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terça-feira, maio 22, 2012

Dom Adriano, o construtor de certa igreja


Recebo notícias de Manoel Carlos, leitor que não cansa de instigar o blogueiro a fazer comentários sobre os bispos modernos e modernistas brasileiros. Agora, Dom Adriano, o bispo de Floresta (ou da floresta?), tomou posse da Prelazia de São Felix no Araguaia, aquela prelazia do vermelho Casaldáliga.

O povo de Floresta (ou da floresta?) diz, numa tal de “celebração do envio”: “E seguindo um projeto sócio educativo transformador, buscamos construir uma Igreja que se volta para a transformação de estruturas, favorecendo os menores para ganhar o pão de cada dia em Projetos de geração de renda, com dignidade e experiência qualitativas. Uma Igreja que enfrenta os poderosos dizendo não à Transposição, à Instalação de Usina Nuclear, conscientes de que a vida do povo é primazia para o Projeto de Jesus.

É preciso dizer que o povo de Floresta está construindo uma igreja deles, não de Cristo. A de Cristo foi erigida por Ele, Deus Encarnado, Verbo de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Ele veio ao mundo para nos salvar, não para transformar estruturas; veio para nos salvar, apesar das estruturas. Ele veio numa época em que o Império Romano era A ESTRUTURA. Ele não falou nada contra o Império. Quando falou algo a respeito, disse: dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Quando à pobreza, disse que sempre a teríamos entre nós.

Uma coisa é certa: Ele enfrentou os poderosos; ah! isto Ele fez. Ele enfrentou os poderosos deste mundo e também o seu príncipe, o demônio. Ele enfrentou toda esta legião dizendo SIM ao amargo cálice da Paixão, dizendo SIM à vontade de Deus. Disse sim, na agonia no Jardim das Oliveiras, na sangrenta Flagelação, na Coroação de Espinhos, no Carregamento da Cruz e em Sua Crucificação. Foi assim que Ele enfrentou toda a legião dos inimigos de nossa salvação.

Diante disso, o que dizer de uma Igreja que enfrenta a Transposição, a instalação de usina nuclear, etc. Esta igreja é a igreja de Judas Escariotes, que esperava em Jesus um líder político que lutaria contra o jugo do Império Romano sobre Israel. E como Judas, o povo de Floresta está traindo Nosso Senhor, O está vendendo por 30 dinheiros; e o tal bispo Adriano deve estar muito feliz por ter um povo como este, que adora uma divindade rebaixada, que só vê os 30 dinheiros.

Agora ele vai para São Felix do Araguaia, alimentar essa estranha fé, que mais parece adoração demoníaca do que qualquer outra coisa. O povo de Floresta acena o adeus com estas palavras: “Vai, vai, missionário do Senhor, vai trabalhar na Messe com ardor. Cristo chegou para anunciar, não tenhas medo de evangelizar”. Mais preciso seria dizer: Vai, vai, companheiro de Marx, vai agitar as massas com furor. Karl chegou para proclamar, não tenhas medo de comunizar.

Este bispo tem origem nas famigeradas CEB’s, sobre as quais já escrevi aqui no blog alguns posts (aqui, aqui, e aqui, por exemplo) que talvez seja interessante ler.

Gostaria que o povo de Floresta lembrasse o fim trágico de Judas Escariotes e desistisse de lhe prestar culto. Que Deus, o verdadeiro Deus, abençoe a todos.

segunda-feira, maio 14, 2012

Sob as barbas de Dom Saburido,OSB.


Vocês sabem, OSB significa Ordem de São Bento, o Glorioso. E as barbas são de Dom Saburido, comentado no blog recentemente,  (aqui, aqui e aqui). Agora me chega uma notícia de Pernambuco, por meio do leitor Manoel Carlos.

Semana passada, a Universidade Católica de Pernambuco realizou uma semana de teologia sobre o Concílio Vaticano II: 50 anos, história e perspectivas. Da história nós sabemos. Das perspectivas, esperamos que não existam. Mas, enquanto isso, o pessoal de uma universidade que se diz católica, vai debatendo e vivendo o tal espírito do concílio.

Querem saber o que é viver o espírito do concílio? Bem, então pulemos os debates, pois debates acadêmicos são sempre uma perda de tempo. Passemos direto para as vivências. Vejam o anúncio: “O povo cristão do hemisfério sul do planeta celebra, entre os dias 20 e 27 de maio próximo, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Nessa ocasião, católicos romanos, luteranos, anglicanos, presbiterianos, ortodoxos e outras denominações irmãs colocam-se em oração na busca pela unidade das comunidades cristãs, tendo como lema ‘Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo’ (cf. 1 Cor 15, 51-58). No Recife, várias celebrações e reflexões estão sendo preparadas, sob coordenação geral da Associação Fraterna de Igrejas Cristãs.”

Duas observações me ocorrem. Eu achei muito charmosa e eficiente a expressão “e outras denominações irmãs”. Eficiente porque esta simples expressão convida pelos menos 30.000 denominações protestantes que existem por aí. Não sei se o povo pernambucano convive com tantos hereges assim, mas que elas existem, existem: são uma legião. A segunda observação é estes promotores da unidade dos cristãos querem, muito protestantemente usar São Paulo como um adepto do ecumenismo. É só ler a carta que o apóstolo escreveu aos efésios para desmentir esses hereges enrustidos.

Mas tem algo ainda mais grave e mais irônico. Um tal Grupo de Jornadas de Confiança e o Instituto Humanitas estão convidando para “jejum da sua eucaristia tradicional”, para “todas as quartas-feiras, entre 18h e 18h30, na Capela da Universidade” fazerem “uma celebração no estilo de Taizé, aberto a todas as denominações cristãs.” Ou seja, a Missa deixa de ser celebrada, daí o jejum da Eucaristia (palavra que eles escrevem com minúscula, muito significativamente). O mais grave é que eles falam de “eucaristia tradicional”, dando a entender que existe outra, a não tradicional, a que eles vão celebrar com os hereges. Eles atacam assim o ponto central de nossa Fé, a Presença Real.

O que é irônico é que eles cometem o que os freudianos chamam de ato falho, quando usa a palavrinha jejum. Admitem que os católicos, para se aproximarem dos hereges ecumenicamente, temos de abrir mão de Nosso Senhor Jesus Cristo, temos de nos afastar do Sacramento maior de nossa Fé. O que os católicos modernistas de Pernambuco estão admitindo, quer queiram, quer não, é que aproximar de protestante, sem o intuito de convertê-los à verdadeira Fé, é abrir mão de Cristo. E quem abre mão de Cristo, vai para o Inferno.

Em resumo, a Universidade Católica de Pernambuco, abrindo o diálogo com os hereges nos ensina (como é da natureza de uma universidade) o que todos os santos, todos os papas, todo o Depósito da Fé nos ensinaram até o Concílio Vaticano II: extra ecclesiam nulla salus.

segunda-feira, abril 23, 2012

50 anos de Vaticano II: Os bispos católicos ainda acreditam na Fé Católica?



Michael J. Matt
The Remnant Magazine
20 de abril de 2012
Tradução autorizada.

Lembra como a crença católica era descomplicada antes da Igreja ficar “sofisticada”? Os católicos geralmente aceitavam sem qualquer questionamento, não somente que Cristo está presente no Sacramento do Altar, mas também que Noé realmente construiu sua arca, que Jonas passou mesmo três dias dentro de uma baleia e que o Mar Vermelho de fato se lançou sobre as carruagens do faraó e de seus cocheiros, varrendo seu exército e com isso salvando o povo escolhido.

Até os relatos bíblicos acera da Criação apresentavam poucos obstáculos para os crentes: Deus criou o universo por amor. Ele viu que era bom e desejou partilhá-lo. Então Ele criou Adão a Sua imagem e semelhança. Ele deu aos nossos primeiros pais todas as graças, e então testou sua fidelidade a Ele. Eles falharam no teste e caíram em desgraça, levando junto a natureza. Pecado, doença e morte passaram a existir no mundo enquanto a serpente se arrastava para fora do Jardim do Éden.

Até crianças entendiam que o projeto de Deus havia sido totalmente abalado devido ao livre arbítrio de Homem em desobedece-Lo. Bebês são capazes de perceber que Deus não criou doença, sofrimento e morte, mas que estes foram resultado da desobediência do Homem. O pecado cometido por um homem que andava ao lado de Deus e que possuía a graça do entendimento trouxe um fim ao Paraíso criado por Deus.

Os católicos costumavam aceitar essas coisas pelo que são. Portanto, quando uma criança era atropelada e morta por um automóvel ao correr atrás de sua bola pela rua, por exemplo, seu pai não cerrava o punho, o erguia aos céus e culpava Deus por tê-la “matado”. Não, a criança simplesmente se esqueceu de olhar para os dois lados. Sua morte estava de acordo com a ordem natural. É por isso que pais ensinavam a seus filhos as normas de segurança em primeiro lugar, pelo fato de ser bem possível que pessoas – até mesmo crianças – sofressem ou morressem antes de sua hora. Com o suicídio se dá o mesmo. Deus não deseja que o homem se jogue da ponte por sobre as rochas abaixo. Mas Ele o permite, assim como permite o sofrimento da família desse homem, resultante de sua terrível decisão de acabar com a própria vida. Deus não “matou” o homem na ponte mais do que “matou” a menininha que correu atrás de sua bola no meio da rua.

Portanto, longe de culpar Deus pela existência de sofrimento no mundo, católicos sempre rezaram pedindo-Lhe proteção em caso de escolhas errôneas de sua parte, ou no caso de catástrofes naturais, como enchentes, terremotos ou acidentes de trânsito.

Não há nenhum grande mistério nisso. Nós imploramos pela intercessão dos santos e anjos de Deus todos os dias – não que seja provável que Deus mude de ideia e decida não nos matar naquele momento; mas que Ele, com Sua divina providencia, intervenha a nosso favor contra a frequentemente brutal mãe natureza. Estas intervenções celestiais são o que chamamos de milagres. E estes milagres oferecem provas adicionais de que não estamos sozinhos no mundo; que Deus está do nosso lado; que Ele não desistiu de nós, depois de nosso primeiro pecado, prometendo ainda um redentor Que renovaria todas as coisas. E para nos mostrar que ninguém está imune ao sofrimento trazido ao mundo consequente do pecado de Adão, Ele mesmo foi crucificado e morto e com isso ofereceu ao homem o sermão definitivo sobre o sofrimento redentor.

Tudo a respeito da salvação e de historia do mundo deve ser analisado sobre o prisma da Queda de Adão e Eva. Pecado original, sofrimento, morte, a Encarnação, o nascimento de uma Virgem, todos os Sacramentos, a Ressurreição, a Igreja Católica – tudo isso aconteceu porque Lúcifer não serviu e Adão não obedeceu. Remova Adão e Eva da história e o Catolicismo passa a ser tão sem sentido quanto um Deus que criou o sofrimento apenas por criar. Toda a Cristandade sabia que isso é verdade – Patriarcas, doutores, santos e mártirs ao longo da história. Isso era assim...

Não tenho palavras para descrever o quão ultrajado me senti essa semana ao assistir o Cardeal e Arcebispo de Sydney, Austrália – há rumores de que é um dos poucos na lista do próximo conclave e um “conservador” extraordinaire – hesitar e depois ser incisivo em afirmar que Adão e Eva nada mais são que construtos míticos, personagens fictícios de uma história religiosa contada com propósitos religiosos. Isso durante um debate entre o Cardeal George Pell e o ateu Richard Dawkins, transmitido pelo popular programa de televisão australiano Q&A. Disponível em www.youtube.com/watch?v=tD1QHO_AVZA

Claro, Sua Eminência admitiu que em algum ponto ao longo da escala evolutiva deve ter havido um “primeiro homem”, mas que esse primeiro homem veio de fato do macaco.

“Os humanos evoluíram de macacos?” perguntou o incrédulo Tony Jones, apresentador do debate do Q&A.

“Sim, provavelmente” replicou Pell “provavelmente – bem, dos neandertais.”

“Mas o senhor aceita que humanos evoluíram de não-humanos, então qual foi o momento em que a alma passou a existir?” perguntou Jones.

Cardeal Pell: “A alma é o principio da vida. A partir do momento em que a alma foi capaz de se comunicar é que surgiu o primeiro ser humano.”

Jones: “O senhor está sugerindo a existência do Jardim do Éden com Adão e Eva?”

“Bem, Adão e Eva são termos que significam ‘vida’ e ‘terra’. Como uma pessoa comum. É uma bela, sofisticada e mitológica narrativa. Não é ciência. Mas existe para nos contar duas ou três coisas. Primeiramente, que Deus criou o mundo e o universo. Em segundo lugar, que a chave para todo o universo são os humanos. E finalmente, é uma refinadíssima mitologia que tenta nos explicar o mal e o sofrimento no mundo... É uma historia religiosa contada com propósitos religiosos.”

Sempre que esses modernistas disformes e de miolo mole são salvos do fogo por um de nossos clérigos progressistas, de início, me estremeço e depois fico com a esperança de que o ateu sentado do outro lado da mesa não consiga aproveitar a deixa. Dawkins não a desperdiçou: “Ah, então, estou curioso para saber” retrucou o ateu, “Se Adão e Eva nunca existiram, de onde vem o Pecado Original?”

Exatamente, Sr. Dawkins! É tão simples que até um ateu entende. Ou o pobre Cardeal acredita que o Gênesis é uma narrativa mítica por inteiro ou está tão envergonhado por ele que se sente compelido a fingir que o Gênesis é verdade para impressionar um palerma como Richard Dawkins. Seja como for, a posição do Cardeal se confronta não somente com os ensinamentos de 1950 de Pio XII, em Humani Generis #37 (‘pecado original... procede do pecado real cometido pelo indivíduo Adão’), mas também com os mais recentes ensinamentos católicos encontrados no Catecismo da Igreja Católica, que cita repetidamente um Adão (e Eva) reais: cf. §374-375, 387, 377, 390, 399, 402-406, 416-417. Então qual é a real posição do Cardeal? Quem ele imaginou que convenceria com sua baboseira? O ateu reconheceu imediatamente a gafe teológica da analise do Gênesis; o verdadeiro católico ficou escandalizado; e o mulçumano saiu andando alegre ao testemunhar mais um líder católico dissipando o que sobrou da identidade católica.

Mas o Cardeal não havia terminado. Quando perguntado se ateus podem alcançar o paraíso, disse mais besteira: “sim, se bons e sinceros e em busca da verdade.” Mas quando o moderador lhe perguntou novamente, antes de prosseguir com outra pergunta, “Então o senhor está dizendo que um ateu pode de fato ir para o Paraíso?” As palavras finais de Pell foram enfáticas: “Com certeza. Com certeza.” (Sim ele repetiu a afirmação!)

Pell evidentemente adotou a teoria o “cristão anônimo” de Karl Rahner. Poucos, se não nenhum, entre os membros da plateia ou entre um milhão de telespectadores do programa não poderiam ter tido outra impressão senão que, segundo um dos líderes mais “conservadores” da Igreja Católica do mundo, não é preciso acreditar em nada para se salvar – ou seja, a fé não é necessária para a salvação! Pode-se imaginar que contra-testemunho para a Igreja e em relação ao Evangelho isto significou para vasto número de protestantes devotos que ainda enfatizam o papel da fé para a salvação, quase tanto quanto os católicos pré-Vaticano II então faziam.

Mas o Cardeal ainda não havia terminado. Quando perguntado a respeito do Inferno, ele adotou a notória esperança de Han Urs von Balthasar de um “Inferno vazio”. Ele disse que há um julgamento após a morte e sugeriu que talvez alguém como Hitler possa ir para o Inferno. Mas, novamente, sua palavra final foi esquerdista: Pell “espera” que ninguém de fato seja eternamente condenado. E o Cardeal não é louco – ele não esperaria por algo impossível. Então o que será que acontece com a afirmação de Nosso Senhor de que no dia do julgamento muitos quererão entrar, mas não poderão? E o que será que aconteceu com os ensinamentos de fide do Concílio de Trento, que dizem que a graça sobrenatural da fé é a sine qua non para a justificação? E quanto àquela visão de um Inferno abarrotado de almas de condenados que Nossa Senhora mostrou aos pastorzinhos de Fátima? Baboseira mitológica pré-Vaticano II, eu presumo.

Quando perguntado a respeito do “casamento” gay, Cardeal Pell evocou os usuais clichês de repúdio ao ódio aos homossexuais, mas continuou com a seguinte lorota: “Nós acreditamos que o casamento é entre um homem e uma mulher; para a continuidade da raça humana. Nós acreditamos que o homem e a mulher são feitos um para o outro espiritualmente, psicologicamente, fisicamente... Mas para dois homossexuais se casarem? Fazem muito bem e não há razoes para não o fazerem.”

Pode-se imaginar que o Cardeal simplesmente caiu de paraquedas nessa bagunça e precisa parar de aceitar convites para aparecer na TV, ou que suas reais intenções eram de diluir os ensinamentos da Igreja Católica a tal ponto que pudesse fazer, em comparação, o insuportável Richard Dawkins parecer um homem de visão e de ideias. A equipe de Dawkins muito provavelmente pagaria uma fortuna de 6 dígitos por tal liquidação a seu favor.

Resumindo, de acordo com o Cardeal Pell: o Homem realmente evoluiu do macaco, Adão e Eva não eram pessoas de verdade, o Gênesis é um mito, ateus certamente vão para o Paraíso, e homossexuais, longe de estarem vivendo uma vida de pecado, são perfeitamente livres para se casarem (seja lá o que isso possa significar!)

Como amigos dessa estirpe a frente de Sua Igreja, para que Deus precisa de inimigos?
Enquanto isso o Bispo Bernard Fellay se encontra a frente dos portões do Vaticano, de chapéu na mão, a espera de assinar um testemunho de ortodoxia antes de ser permitido entrar. Seus pecados? Bem, ele acredita que Deus criou nossos primeiros pais, que Adão e Eva eram pessoas de verdade, que o Gênesis não é meramente mitológico, que ateus e pessoas que odeiam a Deus dificilmente tem passagem garantida para o Paraíso, e que homossexuais são merecedores da acusação e do julgamento divino como qualquer outro pecador – homossexual ou heterossexual – que se engaje em uma conduta imoral e impenitente.

Fecho esta lamentação com o primeiro comentário postado no YouTube abaixo do vídeo do debate Pell-Dawkins – que, só pra constar, foi assistido 76.776 vezes até agora, número que não se compara com os milhões que o assistiram ao vivo:

“É-me desconcertante ver como a hierarquia católica pode conceder que a maioria das histórias bíblicas seja mito, mesmo continuando a ensina-las como fato nas aulas de catecismo aos domingos, nas escolas católicas e nas igrejas. A única parte da bíblia em que a Igreja Católica se mostra intransigente é quanto a morte e ressureição de Cristo. Se até os católicos mais velhos não acreditam em 99% da bíblia, por que devemos acreditar?”

De fato! Bem vindo à Primavera do Vaticano II.

domingo, abril 01, 2012

Dom Saburido, OSB. Como doem estas três últimas letrinhas!

Há que coisas que doem, doem até a alma. Um bispo da Igreja – um seguidor dos apóstolos, um indivíduo que após o nome tem um OSB, que já deve ter lido a Regra do Glorioso Patriarca São Bento – dizendo coisas que disse o arcebispo de Olinda e Recife, esta é uma coisa que faz doer a alma. Faz-nos rezar ainda com mais ardor em reparação ao Coração Imaculado de Maria e do Sacratíssimo Coração de Nosso Senhor.

O bispo recebeu a Medalha do Mérito Democrático Frei Caneca e fez um discurso, que em seu início elogia o patrono da medalha. Diz ele: “Com suas propostas liberais, narram os historiadores, Frei Caneca partilhava igualmente ideias republicanas e fazia parte da Academia do Paraíso, onde se reuniam os homens que, sob influência da Revolução Francesa e da independência dos Estados Unidos da América, alimentavam uma conspiração contra o jugo português.” Será que o bispo se refere àquela revolução que pendurou uma prostituta numa cruz em pela Notre Dame, que proclamou a Constituição Civil do Clero, que invadiu mosteiros e conventos, que matou padres e freiras aos magotes, que instituiu um calendário civil no lugar do calendário litúrgico e que, apenas um detalhe, transformou a guilhotina em item de primeira necessidade da França, França que um dia foi considerada a “filha mais velha da Igreja”? Sobre frei Caneca, colho de uma tal Revista Universo Maçônico, o seguinte: “O nosso querido Irmão, Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, merece ser honrado, no panteão dos heróis nacionais, como o primeiro mártir da Constituição na História do Brasil.”

Todo o discurso é um testamento liberal, maçônico, anticatólico, comunista. E não posso deixar de citar São Bento e sua regra, que no capítulo I, descreve os quatro tipos de monge. O terceiro tipo não me sai da cabeça (os negritos são meus): 

O terceiro gênero de monges, e detestável, é o dos sarabaítas, que, não tendo sido provados, como o ouro na fornalha, por nenhuma regra, mestra pela experiência, mas amolecidos como numa natureza de chumbo, conservam-se por suas obras fiéis ao século, e são conhecidos por mentir a Deus pela tonsura. São aqueles que se encerram dois ou três ou mesmo sozinhos, sem pastor, não nos apriscos do Senhor, mas nos seus próprios; a satisfação dos desejos é para eles lei, visto que tudo quanto julgam dever fazer ou preferem, chamam de santo, e o que não desejam reputam ilícito.

Este bispo precisa ser chamado urgentemente por Bento XVI para assinar um preâmbulo doutrinal, como aquele apresentado à FSSPX!

Que a dor que sentimos em ver tais coisas seja oferecida a Nosso Senhor, sobretudo nesta Semana Maior da Fé Católica que começamos hoje a viver! E rezemos, rezemos muito, em desagravo ao Sacratíssimo Coração do Crucificado. 

Voltemo-nos para São José e peçamos:

Protegei, ó guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo; afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício; assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus das ciladas dos seus inimigos e contra toda a adversidade.

E finalmente, roguemos: 

Glorioso Patriarca São Bento, rogai por nós!

quinta-feira, março 22, 2012

50 Anos de Concilio Vaticano II: o mal que faz um herege sedutor.

Nota do blog

Vai abaixo o relato emocionado de uma leitora, a quem conheço pessoalmente e que sofreu, na pele, a heresia do heresiarca Frei Cláudio. Heresia, como vocês podem ver, é coisa muito concreta, muito real e faz um mal tremendo à alma. É uma doença de alma, uma luta infindável contra Cristo e sua Igreja que causa um desassossego de alma que acompanha as almas no Inferno. O frei destila sua heresia em seus escritos, que são uma mistura de tudo que o Papa Pio X, na sua encíclica Pascendi, denominou modernismo. O toque latino americano desta heresia é o submarxismo de botequim, por causa da influência da teologia da embromação.

Minha frase preferida dos escritos heréticos é: “Quem faz de Deus a voz de sua consciência comete um reducionismo ético”. Toda a doutrina da Igreja, todo o Antigo Testamento, todas as palavras de Cristo, todos os Padres gregos e latinos, afirmam, contra o frei, que: quem não faz Deus a voz de sua consciência, faz dela a morada do demônio. Comparemos, por exemplo, a afirmação demoníaca do herege da Igreja de Nossa Senhora do Carmo com o lamento piedoso de Georges Bernanos: "Mas qual é o peso de nossas chances, para nós que aceitamos, de uma vez por todas, a assustadora presença do divino em cada instante de nossas pobres vidas?" E ainda: "Eis-me despojado, Senhor, como somente vós sabeis despojar, pois nada escapa à vossa temível solicitude, ao vosso temível amor." Eis o reducionismo que todo católico é obrigado a viver; reducionismo que amplia, reducionismo que eleva, reducionismo que nos leva mais próximo do Criador de todas as coisas, do céu e da terra. Como não concordar com São Paulo, quando diz que a Cruz é escândalo para uns e loucura para outros.

Há muita frase significativa da heresia do tal frei; podem escolher do menu. Agradeço de coração a mensagem da leitora, que nos ajuda a entender e a fugir destes fautores do erro!
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Olá, Prof. Angueth!

Se eu lesse o seu post há um ano estaria passando mal, ou melhor, teria tido um 'treco', tamanha a minha ira e raiva contra frei Cláudio. Este espaço não seria suficiente para os impropérios que lançaria contra este Frei que me desterrou de minha paróquia, machucou os meus ouvidos e me fez sofrer muito nos domingos em que participei do espetáculo grotesco que ele proporciona. Quanta lentidão para perceber a transformação do Frei e da Igreja do Carmo.

Gostaria de transcrever algumas palavras publicadas em um livrinho denominado “Avaliações: resultado da busca”, lançado em 1999 pela Editora O Lutador, por ocasião da comemoração dos seus 40 anos de sacerdote. Creio que o pensamento de Frei Cláudio evoluiu, pois em 1999 ele não era nem a metade do ‘radical’ que é hoje (veja o verso sobre o aborto). Aí vão os versos que considerei representarem o seu lado mais polêmico em 1999 (ipsis literis):

Sobre a Igreja, a fé e a religião:

“Quando o clero representa o Papa pode trair Jesus por negar vida e povo.”
“A Religião abandona as pessoas quando descuida dos sinais dos tempos”.
“Como é fatal construir um prédio em cima de alguns sacos de areia, assim objetos e ritos não são garantia automática de crescimento espiritual”.
“Na vida religiosa, estruturas obtusas são convite a exclusão”.
“Como riso jocoso é capaz de diluir tensões em experiências adversas, assim a fé lúcida pode impedir que sejamos imobilizados por passiva resignação”.
“Como não há nada mais socializado que o amor de Deus, assim o culto à ortodoxia tem gerado a globalização do mais cruel desrespeito”.
“O convertido é um apóstata que acumulou amargor pela crença que deixou.”
“No anúncio da Boa Nova há crostas culturais que paralisam as asas do Espírito.”
“Ninguém precisa prostrar-se; em Jesus, Deus se ajoelha diante do homem”.
“Pecado original, em sua essência, é abdicação de responsabilidade individual”.
“Marca da religião de rigor: fazer todos saberem que não passam de pecadores”.
“No secular balbuciar da Igreja ressoavam morte, sofrimento, castigo e sacrifício”.
“Mais do que outras instituições, a Igreja teima em manter uma sociedade desigual”.
“Como a larva precisa do casulo e depois o abandona para voar como borboleta, assim nós precisamos também da tradição a fim de ultrapassá-la e crescermos”.
“Como o governo iraniano julga não poder tornar sem valor a ‘fatwa’ (sentença de morte), assim a Igreja recusa a rever a doutrina do Pecado Original.”
“Selvageria maior é invocar um Deus que aplica exclusão às suas criaturas”.
“Infalibilidade do Papa parece isto: ele, sozinho, sabe o que todos ignoram”.
“Não há revelação senão numa situação histórica questionada e questionadora”.
“Rezar muito é necessário quando não se quer absolutamente melhorar.”

Sobre mulheres (E viva o 8 de março!):

terça-feira, março 20, 2012

50 Anos de Concilio Vaticano II: livros que foram lançados recentemente.

Há pouco tempo, escrevi sobre importantes livros sobre o Concílio Vaticano II que ainda não foram traduzidos para o português. Escrevo agora para registrar o lançamento de dois livros importantíssimos sobre a crise da Igreja, ambos traduzidos e lançados por editoras católicas brasileiras. Sim, temos editoras católicas por aqui. Não são a Vozes e a Paulus, obviamente.

São eles:

Catecismo Católico da Crise na Igreja, de Pe. Matthias Budron (FSSPX), Editora Permanência, 2011;

Concílio Ecumênico Vaticano II - Um debate a ser feito, de Mons. Brunero Gherardini, Editora Pinus, 2011.

O livro de Pe. Matthias Budron é fundamental a quem quer entender a crise da Igreja, é um Iota Unum resumido, sem a profundidade deste, mas muitíssimo claro e fundamentado.

O livro de Mons. Gherardini é importante pois é a opinião de um prelado muito bem posicionado na Cúria Romana e um homem próximo a Bento XVI.

 

Ficam aí as sugestões para os leitores.

terça-feira, março 06, 2012

50 Anos de Concilio Vaticano II. Frei Cláudio: Um herege em plena atividade.

Nota: Hilaire Belloc, em seu livro As Grandes Heresias, diz: “Hoje, para muitas pessoas, a palavra “heresia” tem a conotação de querelas passadas e esquecidas.” Ele escrevia na década de 1930. Hoje, para quem tem um mínimo de noção da situação em que se encontra a Igreja de Cristo, não existe palavra mais moderna que heresia. Vemos hereges escrevendo livros (e vendendo milhões), fazendo programas de televisão em canais ditos católicos, em nossas famílias e os vemos, infelizmente, nos púlpitos de nossas Igrejas. Quando lemos as histórias da heresia ariana, ficamos sabendo que as Igrejas foram tomadas, no século IV, por padres e bispos hereges, que passaram a professar a terrível heresia de Ário, que negava a Divindade de Nosso Senhor. Hoje, pelo menos sob o ponto de vista histórico, somos privilegiados, pois podemos ver a mesma coisa ocorrendo debaixo de nossos narizes. É uma lição histórica terrível e inesquecível. O caso mais notório, na minha cidade, é de um tal de frei Cláudio, que celebra missas animadas e lotadas de gente e espalha o hálito maléfico e satânico de várias heresias. Segue abaixo, um relato de um amigo de meu filho, o Rafael Macedo, que me autorizou publicar o texto e divulgar o seu nome. Vocês poderão perceber como é a ação de um herege em plena atividade. Há um link no texto para o folheto que é distribuído e as heresias que vão impressas. Este homem é um herege formal e não tem a menor condição de celebrar Missa. Fujam dele, quanto possam, vocês que o assistem, pelo amor a Jesus Cristo e a Virgem Maria. A coisa é toda muito clara e não precisa de muita explicação. Que Deus tenha piedade dos fiéis que assistem às Missas desse herege e inimigo de Cristo!


Neste último domingo (26/02), tive a experiência de assistir a uma Missa do Frei Cláudio, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

Na verdade, acordei pela manhã achando que, pela primeira vez, levaria meu irmão mais velho à Missa Tridentina, como havíamos combinado na noite anterior. Mas ele e minha mãe se manifestaram querendo uma missa "mais animada". Mesmo depois de tentar convencê-los a ir conhecer a Missa de sempre, estavam decididos a ir à Missa nova mesmo.

Então, com o pensamento de que "é melhor uma Missa nova para o meu irmão do que nenhuma" concordei. Foi então que minha mãe me falou: "Vamos à Missa na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Ouvi falar que o padre de lá é ótimo; super crítico e moderno! Tive excelentes recomendações dele."

Mais uma vez meus conselhos e admoestações sobre Frei Cláudio e a modernidade na Santa Missa foram em vão. Estávamos decididos a "colocar a mão no fogo para ver se arde mesmo!"

Então chegamos à Igreja para a Missa das 11h. Como chegamos cedo, a Igreja não estava tão cheia. Por coincidência, uma senhora da organização me chamou para fazer a primeira leitura. Para não ser indelicado, aceitei. Então fui levado à sacristia e conheci pessoalmente Frei Cláudio. Ele é um senhor que parece ser estrangeiro, de idade, bem alto e que parece ser muito brincalhão. Preferi não ficar de muito "papo" com ele e me limitar a apenas escutar suas instruções sobre a leitura que eu faria.

No começo da celebração me surpreendi com o jeito inusitado como ele iniciou a missa. Com o microfone de boca instalado em seu rosto, subiu o altar, cumprimentou os fiéis com um entusiasmado "Bom dia!" e começou a fazer um resumo do evangelho que seria lido, tudo isso parecendo um showzinho, cheio de piadas que faziam todos darem boas risadas. 

Algo que achei bem incomum na Missa ali celebrada, é que, como se pode ver no folheto, a todo momento, inclusive durante a leitura da Palavra, existem trechos em negrito em que os fiéis é que falam. Destaco um texto presente no final do verso do folheto, de autoria do frei, que achei "bem estranho".

Mas a parte da Missa que mais me surpreendeu e me motivou a pegar um papel e caneta para fazer minhas anotações foi a homilia.

O Frei Cláudio já começou falando que a Arca de Noé NUNCA EXISTIU. Que aquilo narrado na primeira leitura não passa de uma bonita parábola. Inclusive ele salientou que boa parte das histórias narradas na Bíblia são apenas parábolas. Ele até brincou: "Gente, tem cientista maluco por aí cavando achando que vai encontrar restos da Arca! (Risadas) Vocês não acham mesmo que eles vão encontrar o lobo mau enterrado lá, né!? (Mais Risadas)".

O arco-íris, que na Palavra é descrito como sinal da Aliança de Deus, e só, foi comentado pelo frei da seguinte forma: "Aqui na primeira leitura, o arco-íris é mostrado como um sinal da Aliança, mas na verdade, como todos sabemos, ele é apenas um fenômeno natural. Como as pessoas da época não tinham conhecimento de ciência, elas o descreviam dessa forma."

Continuando na série de falas preocupantes de sacerdote, ele afirmou categoricamente que o Satanás a que o Santo Evangelho se refere como aquele que tentou Nosso Senhor no deserto NÃO EXISTE, e que no fundo somos nós mesmos.

Após isso continuou sua homilia centrando sua fala especialmente em questões políticas e sociais, falando até da lei "Ficha Limpa".

Numa hora em que ele estava falando de planejamento familiar, me chamou a atenção uma fala dele: "Tudo bem que um casal possa ter 1, 2, 3 ou 4 filhos, mas 10 filhos já vira um problema não só da família né, já vira um problema social! Ter filhos, acima de tudo, exige muita responsabilidade!".

Continuando na abordagem dos problemas sociais do Brasil, ele fala: "Muitas pessoas me perguntam: Padre, nos dias de hoje você seria padre?". Ele coçou a cabeça num tom bem irônico e a "plateia" mais uma vez deu boas gargalhadas. Nessa hora fiquei chateado, pois quantas vocações ele pode ter desencorajado com essa fala!

Minha mãe e meu irmão mais velho andam com uma posição bastante modernista e mundana em relação à Igreja. Porém, até eles mesmos perceberam a bagunça generalizada que é a Missa celebrada pelo frei. Por exemplo, simplesmente não há hora certa para ajoelhar-se, levantar-se e sentar-se. Cada hora uma parte dos fiéis está de um jeito. Se até meu irmão, que já tinha um bom tempo que não ia a uma Missa reparou tal fato, é que a situação ali está complicada! Na saída da Igreja, minha mãe me falou: "É filho, só vindo aqui mesmo que nós saberíamos que a Missa é desse jeito!".

Concluindo, assistir à celebração eucarística do frei Cláudio me fez perceber o quão grave é a crise pela qual nossa Santa Igreja passa. O fator mais agravante de todos, na minha opinião, é que essa foi a missa matinal de domingo mais lotada que eu já presenciei em BH! Quantas pessoas desinformadas não estão tomando como verdade os diversos erros proferidos pelo frei?

No mais, espero ter contribuído para que os problemas presentes na Paróquia do Carmo sejam divulgados e, se Deus quiser, vistos por muitos!

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

50 anos de Concílio Vaticano II. Em Betim, missa afro pode, Missa Tridentina, não.

Nota: Vejam abaixo relato (de Raphael Horta) da situação lastimável do clero do Concílio Vaticano II. Permitem missa (com letra minúscula mesmo) afro, cristoteca, etc. Quanto pedem a Missa Tridentina, aquela que é celebrada a 1500 anos pela Igreja, aí eles dizem não. Quando um grupo de católicos leigos se movimentam para conseguir a Missa, proibem a entrada deles em qualquer Igreja para fazer apostolado. Vergonha, desobediência (ao Papa) e injúria a Nosso Senhor!

O papa São Pio X, na encíclica Pascendi Dominicis Gregis já nos alertava que,

os fautores do erro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos”; e que 

“muitos membros do laicato católico e também, coisa ainda mais para lastimar, a não poucos do clero que, fingindo amor à Igreja e sem nenhum sólido conhecimento de filosofia e teologia, mas, embebidos antes das teorias envenenadas dos inimigos da Igreja, blasonam, postergando todo o comedimento, de reformadores da mesma Igreja; e cerrando ousadamente fileiras se atiram sobre tudo o que há de mais santo na obra de Cristo, sem pouparem sequer a mesma pessoa do divino Redentor que, com audácia sacrílega, rebaixam à craveira de um puro e simples homem”; e ainda

“os mais perigosos inimigos da Igreja. Estes, em verdade, como disseram, não já fora, mas dentro da Igreja, tramam seus perniciosos conselhos”;

Infelizmente, como dizia o Santo Padre, os piores inimigos da Igreja se encontram, ocultos dentro Dela; fingindo amor e zelo, destilam suas doutrinas cheias de veneno e heresias.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

50 anos de Vaticano II: Dom Mayer nos ajuda a entender a confusão II.

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Vigário de Cristo
Monitor Campista, 17/10/1982
O Pensamento de Dom Antônio Castro Mayer: textos selecionados (1972-1989)
Editora Permanência, 2010.
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É como identificamos o Papa. Assim o definem concílios, como o de Florença e o Primeiro do Vaticano.

Como Vigário de Jesus Cristo, o Papa é o chefe da Igreja. Jesus edificou sua Igreja sobre a rocha de Pedro, e o Papa é o sucessor de São Pedro no cargo de Chefe. Daí a frase ubi Petrus ibi Ecclesia, para dizer que onde está o Papa aí está a Igreja. Eis que o Primeiro Concílio do Vaticano destaca que ao Papa se deve obediência não somente nas questões de Fé e Costumes, mas também nas relativas à disciplina e ao governo da Igreja, e declara que na comunhão com o Papa conservamos a união com a Igreja.

Com efeito, o Papa é essencialmente o Vigário de Jesus Cristo. Em outras palavras, ele assume a Pessoa de Jesus Cristo. Ele faz suas vezes. Deve-se-lhe o acatamento e a obediência que se presta a Jesus Cristo, de quem ele representa o Seu poder, porém, sua jurisdição é vicária. De si, ela é de Jesus Cristo, pois como escrevia o Papa Inocência III ao Patriarca de Constantinopla em 12 de novembro de 1199, “o primeiro e precípuo fundamento da Igreja é Jesus Cristo”. O Divino Salvador, no entanto, confiou seu poder ao Papa: “Como meu Pai me enviou, Eu vos envio” – disse Ele aos apóstolos, especialmente ao chefe deles, São Pedro. Esta outorga foi de modo permanente, e para sempre, para que o Papa o exerça em seu lugar, fazendo-lhes as vezes, vices eius gerens.

Este aspecto é essencial ao papado. Não pode ser olvidado. Seu esquecimento pode ter nefastas conseqüências. Pode levar a pessoa a pensar que o Papa é o dono da Igreja, que pode fazer o que quiser, mandar e desmandar o que melhor lhe pareça, estando os fiéis obrigados sempre a simplesmente obedecer. Refletindo um pouco, vê-se que esta concepção atribui ao Papa a onisciência e a onipotência que são atributos exclusivos de Deus. Outra coisa não faz a idolatria que transfere à criatura o que é peculiar à divindade.

Por esse motivo, o Primeiro Concílio do Vaticano, ao definir os poderes do Papa, tomou o cuidado de definir também sua finalidade e seus limites. Deve o Papa conservar intacta a Igreja de Cristo, através da qual o Divino Salvador torna perene sua obra de salvação. Manterá, pois, a estrutura da Santa Igreja como o Senhor a constitui, e velará para conservar e transmitir intacta a Fé e a Moral recebida da Tradição Apostólica. Para este fim e dentro destes limites, goza o Papa da assistência divina que lhe assegura a impossibilidade de errar e desorientar os fiéis sempre que definir um ponto de Fé e Moral.

Não é despropósito pensar que, precisamente para fixar bem o poder vigário do Papa, tenha a Providência permitido que, no trono de São Pedro, se tenha assentado indivíduos em cuja doutrina e/ou procedimento encontram-se pontos gravemente prejudiciais à Fé e/ou à Moral. Não ensinavam com sua autoridade suprema e definindo matéria de Fé, ou davam mau exemplo com seu modo de proceder. Explica-se assim o julgamento emitido sobre Honório I quer pelo Terceiro Concílio de Constantinopla, quer por São Leão II, ou seja, que ele (Honório I) “com profana traição permitiu que se maculasse a imaculada Fé desta Igreja Apostólica”. E de modo semelhante, verificaram-se fatos dolorosos na História da Igreja.

Resistir a tais ensinamentos e maus exemplos não é recusar a obediência ao Papa, ou à sua pessoa. Quem assim procede conserva sua adesão ao Vigário de Jesus Cristo. E é somente como Vigário de Jesus Cristo que o Papa é dotado de poderes e jurisdição em toda a Igreja. De onde os padres de Campos, ao recusarem a nova missa não estão recusando nem João Paulo II, nem a Comunhão com toda a Igreja, uma vez que a nova missa é prejudicial à Fé, pois, entre outros pontos, na sua ambigüidade, não se destaca suficientemente da heresia protestante.

segunda-feira, novembro 28, 2011

50 anos de Vaticano II: Dom Mayer nos ajuda a entender a confusão.

Muitos, mais jovens, talvez nunca tenham ouvido um bispo de verdade, um bispo falando “sim sim não não” (Mt.5,37), um bispo que fosse um digno sucessor dos apóstolos, um bispo que não dissesse por exemplo: “A gente não pode dizer que só se salvam aqueles que são católicos”. Ou, se quiserem mais um exemplo, este do Arcebispo de Belo Horizonte, vejam este artigo. Pode haver coisa mais dúbia, mais “talvez talvez”? Uma frase apenas: “Ser bom é ser honesto. É alavancar projetos que produzem vida e fecundam a cidadania com valores, que não se reduzem às posses.”

Bem, esta é a fala atual de nossos bispos; quando não pastosa, francamente herética. Não assim com Dom Antônio Castro Mayer, bispo de Campos e um grande homem de Deus. Nas décadas de 1970 e 1980, o pastor procurou ensinar suas ovelhas tudo sobre a crise conciliar e sobre a sua dimensão. Ensinar de modo simples, de modo claro, de modo preciso; estes os objetivos de Dom Mayer. Abaixo transcrevo um de seus textos em que ele explica a relação do Papa com a Igreja. Faço isso em conexão com recentes discussões no blog a respeito do assunto.

Insisto com os leitores que a crise é grande, complexa e de difícil compreensão, pois envolve discussões doutrinárias e teológicas de peso. Já comentei uma lista de livros que dá ao leitor a correta compreensão da crise. Aos pouquinhos, vou publicando alguns artigos de Dom Mayer para clarear a confusão na cabeça de muitos.

Note, sobre o artigo que vai abaixo, que ele é anterior ao famigerado Encontro de Assis de 1986, que tanto escândalo provocou na Igreja, mas menciona o já então evidente “interconfessionalismo” de João Paulo II.

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Papa-Igreja
Monitor Campista, 22/07/1984
O Pensamento de Dom Antônio Castro Mayer: textos selecionados (1972-1989)
Editora Permanência, 2010.
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Os aforismos são uma espécie de comprimidos. Concentram numa frase curta todo um corpo de doutrina. Mas, por seu próprio laconismo, podem dar margem a concepções errôneas. Em Eclesiologia, é conhecido o adágio ubi Petrus ibi Ecclesia – onde Pedro, aí a Igreja – que se completa com outro, ubi Papa, Petrus – onde o Papa, aí Pedro. Estas duas simples expressões compendiam a Revelação sobre a Igreja de Deus, constante das palavras proferidas por Jesus Cristo, em Cesaréia de Felipe: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” acrescidas destas outras ditas pelo Salvador, ao se despedir dos apóstolos: “Eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt. 28, 30).

Nem sempre se atenta para o significado preciso dos termos Pedro e Papa. Esta negligência pode levar a conclusões absurdas. Se, sem atenuante alguma, identifica-se a pessoa física de Pedro com a rocha, sobre a qual Jesus edificou a sua Igreja, de maneira que sempre onde se tivesse a pessoa física do Príncipe dos Apóstolos aí estivesse a Igreja, chegar-se-ia à conclusão que, já no seu nascedouro, a Igreja teria apostatado de sua pedra angular, Cristo Jesus. Pois foi, conforme narra São Marcos (14, 71), o que fez São Pedro, amedrontado pela porteira do Sinédrio quando ali compareceu o Divino Mestre, preso diante de Anás e Caifás. E São Pedro apostatou de maneira solene: com juramentos e anátemas!

A conclusão semelhante se chega, se se admite, de modo absoluto, que onde está o Papa, aí está Pedro, aí está a Igreja. A grande prerrogativa do Papa, como chefe da Igreja, é a infalibilidade. Ora, a infalibilidade não torna o Papa impecável, e ela está sujeita a umas condições que, uma vez não verificadas, deixam o Sumo Pontífice sujeito aos azares da fragilidade humana; de maneira que, mesmo agindo como Papa, pode enganar-se e levar outros ao erro. Cita-se, neste ponto, a atitude de São Pedro, repreendido publicamente por São Paulo, porque Antioquia, então, era a sede primacial da Igreja (daí é que ela passou para Roma). Mais concludente é o exemplo de Honório I, Papa de 625 a 638, que foi censurado pelo Terceiro Concílio de Constantinopla (DS. 552) e pelo Papa São Leão II porque “(...) permitiu, por uma profana traição, que se maculasse a imaculada Fé desta Igreja apostólica” (DS. 563 [grifo nosso]).

Estas reflexões, tenha-as o fiel presentes, especialmente nos dias que correm, em que o Concílio Vaticano II teria aberto uma “nova etapa” para a Igreja, do conúbio amigável com a heresia! Servem também para elidir as acusações, fruto da ignorância ou má fé, ou de ambas, contra os que rejeitam o interconfessionalismo de João Paulo II, porque crêem no dogma da Fé: fora da Igreja não há salvação (Conc. Latrão IV, DS. 802).

terça-feira, novembro 08, 2011

De Imitatione Christi: as lições de um acadêmico do século XXI.

Pois é. Eu renovo toda vez minha disposição de não ler prefácios e introduções de obras religiosas antigas editadas pela Vozes, Paulus, Loyola, etc. (Vejam aqui um dos comentários que fiz sobre isso.) Nunca tenho a disciplina para cumprir o meu objetivo inicial. Aconteceu de novo. Comprei Imitação de Cristo com os comentários e orações de São Francisco de Sales, Editora Vozes, 2ª edição, 2011. Herdei um exemplar deste livro de meu pai; Editora Paulinas, 1958, tradução, da década de 1930, de Pe. José Maria Cabral. Comprei a edição moderna pelos comentários do santo.

Não li o livro ainda, nem sequer o folheei, porque cometi o erro de ler a Apresentação da obra, de autoria de Faustino Teixeira. O Sr. Faustino, devo dizer Dr. Faustino, é professor da UFJF e está ligado ao PPCIR. Também não sabia o que era PPCIR e olhei no Google: Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião. A área do professor é teologia das religiões, diálogo inter-religioso e mística comparada. Suspeito que ele faça parte da linha de pesquisa Religião e Diálogo, que possui os seguintes projetos: Pluralismo e diálogo, Ecumenismo, Buscadores do diálogo, Estudos de mística cristã e islâmica, Religião e laicidade, Religiões e filosofias da Índia. Achei charmosíssimo o projeto “buscadores de diálogo”; que coisa mais moderna, mais século XXI!

Mas, vamos em frente! O que nos diz o Dr. Faustino na sua peça de apresentação do extraordinário livro de Kempis. O leitor fica informado de várias coisas surpreendentes ao ler as três páginas da apresentação. Por exemplo, o doutor nos conta que o livro Imitação de Cristo é obra da Idade Média. Ai, meu Jesus Cristo! Toda vez que leio o que dizem da Idade Média, fico com urticária. Os povos de tal época, segundo Dr. Faustino e “grandes historiadores” que ele cita, cultivavam grandes medos: medo da miséria, do além, do outro, da violência e das catástrofes. Ele nos diz ainda que “a questão da morte dominava as consciências, e junto a ela a consciência da impotência da consciência humana. Como desembaraçar-se de sua terrível situação sem a ajuda de Deus?” O que nos faz responder com um suspiro: é mesmo, como? Mas esses medievais, como eram primitivos esses povos! Nós, por exemplo, não temos mais medo da miséria, do além, do outro, da violência e das catástrofes. Não, nós somos seres do século XXI; onde já se viu? Hoje, temos medos muito mais sofisticados: da AIDS, do aquecimento global, do colesterol, do triglicérides, de comer gordura, de comer açúcar, de não freqüentar uma academia (que hoje, no ilustrado século XXI, significa uma sala com um punhado de aparelhos de ginástica), de fumar, de tomar cerveja, de ser politicamente incorreto, da água do mundo acabar (ela vai evaporar um dia e não vai voltar mais!), das sacolas plásticas de supermercado, de ficar velho e não poder fazer uma cirurgia plástica, de... Mas, medo da morte? Quem tem medo da morte? Hoje, não se fala mais nisso; é assunto proibido. Isso era importante só na Idade Média. Hum, aqueles medievais!

Hoje nós temos opções: podemos ser espíritas e acreditar que quando morrermos, vamos para um lugar lindo, uma cidade ou uma fazenda, ficaremos vivendo lá até reencarnarmos de novo. De vez em quando, damos uma fugidinha e visitamos alguns que estão ainda vivos. Podemos ser budistas e teremos o objetivo de, depois de muitas encarnações, entrarmos no Nivarna, que é literalmente NADA. Não teremos o medo da morte e almejaremos o NADA; não é muito mais ilustrado que a atitude medieval de temer a morte? Poderemos nos converter ao Islã e ter um Deus irracional, que nos subjugará para sempre. Hoje temos opções, somos homens do diálogo.

Mas, vamos em frente, guiados por Dr. Faustino. Ele nos diz que a respostas desses traumas, desses medos medievais foi a busca da interioridade e que a Imitação de Cristo expressa isso. Resumindo: Kempis era um medroso e por isso se recolheu e escreveu o livro.

Dr. Faustino ainda nos alerta para uma coisa que ninguém deve ter percebido antes: o acentuado traço cristocêntrico da obra. Uau! É de tirar o fôlego! Então a Imitação de Cristo é uma obra cristocêntrica!? Ele diz: “no Livro II vem reforçada a piedade cristocêntrica...” É incrível.

Mas não é só. O doutor nos informa: “a espiritualidade presente na obra Imitação de Cristo é a expressão de uma época, tendo iluminado a dinâmica litúrgica de um tempo que sofreu inúmeras modificações.” Esta frase vem terminada com uma nota de rodapé que nos informa que as orações diversas contidas na edição francesa da obra com os comentários de São Francisco de Sales são mantidas “com o intuito de conservar uma memória, ainda que o seu conteúdo seja próprio de uma época anterior ao Vaticano II.”

Bem, vamos por partes. Kempis viveu nos Países Baixos sob a influência de um misticismo proveniente da Alemanha, principalmente de Mestre Eckhart, João Tauler e Henrique Suso. As idéias de Eckhart foram condenadas por João XXII, dois anos após sua morte. Há traços de panteísmo e gnose nas idéias de Eckhart, principalmente sua idéia de uma centelha divina habitando no interior do homem.[1] Será então que é possível afirmar que De Imitatione Christi é caudatária desse caldo cultural. A julgar pelas evidências históricas e pela opinião de grandes historiadores, um dos quais citados pelo Dr. Faustino, isto é exatamente o que esse livro não é. Um dos historiadores citados na apresentação em tela é Johan Huizinga e sua obra O Outono da Idade Média. Vamos ver o que Huizinga tem a dizer do livro (pag. 369-370, Ed. Cosacnaify, 2010).

“Porém é desses círculos que provém a obra mais forte e bela dessa época, a Imitatio Christi. Trata-se do homem que não era teólogo nem humanista, não era filósofo nem poeta, e na verdade nem mesmo místico, e que escreveu esse livro, que por séculos haveria de servir de consolo para as almas. Tomás de Kempis, o homem quieto, introvertido, cheio de ternura pelo milagre da missa e com a concepção mais estreita sobre a orientação divina, (...). E o seu livro de sabedoria simples sobre a vida e a morte, endereçado às almas resignadas, transformou-se num livro atemporal. Nele, todo o misticismo neoplatônico fora deixado de lado, baseando-se unicamente na voz do amado mestre Bernardo de Claraval.”

Caem por terra algumas coisas ditas pelo Dr. Faustino. Que o livro seja “datado”, pois ele se elevou acima e além de sua época; é atemporal. Que ele esteja numa linha direta com certa “nova espiritualidade” vinda dos Países Baixos. Que há influências agostinianas no livro – Kempis era monge agostiniano. Onde ele vê influências de Santo Agostinho deve-se procurar a influência de São Bernardo de Claraval.

Huizinga continua: no livro “tudo é constante e melancólico, tudo é mantido em um tom menor: há somente paz, calma, a espera tranqüila, resignada e a consolação. (...) E mesmo assim as palavras desse homem apartado do mundo, como as de nenhum outro, conseguem nos fortalecer diante da vida.” Que belas palavras que não foram ditas pelo Dr. Faustino!

Voltemos ao comentário sobre a espiritualidade do livro de Kempis. Fala-se de espiritualidade como uma expressão de época, não como algo real, verdadeiro enquanto tal; espiritualidade seria algo construído pelo ser humano, diferente em cada época. No caso, esta espiritualidade do livro de Kempis foi uma reação aos medos medievais. Ou seja, a dimensão espiritual do homem é algo criado pelo homem. Mas o melhor de tudo é que as duas primeiras frases da apresentação do Dr. Faustino são: “A Imitação de Cristo é uma das obras mais difundidas da espiritualidade cristã, e sua popularidade é impressionante, só sendo ultrapassada pela Bíblia. É o livro que vem alimentando o mundo cristão há muitos séculos, enquanto expressão da devoção moderna.” Ou bem o livro é uma expressão de uma espiritualidade verdadeira e por isso eterna, ou bem é uma obra datada. Há que se decidir. Huizinga e a história já se decidiram. Falta apenas o Dr. Faustino.

Mas o que dizer da referência ao Concílio Vaticano II; “uma época anterior ao Vaticano II.” Vocês sabem, não é mesmo?, o CVII mudou tudo; antes está a coisa primitiva, depois a modernidade. Antigamente os santos diziam assim: “meu Deus, eu sou um miserável pecador e só vou me salvar se o Senhor tiver misericórdia de mim. Como sou pecador, vou procurar, através de penitências e mortificações, pagar um pouco de minha dívida. Esta é impagável, eu sei, mas aceite, meu Deus, eu suplico, estes pequenos sacrifícios. Vou ainda, com sua graça, procurar imitar seu Filho dileto. Livre-me, eu suplico, do Inferno.” Hoje, depois do CVII, isso é interioridade, é ser cristocêntrico e, sobretudo, é produto de vários medos. Todo católico teme a morte, não porque não exista nada do lado de lá, mas porque do lado de lá existe a Justiça Divina e nunca estamos seguros de nos salvar. Isto é o temor de Deus, que é o pré-requisito de toda a sabedoria, segundo Santo Agostinho. Os medievais temiam a morte porque eram racionais; nós tememos o aquecimento global porque somos irracionais. Escolha logo o seu temor, caro leitor, enquanto é tempo.


[1] Para os mais observadores, é interessante um trecho do livro que talvez revele uma possível influência verbal de Eckhart sobre Kempis, que obviamente não mancha a obra com nenhuma suspeita de heresia. Aliás, a publicação desta obra, na maioria das suas edições, possui tanto o IMPRIMATUR, quanto o NIHIL OBSTAT. Por acaso, a edição em tela, não possui nenhuma das duas declarações eclesiásticas. Mas, vamos ao trecho em questão, que se encontra no Livro III, Cap. LV Em latim, temos: Nam modica vis, quæ remansit, est tamquam scintilla quædam latens in cinere. Hæc est ipsa caro naturalis, circumfusa magna caligine, adhuc judicium habens boni et mali, veri falsique distantiam, licet impotens sit adimplere omne quod probat, nec pleno jam lumine veritatis, nec sanitate affectionem suarum potiatur. Em português (Edições Paulinas, trad. Pe. J. Cabral, 1958): Na verdade, a pouca força, que lhe ficou, é como uma centelha (scintilla) coberta de cinzas (cinere). É a mesma razão natural envolta em densas trevas, possuindo ainda o discernimento do bem e do mal, e fazendo a distinção do verdadeiro e do falso; todavia sente-se incapaz de cumprir o que aprova, pois já não possui a plena luz da verdade, nem a pureza dos seus afetos.

quinta-feira, outubro 27, 2011

50 anos de Vaticano II: Encontro de Assis; reparação ao Sagrado Coração de Nosso Senhor .

Sugiro a todos os católicos que puderem uma visita ao Santíssimo hoje, dia 27 de outubro, em reparação ao Encontro de Assis. Ofereçamos a Nosso Senhor nossas orações, nossos sofrimentos e nossa perplexidade. A FSSPX está recomendando que se reze a Missa Pro Fidei Propagatione

Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós.

quinta-feira, outubro 13, 2011

50 anos de Vaticano II: uma pesquisa acadêmica resolverá a hermenêutica do CVII.

Recebo do amigo e irmão na Fé, Renato Salles, a notícia cujo trecho vai abaixo. Comento logo a seguir.

Exatamente em um ano, a Pontifícia Comissão para as Ciências Históricas organizará, em  colaboração com o Centro de Estudos sobre o Concílio Vaticano II, um congresso  internacional em Roma (3 a 6 de outubro de 2012) sobre a interpretação do Concílio, no qual serão  fixados os critérios para essa pesquisa. "Será o ponto de chegada de uma ampla pesquisa internacional realizada pela Sociedade de História Eclesiástica e pelas Associações de Arquivística Eclesiástica de diversas nações, sob a égide do Pontifício Comitê de Ciências Históricas".

O Centro de Estudos sobre o Concílio Vaticano II da Pontifícia Universidade Lateranense  também é o promotor de um ciclo de conferências organizadas em colaboração  com o Centre  Saint-Louis de France. Os encontros serão realizados entre fevereiro e maio de 2012 sobre o tema "Reler os grandes textos do Concílio Vaticano II. História e teologia".

Dom Enrico dal Covolo esclarece que a Pontifícia Universidade Lateranense  pretende examinar “sem preconceitos nem conclusões predeterminadas todas  as cartas disponíveis sobre os trabalhos do Concílio, começando com as anotações e os diários dos pais e dos peritos teológicos que participaram da elaboração das declarações e dos outros documentos aprovados”.

“Só assim, isto é, com um trabalho verdadeiramente científico e imparcial, será possível verificar qual das duas hermenêuticas, de fato, é a mais correta. Para trazer tudo à luz como nos propomos – explica o reitor –, o trabalho de pesquisa deverá ser absolutamente imparcial”. Para o bispo salesiano, a reflexão referente à "vexata quaestio" [questão polêmica] da hermenêutica do Concílio é emblemática da missão de uma universidade como a Lateranense.

Bem, caros leitores, estamos agora todos tranqüilos. Depois de uma pesquisa internacional conduzida pela “Sociedade de História Eclesiástica e pelas Associações de  Arquivística Eclesiástica de diversas nações, sob a égide do Pontifício Comitê de Ciências Históricas”, tudo se esclarecerá sobre o CVII. Todos sabem que o que faltava era uma pesquisa acadêmica, destas que terminam em dissertações e teses, para que a Igreja descobrisse o que significou o Concílio Vaticano II.

O bispo Dom Enrico dal Covolo ainda nos esclarece que a Pontifícia Universidade Lateranense pretende examinar “sem preconceitos nem conclusões predeterminadas todas as cartas disponíveis sobre os trabalhos do Concílio, começando com as  anotações e os diários dos pais e dos peritos teológicos que participaram da  elaboração das declarações e dos outros documentos aprovados. Só assim, isto é, com um trabalho verdadeiramente científico e imparcial, será possível verificar qual das duas hermenêuticas, de fato, é a mais  correta.” 

segunda-feira, outubro 10, 2011

50 anos de Vaticano II: como os padres se vestiam antes do CVII.


UFA! Que bom ver padres vestidos como padres. E vejam que ousadia de alguns: com o Crucifixo no peito! Só mesmo a FSSPX para nos brindar com uma cena dessas. 

Isto já é parte da resposta à Roma, certamente. Ou seja, o pré-preâmbulo doutrinal da FSSPX é este: padre usa batina e ponto final.


Do FratresInUnum


quarta-feira, setembro 14, 2011

Quansah Rama Hannukah Dam: um Natal na casa de Stanford Nutting

O que vocês verão no vídeo abaixo é um Natal politicamente correto, inclusivo, sem a comemoração do nascimento de ninguém; um simples feriado sem razão de ser. Claro que tudo é temperado pelo inimitável humor de Stanford Nutting, que agora nos apresenta sua família, com realce para seu sobrinho Tommy, que acaba de ser crismado; ele é uma figura! Divirtam-se!



segunda-feira, setembro 12, 2011

50 anos de Vaticano II: Simpósio Gaysista na PUC do Pernambuco

O leitor Manoel Carlos pede ao blog para denunciar que "haverá um simpósio gay na universidade católica de pernambuco". Denuncio também a criação de um novo direito, já que o simpósio tem como tema o "Direito Homoafetivo". Este direito surge de uma opção, o que é uma novidade e tanto no campo do Direito.

Aproveito para sugerir a todos a leitura de Goodbye, Good Men: How Liberals Brought Corruption into Catholic Church (Adeus aos Homens Bons: Como os Esquerdistas Trouxeram a Corrupção para dentro da Igreja Católica), de Michael S. Rose. O livro trata da infiltração orquestrada de gays nos seminários católicos dos EUA. Alguém ainda pode dizer que não entende os recentes escândalos sexuais na Igreja?

Mas a Igreja devastada pelo Vaticano II não cansa de inovar e agora abriga numa de suas instituições tal simpósio. O FratresInUnium já havia noticiado o fato, quando comentava sobre a impoluta figura do Bispo (que tristeza ter tal prelado como sucessor dos apóstolos! Santa Margarete Maria Alacoque, rogai por nós!)  de Olinda e Recife.

Aqui em Minas, numa propaganda de rádio da PUC, ouvimos um professor dando uma aula de história e dizendo mais ou menos o seguinte: "E então o iluminismo rompeu com as idéias antigas e modernizou o mundo...". Muito simbólico para a propaganda de uma PUC!!!! O iluminismo, vocês sabem (alguém já disse isso; não me lembro quem) foi aquele período com excesso de iluminadores e escassez de luz.

Os moderninhos dirão que isto não é culpa do Vaticano II, mas de um bispo desvairado. E eu respondo: Hum, hum!

terça-feira, julho 12, 2011

50 anos de Vaticano II: teologia escrita em gelatina.

Stanford Nutting nos ensina o que é a teologia moderna, ele que foi seminarista nos anos 1970. Os mandamentos modernos são escritos em gelatina, não na pedra, como os Mandamentos de Lei de Deus. E em gelatina ainda líquida, para nos dar mais liberdade de fazer "não importa o quê". Divirtam-se!