão, e perguntou-lhe:
- Você crê que na Hóstia, que vai receber, está Jesus em corpo e alma?
- Creio, sim, senhor.
- Você sabe o Pai-Nosso?
- Sei, sim, há muito tempo.
- Então, reze-o.
- Pai nosso que estais no céu. .
- Chega! Você compreende que Deus está no céu; logo, não pode estar na Hóstia.

O menino pensou um instante e disse:
- O senhor é capaz de rezar o Credo?
- Sou, sim: Creio em Deus Pai todo-poderoso...
- Basta! O sr. compreende que, sendo Deus todo-poderoso, pode fazer o que quiser, e assim pode estar no céu e ao mesmo tempo na Hóstia consagrada.

O pastor, não sabendo que responder, confundido, deu por terminado o diálogo.


Ver Quando a Vozes ainda era uma editora católica

quinta-feira, junho 04, 2009

Mais duas historinhas católicas: Ah! se a Vozes ainda fosse uma editora católica!

MAÇÃS E ROSAS DO CÉU

No ano de 304, no maior furor da perseguição movida por Diocleciano, u ma virgem cristã, chamada Dorotéia, foi conduzida ao tribunal do governador de Cesaréia, na Capadócia. Como não quis sacrificar aos deuses e aos ídolos pagãos, a esposa de Cristo teve de sofrer horrível martírio. Tranqüila no meio dos tormentos, disse ao juiz
- Apressa-te a fazer o que queres, e sejam os suplícios o caminho que me leve, ao celeste esposo. Amo-o e nada temo. Desejo os tormentos, pois são leves e passageiros, u ma vez que por eles chegamos às delícias do paraíso, onde há frutos e flores de maravilhosa formosura e suavidade que nunca murcham, fontes de águas vivas, onde os santos se desalteram na alegria eterna de Jesus Cristo.

Ao ouvir estas palavras o assessor do juiz, um letrado chamado Teófilo, dirigiu-se à Santa caçoando e rindo:
- Envia-me rosas e maçãs do jardim de teu esposo do paraíso quando lá chegares.
- Sim, eu as enviarei, respondeu a jovem.

Notemos que se estava em pleno inverno.

O verdugo apoderou-se da virgem e cortou-lhe a cabeça. Teófilo, chegando em casa, contou a pilhéria aos amigos entre zombarias e sarcasmos. De repente, porém, apareceu-lhe um menino de rara beleza, levando nas pregas de seu manto três magníficas maçãs e três rosas de e fragrância.
- Eis aqui, disse, o que a virgem enviou-lhe da parte de seu esposo do céu.

Teófilo, estupefato, tomou as maçãs e contemplando-as um instante, exclamou:
- Verdadeiramente, Jesus Cristo é Deus, o Deus que não engana.

Fazendo esta confissão, Teófilo selava a sua sentença de morte. Algumas horas depois, conduziram-no ao suplício, tornando-se mártir da mesma fé católica de que antes zombara.


HEROÍSMO DE UM ANCIÃO

S. Policarpo, um dos grandes heróis da Igreja Católica, era bispo de Esmirna e discípulo de S. João Evangelista. Foi um dia detido por um piquete de soldados, os quais recebeu e tratou com muita caridade, convidando-os a se assentarem à sua mesa para a ceia.

Pediu-lhes depois lhe dessem tempo para encomendar a Deus, a Igreja e seus perseguidores. Feita a sua oração, pôs-se a caminho com os soldados, que o maltrataram cruelmente durante toda a viagem, pagando com violências os benefícios que lhes fizera o santo bispo.

Conduzido à presença do governador, quis este convencê-lo que era melhor sacrificar aos deuses e salvar a vida do que deixar-se martirizar. Falou-lhe assim:
- Venerável ancião, amaldiçoa a Cristo e eu te porei em liberdade.
- Faz oitenta anos que sirvo a Jesus Cristo e dele só tenho recebido favores e benefícios; por que, pois, haveria de amaldiçoá-lo?
- Se as feras não te dilacerarem, insistiu o governado - serás queimado vivo.
- Bem se vê que desconheceis o fogo eterno do inferno, e por isso me ameaça com o tormento do fogo terreno e passageiro.

Condenado à fogueira, o fogo, em vez de queimá-lo, formou uma como grinalda ao redor dele, não lhe causando o menor dano.

Atravessaram-no então com a espada e, assim, terminou gloriosamente a sua vida terrena o heróico confessor de Jesus Cristo e defensor intemerato da Santa Igreja.

Ver Quando a Vozes ainda era uma editora católica

quarta-feira, junho 03, 2009

Quando a Vozes ainda era uma editora católica

Caiu em minhas mãos um livro extraordinário. Intitula-se Tesouro de Exemplos (volume I) e seu autor é Pe. Francisco Alves. Foi publicado pela Vozes em 1958.

Pe. Francisco diz que “o propósito deste livro é oferecer a todos que têm a obrigação de educar a infância e a juventude um variado repertório de fatos verídicos ou verossímeis que, contados, movam seus ouvintes a julgar sãmente do seu valor moral e, por conseguinte, os disponham, à luz desses exemplos, a praticar o bem e evitar o mal.”

E os fatos narrados são extraordinários. Neste primeiro volume (não sei se há outros volumes) há 407 historinhas fabulosas. Apresento abaixo duas delas para o leitor ter uma idéia do conteúdo do livro.

Quem se interessar em fazer o downloado do livro clique aqui.


QUERO IR AONDE ESTÁ JESUS

Um pastor protestante, inclinado já ao catolicismo, foi um dia com sua filhinha em visita à capital da Inglaterra. A menina contava apenas cinco anos.

O pai levou-a primeiro a uma igreja católica e a atenção da pequena ficou muito tempo prêsa à lâmpada do Santíssimo.
- Papai, - disse - para que aquela lâmpadazinha?
- Filha, é para lembrar a presença de Jesus atrás daquela portinha dourada.
- Papai, eu quero ver Jesus!
- Filha, a porta está trancada e Ele está escondido debaixo de um véu, não o poderás ver.
- Ah! papai, quanto eu quisera ver Jesus! . . .

Saindo dali, entraram logo depois num templo protestante, onde não havia nem imagens, nem lâmpada nem sacrário.
- Papai, por que não há lâmpada aqui?
- Filhinha, é porque aqui não está Jesus.

Desde aquele dia a menina só falava na Igreja Católica. Nunca mais quis entrar num templo protestante, que para ela não tinha já nenhum atrativo. Perguntaram-lhe:
- Aonde queres ir, então?
- Quero ir aonde está Jesus.

O pastor ficou confundido e comovido. Compreendeu, como sua filha, que só se pode estar bem onde está Jesus. Havia de fazer-se católico, havia de abjurar sua seita e renunciar a uma renda de cem mil libras, de que vivia a sua família, e ver-se pobre de um dia para o outro.

Não obstante, pai e mãe se converteram ao catolicismo, dizendo com sua filha: "Queremos estar onde está Jesus"

O MEDO DO COROINHA

S. Pedro, chamado de Alcântara, pelo lugar onde nasceu (1499), entrou na Ordem dos Franciscanos com a idade de 16 anos. Foi um dos santos mais penitentes e favorecidos de Deus em seu tempo. S. Teresa de Ávila, que o conhecia de perto, conta-nos que S. Pedro passara 40 anos sem dormir mais de hora e meia por dia. O Santo não se deitava, mas ficava assentado com a cabeça encostada a um pau da parede. Essa foi a penitência
que mais sacrifícios lhe custou.Além disso, usava horríveis cilícios, passava às vezes três dias, e até oito, sem outro alimento que a Sagrada Comunhão. Em vista de tudo isso, não é de estranhar que se tenha elevado à mais alta contemplação, e Jesus o tenha favorecido com inefáveis carícias, mormente na missa e na sagrada comunhão.

Conta-se que, em certo convento, o coroinha, que ajudava na missa do Santo, era um menino inocente e bonzinho. Um dia, ao regressar a igreja, procurou o menino a sua mãe e disse-lhe:
- Mamãe, eu não quero mais ajudar à missa do Padre Pedro.
- Por que, meu filho, não hás de ajudar o Padre Pedro, que é um padre tão santo?
- Mamãe, ao ajudar-lhe a missa, várias vezes tenho visto um menino lindo, muito lindo, nas mãos dele; e, na hora da comunhão, ele come aquele menino. Mamãe, tenho medo que ele me coma também.

A mãe, que conhecia a santidade do Padre Pedro, compreendeu logo o mistério e disse:
- Não temas, meu filho; é o Menino Jesus que está na Hóstia . Que feliz és tu, que o vês com teus olhos inocentes!

Dali em diante o menino não teve mais medo e ajudava à missa do Santo com muito gosto e devoção.